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História

O jardineiro é essencial

História de: Wellington Souza Siqueira Lins Leite
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/09/2015

Sinopse

Neste depoimento, Wellington nos conta a respeito de sua família e de sua infância na Vila Albana – as mudanças no bairro, a creche que sua mãe fez em casa e o trabalho do pai no Mappin. Nos conta sobre suas frequentes mudanças de escola e o gosto pelo futebol, que o fez entrar no Pequeninos do Jóquei aos 7 anos. Depois, Wellington nos fala sobre estes anos de treinamentos e peneiras pelo futebol, até sua entrada no Projeto Esporte Talento, em 1998. Ele nos fala sobre como entrou no ramo de jardinagem com seu pai e com isso foi contratado pelo Centro de Práticas Esportivas da USP, onde hoje é coordenador de infraestrutura. Em seguida, sabemos sobre sua volta ao PET como estagiário, sua faculdade de Educação Física, seu noivado e seus planos para o futuro: uma casa nova e um casamento sólido e tranquilo.

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História completa

O meu nome inteiro é Wellington Sousa Siqueira Lins Leite, eu nasci em São Paulo, em 03 de agosto de 1984. A data de nascimento do meu pai é 01 de abril de 1968, Moacyr Silva Leite. Minha mãe é Maria do Rosário Sousa Siqueira Lins Leite, nasceu em São Paulo, 14 de maio de 1972. A gente morava, na realidade, quando eu nasci, meus pais ainda tinham um pouco de dificuldade com relação à casa, então, assim, eles moraram um período na casa dos meus avós por parte de pai, assim, um curto período. O meu pai, na realidade, fez uma correria, né, aquela famosa correria pra comprar um terreno, então ele comprou o terreno no Jaqueline, que é do lado da Vila Albana, aonde a minha mãe se criou, construiu muito rápido, uma coisa assim: “Ah, levanta os cômodos e vamos pra dentro morar, que é o que precisa”. Então, assim, foi quando, eu acho que com três meses nascido eu já fui pra essa casa, já, que é no Jaqueline. A rua era uma rua sem saída, até os oito anos, que eu me recordo, era um lugar bom, tá, porque bom eu vou explicar depois, né, era uma rua supertranquila, com uma vizinhança supertranquila, era um lugar agradável de morar. Assim, pelo fato de ser uma rua sem saída, tudo era maravilhoso, não tinha circulação de carro, então era uma rua que tinha muita criança, eu tinha a oportunidade de brincar com tudo, carrinho de rolimã, bolinha de gude, pião, enfim, pipa, várias brincadeiras que eram possíveis pelo espaço. Até os oito anos, quando, na realidade, aonde o meu pai comprou era bem na pontinha, no final do terreno, do loteamento, era no final do loteamento, e foi crescendo o bairro, foi crescendo, só que o bairro veio acompanhado das pessoas que invadiram alguns terrenos, principalmente o terreno, que na frente da minha casa passava o córrego, era esgoto, né, córrego, a gente chamava de córrego, nem sei se existe essa palavra, era córrego, e do outro lado era simplesmente um terreno que era da, depois acabou a fábrica falindo, ficou o terreno lá da fábrica de concreto, então o pessoal começou a invadir. Na infância só brincava, com, de seis pra, na realidade, sete anos, aí eu foquei no futebol, que aí eu entrei no Pequeninos do Jóquei, naquela época o Pequeninos do Jóquei estava iniciando, então era referência aqui em São Paulo, não tinha, não existia muitas escolinhas como existe hoje. Assim, era uma escolinha específica, tinha muito nome, que era vinculada com o Jóquei, então eu comecei assim, meu foco na modalidade foi pro futebol. Na realidade, curtia jogar bola na rua, então teve uma ou outra pessoa que começou a participar da escolinha, aí um foi falando pro outro, como era o único na região, então ficou fácil, tanto que na época era, existiam vários times que representavam, existia categoria de A a J, então, assim, na época foi um boom, não tinha nada focado nisso. Então eu descobri por colegas, jogando bola na rua, o meu pai, na realidade, ele fez todo o trâmite, né, foi, viu como que funcionava, como que era feito o trabalho, qual que era o foco e dali pra frente eu entrei e comecei a jogar. Olha, a minha história inteira na USP, vamos chegar nessa parte, tudo tem um vínculo com o meu tio Flávio, o meu tio começou muito cedo trabalhando aqui, ele começou como vigilante, ele não tinha vínculo nenhum com a universidade, naquela época era mais fácil contratar as pessoas, não tinha essa questão de concurso, então era mais fácil. Então, assim, quando o meu tio, ele, não me lembro quanto tempo, ele tem mais de 30 anos de USP, então, assim, na época eu era, eu acho que era o único da família que realmente amava jogar futebol, queria jogar futebol, e assim, tem os meus primos, mas nada focado em: “Ah, vou fazer futebol de segunda a domingo”. Então, na realidade, quando eu saí do Jóquei, eu acabei jogando em equipes de bairros, tá, então mesmo jogando aqui no projeto eu tava vinculado a um time de fora, então meu tio falou: “Ó, tá tendo inscrição, Projeto Esporte e Talento, quer participar? Dá uma olhada, vê como funciona”. Aí o meu pai, na realidade, veio com o meu tio aqui, olhou, fez a inscrição, eu nem tava sabendo de nada, e simplesmente só me informou, falou: “Ó, a partir de hoje você, no período da tarde, depois da escola, você vai pro projeto jogar bola”, aí de final de semana eu não tinha nenhum compromisso com o projeto, eu continuava jogando na equipe de bairro que eu jogava. Olha, uma coisa que me impelia era não ter a responsabilidade de jogar, eu continuava jogando por prazer, jogar no bairro, jogar na rua, continuava ainda quando tinha oportunidade, na rua, assim, quando eu falo rua é jogar em campinhos, tá, porque, o que eu falei, depois dos meus oito anos, pelo menos o bairro, eu saí com 15 anos, depois fui pra outros bairros, não tive mais oportunidade e também nem espaço pra fazer esse tipo de atividade, mas não tentei buscar nenhuma outra modalidade, não. O meu foco era terminar os estudos, que eu terminei com 18, e meu sonho era iniciar a faculdade, ponto, sempre foi esse, então ali o meu pai disse: “Ah, não quer jogar bola”, então eu terminei o estudo, alguma coisa você tem que fazer. O meu tio de novo, o Flávio, então, assim, ele é, apesar de ter alguns tios que não me ajudaram, esse, Nossa Senhora, foi um anjo, uma foi a primeira oportunidade aqui na USP, entrando no projeto, foi através dele, ele me ligou, na realidade ele ligou pro meu pai, não, minto, ele foi em casa levar um edital de um concurso, não um concurso daqui ainda, de um concurso: “Presta esse concurso, ó”. Aí eu prestei concurso, eu prestei 14 concursos aqui na USP, tá, então todos com o meu tio. Então eu comecei dia 31 de agosto, a faculdade começava no dia 18, não, não, isso, não, minto, dia 31 de agosto foi alguma coisa na UNIP, era na primeira quinzena de setembro, eu só tive a certeza, já fiz a inscrição, fiz o vestibular, o vestibular era tipo dois dias depois, fiz o vestibular, foi aonde eu iniciei minha faculdade. Então o meu primeiro salário do mês seguinte foi pra pagar a faculdade, então, assim, meu primeiro emprego, minha primeira faculdade, então eu iniciei a faculdade em 2004. E foi interessante porque eu entrei exatamente no lugar aonde eu fui educando, então o primeiro lugar que eu vim visitar depois que eu entrei e que passei no Departamento Pessoal o Projeto Esporte e Talento, na época eu lembro, tava o Maykell e o Marcos sentados, eles não me reconheceram, fato (risos), e contei pra eles e meu primeiro contato pós DP foi com o projeto. Então comecei a trabalhar, mandei bala, fiz o que tinha que fazer, comecei a fazer minha faculdade, aí chegou o momento aonde a faculdade sempre exige aquele estágio obrigatório, estágio na Educação Física, na UNIP, pelo menos, é x carga horária em academia, x carga horária em área escolar e atividades culturais. Então no terceiro ano da faculdade, apesar de não precisar ainda do estágio, estava havendo a seleção de pessoas aqui, vim conversar com o Marcos, perguntar se eu poderia participar mesmo não estando em época de estágio e fiz parte dessa seleção. Não sei se por influência ou por competência, mas eu passei (risos), foi feito entrevista na época, foi muito legal, então eu tive a oportunidade de passar, só que o meu cenário aqui era diferente, muito diferente, porque na época eu queria bagagem, então, assim, normalmente um, na época, o estagiário, ele era selecionado e direcionado pra um grupo x, deixa eu lembrar, era Pequeninos, Peteleco, Unidos, e Petelecão No projeto eu conheci, sim, na época, a Carol, ela foi educadora também, ela trabalhava com a área de Psicologia aqui no projeto, antes, relacionamento de namoro, namoro, namoro não, então sempre fui desencanado com isso, era bem esporádico, assim: “Ah, vou”, fica aqui, fica ali, vai numa festa, fica ali, mas namoro mesmo, namorar mesmo foi aqui. Ó o PRODHE, o PET de novo influenciando na minha vida, aí conheci essa, a Carol, a gente ficou quase quatro anos juntos, aí por problemas da vida a gente acabou se separando e ela seguiu a vida dela, eu segui a minha. Mas depois daí, com relação a namoro, eu, como foi um namoro muito conturbado, eu simplesmente coloquei um pontinho, um início, um ponto pra iniciar e um ponto pra acabar, eu decidi que em um ano na minha vida eu não queria envolver com mulher, envolver assim, relação de namoro, uma coisa a longo prazo, então aí foi um ano que eu curti (risos). Foi um ano de sair, de ir pra balada, curtir com os amigos, que aí é aonde eu falo que é outra falha, eu tive uma falha quando eu tive essa oportunidade de namorar, eu vivia mais a vida dela do que a minha, eu vivia mais o cenário da família dela do que a minha, eu vivia mais em Minas Gerais do que aqui, então eu coloquei um ano que era me dedicar à minha família, retomar minhas relações e curtir minha vida. Aí depois, com o passar do tempo, tive a oportunidade, que hoje é a minha atual noiva, de conhecê-la, foi como aluno de academia, ela era professora de dança e aí foi, a gente tá até hoje, vai completar quase cinco anos já. O meu objetivo hoje tá um pouco diferente, né, eu quero, assim, minha noiva na realidade começou a faculdade, então ela tá fazendo Engenharia de Produção, ela tá no terceiro ano. Eu sou muito certinho, não é que é certinho, eu sou muito radical pra algumas coisas, então, por exemplo, eu acho que eu tive a oportunidade de poder desenvolver meu estudo, focar nos meus estudos, focar no meu trabalho, eu acho que ela tem o mesmo direito. E eu entendo o casamento como uma coisa muito importante e em qual você tem que se dedicar, principalmente pra que ele aconteça, então hoje ela tá num cenário diferente, eu não gostaria de tirar o foco dela dos estudos, não vejo um ano ou dois ano como algo que vá fazer diferença, se casar ou não. Então eu prefiro casar com ela feito os objetivos dela, atingido os sonhos dela e isso seja o primeiro start pra ela começar, como eu já tenho 60, 70% do que eu acho que eu gostaria de conquistar, ainda tenho muito a conquistar, mas eu já conquistei uma boa parte em termos de estudo, eu ainda tenho que galgar muita coisa ainda, mas eu acho que ela tá começando agora. Hoje esses são os meus sonhos, hoje é esse, pode ser que não seja realizado, aí eu tento alinhar outro, mas hoje são esses.

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