Busca avançada



Criar

História

O Pantera Negra do Vidigal

História de: Arthur Bispo Ferreira Coutinho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/10/2012

Sinopse

Nascido no Vidigal, Arthur Bispo ingressou n’ Nós no Morro muito jovem, atuando em várias peças do grupo e em projetos afora. Em seu depoimento, Arthur sublinha a importância da avó em sua vida, seus amigos de infância que ingressaram com ele no teatro e formaram um grupo de rap. Ele conta como ingressou na dança, elemento enriquecedor em sua formação profissional. Participou de minisséries e filmes da Globo, como "A Cidade dos Homens" e o filme homônimo. Em Suburbia, Arthur interpreta o personagem Lorival.

Tags

História completa

Meu pai é editor de cinema e minha mãe é manicure. Eu vejo os meus pais como os meus ídolos. Eu os admiro muito e tudo que eu sou hoje é por causa deles. Tenho três irmãos, e na minha casa a gente tem uma vida boa, normal, moramos na comunidade do Vidigal. Cresci lá. Minha família não tinha muita condição, mas a gente tinha o que dava pra ter e a gente era muito feliz com isso. Sempre tive muitos amigos onde eu moro, conheço bastante gente. A minha rua é uma ladeira, e jogar futebol na ladeira era o mais impressionante, porque não tem como você jogar futebol numa ladeira. A bola sempre vai rolar pra parte de baixo.

Era aquele futebol que valia tudo. A bola caiu na pista, não importava, a gente continuava o futebol na pista. A nossa grande quadra era a comunidade. Pipa sempre foi meu vício e até hoje é. Pique esconde a gente brincava a comunidade inteira. Lá é uma comunidade interessante, muito cultural. No Vidigal, todo mundo é humilde, mas tem esse pouquinho de dinheiro, então eu vou melhorar minha casa, minha vida. Se você tirar uma foto, você vai ver que muitas casas são coloridas. Ninguém vive nessa parada de tijolo e cimento. Quem pode, pinta a casa de uma cor. Quando eu nasci minha avó começou a fazer por mim tudo que ela não pôde fazer pela minha mãe. Se você falar assim: “Ô Isabel, você tem que atravessar o oceano para o Arthur poder viver”. Ela atravessaria. A minha avó é uma figura muito importante na minha vida.

Eu estudo muito a história da minha avó, muitos ditados, que eu não entendo muito, mas tem tudo a ver. Uma pessoa que também foi muito importante na minha vida foi o meu primo Wallace. Tem a mesma idade que eu. E a gente sempre teve os mesmos sonhos: e hoje em dia a gente começou essa carreira de músico. A gente tem um grupo de rap, os “Panteras Negras”, nessa linha dos primeiros panteras negras que existiram no mundo, que vieram com a missão de revolucionar. E esse nome foi escolhido exatamente por isso, porque a gente vem com a ideia de revolucionar. A gente vem cantando sobre a nossa vida, que acontece no nosso dia-a-dia dentro da nossa comunidade.

Porque todo mundo fala que o geminiano quer pegar o mundo com as mãos, ele quer fazer tudo ao mesmo tempo. E eu sou muito assim: eu quero fazer tudo ao mesmo tempo. Hoje eu sei tocar surdo, tamborim, repique, agogô, pandeiro, atabaque, timbau. Percussão é uma área que eu posso dizer que eu domino. Depois eu comecei a compor minhas próprias letras, a música veio tomando uma força maior e começou a se igualar com o teatro. E hoje, pra mim, eu acho que um é o complemento do outro na minha vida. Hoje em dia pra você ser um artista, tem que ser um artista completo. Você tem que saber dançar, cantar, interpretar.

Eu entrei no "Nós do Morro" com sete anos de idade. Um interesse meu, vindo de mim. Eu não fazia nada o dia inteiro e comecei a perceber que eu precisava de uma ocupação pra minha vida. Comecei a encher o saco do meu pai: “Eu quero fazer teatro”. E certo dia eu fui me inscrever, fiz um teste e passei. Foi um mundo mágico pra mim, novas coisas, novas pessoas, e foi tudo muito bom. Eu me identifiquei muito com o teatro. Foi onde eu descobri que eu poderia viver outras vidas. Eu sou uma pessoa muito palhaça, só que quando eu vejo a câmera, fico meio tímido. E muitas pessoas falam pra mim: “Arthur, teu lugar é o circo, não é o teatro”.

Minha temporada de começar fazer filme e a minissérie, pá, eu deixei um pouco de ser criança, porque na hora que eu chegava das gravações, meu amigos já estavam em casa, praticamente indo dormir. Então eu comecei ter um pouco mais responsabilidade de vida de adulto. E o Arthur antes era um estilo descalço, só de camisa, só de bermuda, que ficava andando no morro o dia inteiro, jogando bola, saía de casa sete e meia da manhã pra ir pra escola, chegava a casa, colocava a mochila, voltava pra casa às dez. Depois de um tempo pra cá eu comecei: “Ah, não, calma, eu também tenho que me cuidar também”.

Eu gosto de tênis cano longo, gosto de usar blusa maior que eu. Meu personagem é um tremendo cara de pau. Ele fala primeiro e depois vai ver as consequências. Superengraçado. Porque eu sou muito sincero. Ele é supersincero, o meu personagem fala tudo que acha, não muito diferente de mim. Ele fala o que ele pensa e não tá nem aí para o que vão achar dele. Ele gosta de baile funk e também gosta de samba.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+