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História

O que o vento me trouxe

História de: Nair Aparecida Alves Florencio
Autor: CRAS- Estação Santa Cruz do Rio Pardo
Publicado em: 31/10/2018

Sinopse

Dona Nair, é dona de casa, nasceu em 16/11/1965, na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo - SP. É filha de Anselmo Pontes e Alice Alves Pontes, a mãe era doméstica e o pai vigia noturno. Passou por muitas dificuldades e através do sofrimento superou os obstáculos que a vida lhe impôs.

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História completa

"Filho, onde você vai? Mãe, sou como uma folha seca e vou onde o vento me levar".

Dona Nair é uma mulher que aprendeu com o sofrimento. Sua infância não foi ruim, mas quando ela tinha 06 anos seus pais se separaram e ela conviveu com seus avós maternos junto com sua mãe. Tem 3 irmãos do primeiro casamento de sua mãe e do segundo casamento tem uma irmã. Foi uma criança com poucos amigos, e considerava como amigas suas tias: Maria, Vera e Ivone. Suas brincadeiras favoritas eram passar esmalte nas unhas, se maquiar, fazer bonecas de milho verde, pular corda e amarelinha.

Morava em uma casa de três cômodos, na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, na Vila Oitenta. Sua mãe colocava do lado de fora da casa quatro tijolos para fazer um fogão para cozinhar. Passaram por muitas dificuldades, mas sempre receberam ajuda de parentes, nunca faltou comida. Estudou até a quinta série, era muita briguenta, saia na hora do recreio para ir ao serviço de sua mãe, não gostava de estudar. Aos nove anos de idade ia com sua avó ao trabalho, lá havia uma casa com rodapés muito branco, onde sua avó lhe pedia para limpar e de joelhos limpava encerava. Começou a ganhar dinheiro com seu trabalho de babá, adorava, ensinava muitas brincadeiras a criança, como panelinha, pintar as unhas da boneca entre outas. Aos quinze anos de idade foi trabalhar em um restaurante para lavar louças e verduras e conheceu seu marido, 28 anos, na borracharia ao lado do seu trabalho. Iniciaram o namoro e quando ela tinha 17 anos se casaram. Dessa união teve um filho chamado Welton, mas quando seu filho tinha um 1 ano e 45 dias seu marido, que trabalhava como caminhoneiro, morreu em um acidente.

Depois de seis anos do falecimento de seu marido, Nair começou a namorar e desse namoro nasceu Wellington Fabricio, seu segundo filho, que veio a falecer com 24 anos de idade, devido ao uso de drogas. No dia de sua morte, disse a mãe que se sentia como uma folha seca e iria onde o vento o levasse. Este acontecimento foi um marco na vida de Dona Nair, pois foi a partir disso que se entregou ao uso de álcool, desencadeando outras consequências ruins.

Seu primeiro filho Welton hoje está preso em São Paulo-SP por tráfico de drogas, está dando graças a Deus pois dessa maneira o filho está seguro, não foi atrás dele, quer que o filho com sofrimento crie juízo. A senhora Nair trabalhava muito e não teve tempo de cuidar dos filhos, quando percebeu que eles estavam usando drogas já era tarde demais, sempre tiveram uma vida simples mas nunca lhe faltaram nada. Dona Nair tem mais uma filha, Karolina, de 14 anos, que foi fruto de um relacionamento passageiro. Karolina sempre foi criada a “pão-de-ló”, é a menina do seu coração, sempre desejou ter uma menina e a teve aos 39 anos. Com a perda do filho, enfraqueceu no sofrimento e começou a beber exageradamente, mas acreditava que quando quisesse parar conseguiria. Procurou ajuda com psiquiatra, mas não tomou a medicação. Uma vez muito bêbada quis bater em sua filha Karolina, a adolescente procurou o Conselho Tutelar e foi abrigada no Educandário O Lar da Criança por aproximadamente um ano. Vendo sua situação, Dona Nair continuava a beber, chegou a pesar 35 quilos, os familiares a internaram em Adamantina –SP sem ela saber, foi dormindo e acordou lá. Quando chegou no hospital a colocaram em uma cadeira de rodas e ela achou estranho aquele lugar. A cada porta que passava ouvia quando era trancada. A senhora Nair não aguentava mais andar, tremia muito, não comia, não tomava banho, só tomava pinga, ela não tem recordações de quando bebia e não sabe por quanto tempo ficou internada. Dona Nair disse não ter mais vontade de beber e que Deus a tirou do fundo do poço e lhe deu a vida novamente para cuidar de Karolina. Sua filha retornou a seus cuidados em 01/10/2018, se relacionam bem e ambas estão felizes. Atualmente, dona Nair frequenta o Grupo de Mulheres, no CRAS I – Estação, e percebe que todos têm problemas podendo compartilhar sua história. Hoje Nair diz que o mais importante é a sua vida e de sua filha, diz ser grata primeiramente a Deus e aos irmãos, principalmente ao Nivaldo.

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