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História

O sanfoneiro baiano

História de: Aurino Pereira de Souza
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/03/2008

Sinopse

Aurino inicia a entrevista falando do aspecto rural de sua infância, onde passou a vida a pescar e a plantar diversos elementos na terra de Lençóis. Conta também a respeito da técnica de construção de canoas e de sua proximidade com os rios da região. Depois, ouvimos sobre a plantação de aipim e a Procissão de São Francisco, com suas quermesses e festas. Em seguida, Aurino fala sobre a importância de seu pai em sua vida, ensinando-o a tocar sanfona e os segredos da festa do Reisado. A partir daqui, Aurino conta sua experiência como mestre Griô na região de Lençóis e Remanso e fala de sua viagem à Espanha. Na segunda parte de sua entrevista, entra em pormenores a respeito da dança da marujada.

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História completa

Eu lembro da marujada como foi começada no meu setor Remanso onde eu moro, trabalho, convivo no Remanso. Eu lembro como a gente começou a marujada de lá. Que a marujada de foi começada por uma que tinha aqui, né? Aqui tinha uma mais velha chamado Ciciliano que era aqui de Lençóis, certo? Então os meus primos, irmãos faziam parte do grupo de marujada aqui de Lençóis que era do velho Ciciliano e levou, criou um grupo de marujada no Remanso. A primeira vez eu fui ração, se chama um meninozinho que trabalha de ração, que o mestre chama, o piloto chama, ele responde:Ô mestre chama o ração. E torna a voltar:Ô mestre, que novas traz?. É isso que o ração faz, mas isso é uma criança, um meninozinho é que faz esse trabalho na marujada. Eu comecei sendo ração, depois passei pra piloto, que o piloto é o segundo mestre, tem o mestre e tem o piloto. O piloto fica no coice da fila e o mestre na frente. Ele comanda uma parte, o mestre comanda uma parte e o piloto outra. Então eu fui o ração, o raçãozinha fica atrás sempre pra naquelas horas que for chamado ele responder. tem a farda. A farda a gente faz de um monte de modelo. Faz uma vez a calça branca, uma blusa azul, porque nós usávamos uma calça branca e uma blusa azul. E eles aqui usaram outra cor, eles usavam verde com a calça branca, outra hora a calça azul com a blusa branca. Usa de várias posições a farda do jeito que o grupo interessa. A marujada se faz duas filas de pessoas, por exemplo, se for doze bota aqui seis, bota cinco desse lado e cinco desse, né? E aqui fica a vaga no meio, se trabalha deixando a vaga no meio que é pra andar o ração, o piloto, o próprio mestre, o mestre anda entre as duas filas, que ele trabalha com a espada. Ele rompe com a espada, torna a voltar, vai até o fim da fila, torna a voltar e a fila acompanhando ele. Faz aquela redobra, torna a voltar, faz aquele tipo de roda, mas com as duas filas. É por isso que tem que ser com mais gente. No menos doze, mas quanto mais gente melhor, fica mais bonita a fila, né? Ali, vamos dizer, se for doze fica cinco de um lado, cinco de outro. Porque tem um mestre que fica no meio, que ele não pode ficar na fila, ele fica entre uma fila e outra. E tem o piloto também que fica no coice. O piloto pode ocupar uma fila, certo? Mas o mestre não pode ocupar uma fila, que ele tem que ficar entre as duas filas. Por exemplo, aqui as duas filas e o mestre trabalha aqui nesse meio, com a espada. As épocas que a gente fazia é época de festa, quer dizer, que a gente treinava sempre. A gente treinava sempre na região, certo? Sempre gente a gente treinava durante o dia, final de semana, no sábado, no domingo, quando a gente queria sair a gente tinha que dar treino, treinava quando pra quando saísse ta todo mundo certo no que ia fazer, né? É um tipo assim, que eles chamam, marinheiro, um tipo guerrear. Uma guerra assim, fez eles batalhar assim, batalhar por uma coisa, certo? Porque... Nós tinha várias coisas, nós tinha a festa de índio. no meu lugar a gente chamava festa de índio. O pessoal vestia de pena, eles pegavam as penas dos pássaros e faziam as vestimentas das meninas, dos meninos. A gente fazia aquelas barracazinhas de palha, pra dizer que era a toca dos índios, sabe? E esse grupo de marinheiro que chama a marujada é quem ia batalhar com esses índios. Os índios com as flechas, eles faziam aquelas flechazinhas de madeira, né, com aqueles, conhece, ouviu dizer badoque? Que eles metem assim a flecha e é... os índios, todos os índios vinham com aquela flecha e os marinheiros era com a espada pra batalhar. Mas que os marinheiros que ia batalhar com os índios que os outros tinha que bater casco tal, tinha que lutar mais com os índios, com a espada, era o mestre e o piloto. Que os índios vinham, os marinheiro ia como ia pra querer... Porque até hoje a gente tem uma música dessa festa. Porque o índio ia querer pegar... Os marinheiros iam querer pegar uma índia na tribo do índio, certo? E os índios vinha pra batalhar com os marinheiros, a gente fazia aquele encontro pra ficar a fileirinha de cá. Os índios tava esperando nós nas tribos deles que eram aquelas barracazinhas de palha que fazia, quando a gente ia com a marujada e chegava encontrava os índios. Os índios respondiam que não queriam, não queriam, faziam aquela linguagem e flecha no marinheiro! O marinheiro rebatia com as espadas. Era muito bonita a festa. Era caixa e cantoria. Levava as músicas cantando, batendo as caixas, pandeiro, esse tipo de coisa, e cantando. Voz, voz, sem um outro, o instrumento era caixa e pandeiro, maracaxá, triângulo, os instrumentos eram esses. E a gente cantando as músicas. E batalhando contra os índios. quem não cantava era o mestre e o piloto que tava batalhando com eles e os outros cantando e batendo. É eu acho que isso veio de muito tempo, né? veio de muito longe, isso veio acho que de meu avô, de bisavô, que vinha essa, eles com aquela união, sem querer sair a família desapartada um do outro. E foi criando, aparecendo um de de fora entrando devagarinho, parecendo...

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