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História

O orgulho de trabalhar no BNDES

História de: Expedito Cursino Alves
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/10/2018

Sinopse

Natural de Caucaia, Ceará, em sua entrevista ao Museu da Pessoa, Expedito nos conta sobre sua carregada trajetória dentro do BNDES. Fala sobre o que o prestigiado ambiente que o atraiu para trabalhar no banco, seu estágio como auxiliar de engenheiro e seu retorno como engenheiro do banco. Atuou fortemente no setor de acompanhamento e planejamento de projetos de investimento do Banco. Em 1966 foi chamado para representar o Brasil em um curso cedido pela ONU de treinamento para o setor industrial.

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História completa

P/1 - Bom, vamos começar com uma identificação. Você diz qual é o seu nome, onde você nasceu, qual é a data e o local de nascimento.

 

R - Meu nome é Expedito Cursino Alves, nasci em Caucaia, Ceará, no tempo em que eu nasci se chamava Soure, mas como tem uma outra cidade com esse nome, lá no Amapá, então eu nasci em Caucaia, no dia 28 de março de 1929.

 

P/1 - Bom, vamos falar da sua entrada no BNDE. Quando você entrou e como foi?

 

R - Na época em que eu estava no segundo ano de Engenharia eu tinha feito alguns concursos, porque estava no Ministério da Educação, era estatístico auxiliar, então abriu concurso no BNDES de vários concursos: assistente administrativo, assistente técnico e eu me inscrevi. Fiz o concurso de assistente técnico; tinham dois mil e duzentos candidatos. Esse assistente técnico contemplava todas as carreiras técnicas e auxiliar de engenheiro, abaixo do nível superior, auxiliar de economista, e tradutor, e diversos outros. Eu fui o nono colocado no concurso, mas na minha especialidade só tinham cinco vagas. Isso em 1955. Eu não fui chamado. Então, depois eu fiz concurso como estatístico do correio e fui para lá como estatístico. (Pausa) Quatro anos depois, em 1959, eu recebi um telefonema pedindo para comparecer na divisão do pessoal do Banco para tratar de assunto do meu interesse. Eu estava sendo chamado para assumir o cargo naquela época; já tinha mudado, em vez de assistente técnico, eu era auxiliar de economista, eu já era formado, já estava formado; me formei em 58, aí eu assumi o cargo de auxiliar de economista, comecei em julho de 1959. E aí passaram-se dois anos, eu então já estava passando para o nível superior. Como eu não tinha o curso de economista, eu não podia ser promovido à economista, passar para a carreira de economista. Eu então pedi transferência para as carreiras de auxiliar de engenheiro. Alguns dias depois eu recebi uma chamada na seção de pessoal para tomar conhecimento de um despacho. Compareci e estava lá indeferido, por falta de amparo legal, desci da seção de pessoal, que era no quinto andar, na Rua Sete de Setembro. Eu trabalhava na sobreloja, eu desci do quinto andar e cheguei lá, na minha seção, na minha divisão, era a divisão de energia, que eu era auxiliar de economista, mas estava trabalhando como engenheiro, estava fazendo acompanhamento de obras de energia elétrica. Furnas... eu acompanhei segunda casa de máquinas de Paulo Afonso, usina hidroelétrica do Vale do Rio Pardo, CHERP, Usinas Elétricas do Paranapanema, USELPA, centrais elétricas do Rio das quantas, diversas outras, todas as obras de financiamento de energia elétrica, eu estava acompanhando, porque era um departamento de controle das aplicações. Aí desci e falei com a Osvaldina que era secretária da divisão para fazer um requerimento, pedindo demissão à partir daquela hora e logo a seguir fui me embora; pra alguns dias, depois eu recebi a chamada para comparecer na seção de pessoal e a chefe da seção, Marieta Campos, disse: “Expedito, você tem direito de pedir licença para tratamento de assuntos particulares.” “Mas eu não quero, porque eu não quero mais ser auxiliar de economista, se eu sou engenheiro, eu vou seguir minha carreira de engenharia, então eu nem vou pedir esta licença.” Quando foi em outubro de 1961, abriu concurso para engenheiro do Banco, aí eu fiz o concurso, passei e fui chamado para assumir em janeiro, enquanto se processava a parte de homologação do concurso que demorava algum tempo. Então no dia 19 de janeiro de 1962, eu assumi aqui como engenheiro contratado, quando foi em maio do mesmo ano, aí já tomei posse no cargo de engenheiro, nessa época eu estava ainda na mesma seção de energia que eu tinha deixado, quando eu pedi demissão de auxiliar de economista, eu então fui lotado no departamento de projetos: uma parte mais de análise de projetos e tal, enquanto lá no outro era mais acompanhamento de projetos. Eu fui para o departamento de projetos e fui participar de projetos industriais de análise de projetos industriais, quando foi em... alguns poucos anos, logo depois, eu fui nomeado para assumir o cargo de chefe do setor da divisão de construção mecânica e transportes, e depois aqueles cargos alguns, anos depois o Banco fez uma reforma geral, organizado pela Booz Allen, que modificou os departamentos, que modificou aquelas chefias e então criou o cargo de gerentes. Eu então fui nomeado Gerente de análise e de acompanhamento, porque aí podia fazer tanto análise de projetos como acompanhamento de projetos, e naquela mesma divisão naquela nova estrutura tanto se fazia análise, como se fazia acompanhamentos na mesma divisão antes era departamento de controle, que fazia o acompanhamento dos projetos e o departamento de projetos, que o analisava e mandava para a diretoria e o projeto era aprovado e ia sendo acompanhado, e então nesta nova estrutura podia fazer as duas coisas na mesma divisão. Aí eu passei para o departamento de indústrias químicas, como gerente, e fui substituto do chefe de departamento algumas vezes, que era Dr. Soriano, e depois o Banco começou a crescer muito.

 

P/1 - De todas estas partes em que você trabalhou dentro do Banco, qual que você gostava mais?

 

R - Bom, a que eu gostava mais foi esta: fui eu que pedi para ir para o Departamento de Projetos. Eu fui para as Indústrias Químicas tanto porque gostava, como por circunstância, o sujeito vai sendo indicado para assumir determinadas funções e eu gostava, mas não é que eu tenha achado que devia tanto, fazia acompanhamento como fazia análise.

 

P/1 - O que você fazia exatamente?

 

R - O que eu fazia? Um projeto entra no Banco, normalmente vem uma carta-consulta se aquele projeto se enquadra, antes de você, que é uma coisa muito demorada e cara, primeiro se faz uma carta-consulta e a gente vê o enquadramento, responde que o projeto está enquadrado para ele apresentar o projeto, quando ele apresenta o projeto, então, ele vai ser analisado por uma equipe de técnicos composta de um engenheiro, um economista, um advogado, um contador. E eu no começo comecei como um simples técnico, mas depois era coordenador dos grupos de trabalho, e quando eu estava como gerente, eu acompanhava diversos projetos que ficavam sob minha responsabilidade e eu indicava as pessoas que deviam participar daquele projeto. Em alguns projetos eu até acompanhava o grupo de trabalho dependendo da responsabilidade da importância do projeto e depois eu fui me orientando mais para a parte de indústria de cimento; fiquei especializado no Banco na parte de cimento, todos os projetos de cimento passavam por mim e nesta época eu fui designado para ser representante do Banco, junto ao Ministério da Indústria e Comércio no grupo executivo da Indústria de Materiais de Construção, GEIMAC, e lá os projetos de cimento que ao passarem por mim, dentro do Banco, passaram por mim lá no GEIMAC, aonde eu era designado para ser o relator dos projetos e aprovar para fim de isenção de impostos de importação. Impostos de ICM e outros impostos.

 

P/1 - E destes projetos tem algum significativo que você se lembra?

 

R - Eu me lembro de todos eles, porque eu, modéstia parte, tenho uma boa memória, mas os meus projetos, a minha especialidade, o que eu gostava, no que me especializei, foi cimento. Todo o setor de cimento, tanto a parte de mercado, de estudo de mercado, de todas as nuâncias, e o local que cabia para se fazer um projeto ou não, era a minha atividade principal. Agora neste período, em que eu estava no Banco, eu fui indicado pelo Banco para representar o Banco numa bolsa de estudo, que estava sendo oferecida pela ONU para ser feita na Suécia, com diversos engenheiros de diversos países: tinham 22 engenheiros de diversos países em desenvolvimento, então o meu curriculum foi encaminhado ao Itamaraty. O Itamaraty analisou, a ONU analisou a minha ficha, e depois me mandou uma carta com aprovação do meu nome para representar o Banco, o BNDES, o Brasil, naquela bolsa.

 

P/1 - Teria alguma coisa do seu dia-a-dia do BNDES de amigos, festas ou então de coisas que você se lembre, alguma coisa engraçada, algum amigo que você se relacione até hoje coisa assim?

 

R - Bom, eu acho que das coisas que eu posso contar são tantas que nem sei por onde selecionar.

 

P/1 - Uma engraçada.

 

R - Eu não vou contar uma engraçada, porque envolve o nome de outras pessoas. O Severino era o meu grande amigo, a gente sempre ia almoçar juntos, quando a gente estava ali no Banco. Aí quando o Severino conta esta história, ele sempre conta que neste tempo eu era solteiro. Aí a gente saiu. A gente almoçava por ali, tinha umas Lojas Americanas, então uma garota passou e olhou para o Severino, foi atrás dela. Quando o Severino chegou ali atrás, chegou um cara fortão e abordou a garota: “Você conhece esse camarada?” “Eu conheço, Antônio, eu que sei quem é ele”... aí o cara foi se aproximando do Severino como quem estava querendo bater, aí eu me aproximei, quando me aproximei, o cara foi embora.

 

P/1 - Seu Expedito, eu queria saber o que o BNDES representa para senhor?

 

R - Quando eu entrei como auxiliar de economista, eu já comecei a gostar muito do Banco, mas tive aquela decepção e depois quando fiz o segundo concurso para engenheiro, que era minha profissão mesmo, eu aí “vou fazer daqui casa de morada”, porque ali era um emprego que eu queria, era a entidade que eu queria, era o lugar que eu gostava, era, acho, que o BNDE era considerado o primeiro mundo. A rapidez que se tem de apresentar os projetos, de analisar tudo isso, casava com os meus interesses, vinha ao encontro daquilo que eu gostava de fazer, então eu sempre amei o BNDES, porque era realmente o órgão, que a gente tinha orgulho de ser quando a gente ia fora do Banco, ia fazer análise na empresa, sempre era muito bem tratado muito respeitado e isto tudo me trazia um orgulho muito grande daquele pessoal de alto nível, porque o BNDE constitui uma elite técnica de pessoas altamente especializadas e por isso o banco teve que aumentar os salários dos técnicos senão ficava sem eles. Houve um concurso do Banco, o primeiro concurso do Banco de sair todos os que tinham sido aprovados. Eu entrei no segundo de engenheiro, mas no primeiro concurso do Banco já tinham saído vários, Fábio Bastos, e outros que pegavam um nível de conhecimento tal. Pessoal saía aqui do Banco para dirigir grandes empresas. Eu mesmo fui convidado para dirigir empresas na área de cimento, só que eu não quis aceitar. Mas era um orgulho a gente pertencer a essa equipe, essa elite de técnicos de alto nível, era isso que me fazia orgulho, que me envaidecia até de ser técnico, engenheiro do Banco. Me aposentei como Gerente Operacional com 47 anos de idade, 30 anos de serviço, porque eu entrei no serviço público, como aprendiz de marinheiro, com menos de 17 anos, e aquele tempo todo foi contado, depois eu fui para o Ministério da Educação, contou aquele tempo, todo depois para o Correio, contou aquele tempo, todo depois quando eu estive naquele período que eu sai, fui para o DENOC, Departamento Nacional de Obras Contra a Seca, depois o DENOC foi para o Fortaleza, eu não fui, fiquei seis meses fora neste período, eu fui ser o engenheiro residente na Usina do Funil, naquele projeto que na época se chamava CHEVAP [Companhia Hidrelétrica do Vale do Paraíba]. E neste período foi que eu fiz concurso pra engenheiro do Banco.

 

P/1 - Sabe o que eu queria saber, seu Expedito, o que você achou de ter participado desta entrevista e o que você achou de ter participado do projeto de 50 anos do BNDES?

 

R - E sempre é uma satisfação a gente poder participar de um evento como este que eu tenho certeza da grande importância que tem para contar as histórias do Banco que é a história da entidade, mais interessante de todos os órgãos públicos, que eu considero porque eu estive nos Correios, no Ministério de Educação que são órgãos de importância, mas do BNDE é sem par e é uma satisfação poder colaborar com o órgão que sempre patrocinou e sempre pelo desenvolvimento do país. Que eu senti participar dentro destes objetivos do Banco que era fomento de grandes projetos e desenvolvimento, eliminação de ponte de estrangulamento, que existe na economia do país e o BNDE esteve sempre presente para cortar estas pontes de estrangulamento.

 

P/1 - Tá, a gente queria agradecer a entrevista, obrigado.

 

R - Obrigado eu.

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