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“Pastor, me dá 15 minutos no púlpito”

História de: Ricardo Custódio
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/10/2013

Sinopse

A entrevista de Ricardo Custódio foi gravada pelo Programa Conte Sua História no dia 11 de julho de 2013 no estúdio do Museu da Pessoa, e faz parte do projeto "Aproximando Pessoas - Conte Sua História". Ricardo Custódio veio de uma família humilde. Seus pais  trabalhavam na roça e sempre foi acostumado a lutar para realizar suas conquistas, fazendo pequenos serviços e trabalhando em obras. Possui formação em Administração de Empresas e realizou seu sonho de ajudar o próximo criando a Comunidade Reviver para a recuperação de dependentes químicos sempre apoiado pela fé e por sua religião evangélica.

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História completa

Tanto por parte do meu pai quanto por parte da minha mãe eles eram agricultores, da roça mesmo então, acredito que eles vieram pra São Paulo pra tentar uma vida na cidade. Meu avô tinha um sítio, uma plantação de milho, soja, pequenos agricultores e a gente chama de roça, então é criação de animais, vaca e essas coisas. Então na minha infância eu fui, principalmente em Minas Gerais, criado muito em contato com a roça, com a agricultura, com o mato, foi muito bom. Meu pai veio pra São Paulo, assim, ainda novo, ele não trabalhou muito, lá envolvido nas atividades lá da roça. Aqui em São Paulo ele trabalhou com vendas, então ele sempre trabalhou como vendedor, vendia. Ele trabalhava em magazines como Casas Bahia, ele trabalhou no antigo Mappin que hoje não existe mais, Shopping Eldorado... Ele trabalhava nessa área de vendas interno e minha mãe costureira. A gente morou lá no Brooklin brincava lá com as coisas lá da igreja, construção, era um terreno grande. Quando a gente mudou pro Capão Redondo era adolescente, que aí eu me recordo mais da adolescência. Então lá era pipa, jogar pião, bolinha de gude, brincadeira de rua, bem diferente de hoje. Era um bairro que estava começando, não é muito distante do Brooklin, fica próximo. Meu pais decidiram iniciar construir uma residência. Ela trabalhava durante o dia como empregada, como costureira e de noite ela fazia serviços particulares, então pessoas que pediam pra fazer consertos, até roupa mesmo, ela ficava até altas horas costurando e o meu pai e minha mãe lutando pra conseguir dinheiro, recursos, pra construir a casa. O local era bem simples. Eu comecei com 11 anos, a gente já estava na rua procurando o que fazer. Então eu decidi fazer algo em prol, pra sociedade com 21 anos. Eu pretendia ajudar as pessoas, pretendia fazer algo pra melhorar a condição daquele que tá passando por dificuldades; depois disso ele ficou bem específico pra mim: fazer algo pro morador de rua e pro dependente químico. Eu estava de carro num farol, estava com um amigo meu e uma pessoa abordou a gente no farol pedindo ajuda, eu vi que não era, assim bandido, uma pessoa até com uma boa aparência, com a barba grande, bem abatido, e ele me abordou o seguinte, ele falou: “Olha, eu acabei de sair da prisão, fiquei dois anos preso, não tenho maldade no coração, eu preciso de uma ajuda”. Aí eu falei: “Pô, entra no carro, vamos conversar.” Participei com ele lá do encontro lá da igreja e depois ele entrou no carro, eu levei ele pra minha casa. Os meus pais acharam que eu era louco e ali ele tomou um banho, acho que ele tomou um banho de uns 40 minutos, ele falou: “Cara, faz dois anos que eu não sei o que é tomar banho quente”, fez a barba e falou: “Você tem uma roupa pra me arrumar?”, eu abri o guarda roupa, falei: “Escolhe o que você quer.” Eu pus um colchão pra ele. Depois quando ele acordou de manhã, ele falou: “Cara, eu vou embora, vou tentar a minha vida” e me pediu um dinheiro pra condução. Duas semanas depois ele me liga, falou: “Cara, eu estou ligando pra agradecer porque eu arrumei um serviço de ajudante de caminhoneiro, estou trabalhando e estou bem, obrigado, valeu” e aí isso começou a marcar e eu vi que é possível ajudar as pessoas se tiver boa intenção, tiver sinceridade, tiver intensidade é possível ajudar as pessoas. Eu criei na sequência então, uma casa de recuperação, mas já com essa bagagem que eu tinha desse contato com os moradores de rua e os dependentes de droga e álcool, e com a necessidade que algumas pessoas me traziam dos problemas que tinham em casa com filhos e/ou maridos O meu sonho acho que é o sonho que a sociedade está se manifestando agora, que é o sonho de ter uma sociedade mais justa é o sonho de se ter uma política mais transparente é o sonho de se ter um sistema menos burocrático, que atrapalha muita gente. Eu tive muitos amigos que também tiveram esse incentivo que eu tive de montar uma casa de recuperação e pela burocracia, pela falta de interesse que muitas vezes o sistema tem de ajudar, eles acabaram fechando os projetos, as casas de recuperação.

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