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História

O menino que nadava no Tietê

História de: João Antonio Navarro Belmonte
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/10/2016

Sinopse

Nesta entrevista, João Belmonte nos conta a respeito de sua origem espanhola e a travessia de sua família para o Brasil. Em seguida, ouvimos a respeito de sua infância no Brás, sua casa e suas brincadeiras - entre elas, os banhos no rio Tietê. Depois, fala do trabalho de seu pai como comerciante na Zona Cerealista, sua entrada na faculdade de Direito e seus primeiros vôos como advogado. A partir daqui, João descreve o dia-a-dia no SAGASP, como chefe do setor jurídico. Por fim, fala sobre o dia do nascimento de suas filhas e acerca de seus sonhos para o futuro.

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História completa

No meu tempo a coisa era mais modesta, então a gente nascia em casa. Eu nasci na Avenida Rangel Pestana, número 1035, na casa oito no Brás, me criei no Brás. Saí do Brás pra casar. Nós sempre fomos muito pobres, a gente não tinha muito brinquedo. Os nossos brinquedos nós fazíamos, eu e meus irmãos fazíamos. O que a gente tinha de melhor era um carrinho de rolimã, então era uma briga pra quem ia ficar com o carrinho à tarde. E o resto era uma bola de pano que se fazia, uma meia velha cheia de papel dentro pra poder brincar, esses eram os nossos brinquedos. Um estilingue de vez em quando. Não tínhamos brinquedo como tem hoje essa molecada, que tem tudo o que é eletrônico, bicicletas e motonetas. No nosso tempo não tinha, pelo menos a minha fase não houve, os nossos brinquedos eram feitos por nós mesmos, pedaço de madeira com um furo na ponta servia de carrinho, se colocava uma pedra em cima era um caminhão que estava trabalhando, entendeu? Coisas bem rústicas que a gente próprio fazia. Essa era a vida que nós tínhamos lá. E passar a ter uma coisa mais assim, como adulto. Minha primeira bicicleta, por exemplo, eu comprei com 19 anos e eu comprei, eu não ganhei do meu pai, eu comprei uma bicicleta.Mas nós nadávamos no rio Tietê. Aqui na esquina da rua Cantareira tinha uma estaçãozinha de trem ali e a gente entrava naquela estação pra pular no rio Tietê e nadar lá. Isso era fantástico! O momento, era divino aquilo! Eu tive um pouco menos essa atividade de nadar em rio porque eu sempre tive esse trabalho com o meu pai, então eu não podia me expor a muitas coisas porque eu sabia que ele dependia e qualquer acidente que eu tivesse iria complicar a vida dele. Então eu me reservava um pouco e fazia outras coisas como, por exemplo, remar no Corinthians. Eu sou sócio do Corinthians desde 1952, 53. E no Corinthians eu remava e a gente tinha um barco de quatro remadores com o patrão, nós descíamos o rio Tietê até aqui no Floresta e subíamos de novo. Era um rio absolutamente navegável pra gente com barquinho pequeno. E feliz da vida, quando você voltava, embora estivesse cansado porque pra subir o rio remando era bem... pra mim que sou pequeno era muito sacrifício porque eu andava com três grandes no barco e eu tinha que ter um desempenho muito maior do que o deles pra compensar essa diferença de tamanho (risos). Mas chegava no Parque São Jorge absolutamente feliz da vida. Um banho, trocava de roupa e estava com meu fim de semana ganho, essa era a atividade que nós tínhamos. Não sei se outros teriam a mesma satisfação que eu, mas eu tinha essa felicidade

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