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História

Para uma vida feliz, filhos e educação artística

História de: Carmen Freitas Teixeira
Autor: Fernando Bisan
Publicado em: 25/04/2017

Sinopse

Carmen Freitas Teixeira afirma que "nordestino gosta de estar viajando" e faz jus ao que diz: Nasceu e casou em Aracaju-SE; mudou com o marido para Salvador-BA; graduou-se em Educação Artística no Rio de Janeiro e mudou-se para a capital paulista, onde atuou como professora na rede estadual de Educação até se aposentar. Teve quatro filhos, é avó e já aguarda o título de bisavó. Hoje preenche os dias participando de cursos e oficinas nas áreas de dança, artes manuais, música, artes visuais e teatro, vivendo (em) São Paulo. Para Carmen, todos os seus dias são felizes.

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História completa

Meu pai já tinha dez filhos quando casou com a minha mãe e a minha mãe teve três meninas: Sou a primeira delas.


Pela família do meu pai, havia bastante negros. Ele mesmo contava sobre a escravidão, histórias que a vó dele já contava pra ele. Interessante também na figura do meu pai era sobre Lampião do Cangaço lá em Aracaju, Sergipe. Meu pai trabalhava como agricultor e muitas vezes o bando de Lampião passava por ali e eles tinham que largar tudo para se esconder. Interessante essas histórias que ele contava. E dava até nome aos cabras de Lampião. Já minha mãe era branca, descendente de portugueses, uma pessoa muito festiva, que adorava cantar. Gostava muito de novena. Quando criança eu frequentava a igreja e participada das novenas, cantando aqueles hinos de procissão, vestida de anjo, foi muito boa a minha infância.


Estudei em colégio de freiras com as minhas irmãs. Meu pai deixava a gente ir para escola que era para não se misturar com os peões da fazenda, de outros locais. Ele queria que a gente tivesse um futuro melhor. Dentre outras filhas dele, muitas saíram de Aracaju para estudar em Salvador, ou para estudar no Rio de Janeiro e se formar em Enfermagem. Naquela época, era muito concorrida a Enfermagem Ana Neri, no Rio de Janeiro, mas a gente não queria sair de Aracaju, então eu fiz o magistério e depois a Escola Normal pra ser professora. Fiz concurso na rede estadual lá em Aracaju, mas como já tinha um namorado, então “ou casa ou vai trabalhar”, o pai falava. Tive que deixar os estudos e me casei. Era o meu primeiro namorado, que era irmão de uma colega de colégio. O pai não concordava que ficasse um namoro prolongado: Namorou duas, três vezes, andava na festa da igreja, tinha que já ter um compromisso.


Aos 20 anos, mudamos para Salvador-BA, mas logo fiquei grávida e fui ter os filhos em Aracaju, perto da minha mãe, já que seria a primeira neta dela. Voltei de novo para Salvador e engravidei da segunda, depois de dois anos. Nesse tempo meu marido ficou desempregado, então eu fiquei na casa de meus pais. Foi quando achamos melhor ele ir para São Paulo, como todo nordestino gosta de vir para São Paulo, então ele viajou e eu fiquei em Aracaju. Passei uns dois anos esperando ele dar noticias, porque naquela época era carta, né? Ou telefone, a gente ia na telefônica e fica esperando, marcava hora e depois a ligação não se completava. Aí depois de dois anos, eu vim para São Paulo. Tinha 24 anos na época. Logo que cheguei, fiquei grávida, tive mais outra menina. Dois anos depois eu engravidei de novo, desta vez de um menino. Foi quando o médico disse: “Olha, é melhor a senhora operar, porque você ainda é muito jovem e já tem 4 filhos.” Naquela época a gente não tomava anticoncepcional: Usávamos o método da tabelinha. Às vezes, dava certo, mas uma vez estando grávida... Então eu marquei a cirurgia de ligação de trompas.


Nesse meio tempo, meu marido ficou novamente desempregado e decidimos voltar para o Rio de Janeiro, que nordestino gosta de estar viajando, né? Ele conseguiu um emprego e ficamos no Rio de Janeiro por uns 10 anos. Foi um tempo muito bom. Nesse período fiz a faculdade de Educação Artística, porque eu morava em frente ao Instituto Metodista Bennett, no bairro do Flamengo. Então, apesar dos empregos e desemprego de meu marido, a gente tinha um poder aquisitivo, os pais ajudavam, os irmãos ajudavam, era família estruturada. Foi assim que consegui, terminar a faculdade de Educação Artística. Na hora de prestar o vestibular, meu marido disse: “Vê se você faz Direito”, mas eu não queria estudar Direito, então fiz o vestibular e ele pensando que eu fosse para Direito. Quando comecei o curso teve aqueles desentendimentos, mas passou. Em seguida tivemos outros problemas: Meu marido ficou desempregado novamente. Nessa época ele já estava com uns 40 anos e decidiu ir para o Mato Grosso, mas como os nossos filhos já eram crescidos, adolescentes e eu já estava com a minha formação, decidi não ir atrás dele. Minha irmã dizia: “Melhor você não ir. O que você vai fazer lá? Você acabou de tirar o seu curso, não vai jogar fora...”

 

Ele foi para o Mato Grosso e eu comecei a minha vida profissional trabalhando com arte. Tinha uma oficina de arte, trabalhei na escolinha de Arte do Brasil, em frete o Canecão, no Rio de Janeiro. Era professora de artes em outros colégios particulares também. Mas o aluguel começou a ficar muito caro e como eu já tinha casa em São Paulo, resolvi voltar para a capital paulista. Trouxe as crianças e ele, o marido, lá pro Mato Grosso. Conseguimos fazer toda a mudança pra cá, minha irmã ajudou e chegando aqui em São Paulo, ela já me encaminhou para ser professora na rede estadual de Educação.

 


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