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História

Orgulho da geração dos anos 60

História de: Fernando Damata Pimentel
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 15/11/2004

Sinopse

Fernando Pimentel nasceu e viveu boa parte de sua vida em Belo Horizonte. Foi em uma tarde ensolarada que escutou pela primeira vez o disco Clube da Esquina 1. Naquela época, estava na Penitênciária de Linhares, fora de sua cidade natal, na condição de preso político. Anos depois, já então prefeito de Belo Horizonte, Fernando narra esse episódio memorável e deixa registrado o significado desta marcante obra musical.

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História completa

Eu sou Fernando Pimentel, hoje prefeito de Belo Horizonte. Nasci aqui, aqui me criei. Vivi boa parte da minha vida nessa cidade. A primeira notícia que eu tive do Clube da Esquina, por incrível que pareça, não foi aqui, foi em Juiz de Fora. Eu estava preso naquela época, preso político, no Presídio de Linhares. E escutei o disco “Clube da Esquina 1”, se não me engano em 1972, no pátio do Presídio político de Linhares com outros companheiros numa tarde de sol, numa tarde em que a gente tinha permissão para sair das celas. E alguém que tinha um toca-discos portátil tinha recebido o disco e pôs o disco para girar. E me marcou para todo sempre ouvir “Nada será como antes”, no pátio interno do Presídio de Linhares. Ali eu comecei a tomar conhecimento disso que depois viria a ser conhecido nacionalmente como Clube da Esquina. É claro que eu já conhecia Milton Nascimento e suas composições, “Travessia”, que é de um período anterior a esse, e marcou muito a minha geração, toda minha geração, a geração política de 1968. Mas com o Clube da Esquina, que é a junção de Milton, da música de Milton, Wagner Tiso, seu parceiro inicial em Três Pontas, e os irmãos Borges e Toninho Horta, que já é um momento posterior, da década de 1970, o meu primeiro contato foi esse. Foi um contato, eu diria, muito inusitado, porque por ser belo-horizontino, pode-se imaginar que eu deveria ter um contato mais próximo, mas eu estava fora da cidade, eu fiquei fora de 1969 até 1973, em um período de clandestinidade e depois em um período de prisão política. Quando voltei então, o Clube da Esquina já existia. Já estava formado, já tinha uma importância musical evidente no país inteiro. E para juventude da época era uma referência muito forte. Assim prosseguiu, depois o Clube da Esquina 2, o segundo LP, se não me engano em 1978, também fez muito sucesso e foi muito marcante para todos nós. Eu acho que para cidade de Belo Horizonte, um movimento musical com essa importância, com essa profundidade, com essa extensão, é um orgulho. É um orgulho para todos nós que somos belo-horizontinos, é um orgulho para todos nós dessa geração, da geração dos anos 1960, é um orgulho para quem, como eu, gosta da boa música brasileira e sabe que o caminho musical é um dos caminhos de construção da cidadania. Eu tenho certeza que o exemplo desse magnífico conjunto de jovens – jovens na época –, que constituiu o Clube da Esquina, vai ficar, vai proliferar. E o Museu do Clube da Esquina com certeza vai ser um local adequado para que a gente tenha a memória viva desse que foi um dos períodos mais importantes, se não o mais importante, da história musical da nossa cidade e do nosso país.

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