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História

Planeta lapa

História de: Alvio Malandrino
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/12/2012

Sinopse

O nascimento, em casa, e a infância passada entre descendentes de imigrantes italianos. O início da adolescência, em que passou a ajudar os pais na loja de fabricação de calhas e venda de materiais hidráulicos. Panorama da Lapa dos anos 40 e 50. O curso de Economia e o maior envolvimento seu e de seu irmão com a atividade comercial, pelo falecimento de seu pai. As especificidades do segmento e as facilidades decorrentes da implementação de sistemas de informática nas operações comerciais. A importância da presença do filho e do sobrinho, dando seguimento aos negócios da família.

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História completa

“A Lapa era praticamente uma cidade dentro de São Paulo, e a gente vivia isolado nesse mundo. Quase todas as pessoas se conheciam. Aconteceram, inclusive, muitos casamentos entre as famílias que moravam lá. Todo mundo era meio parente de alguém, porque cresciam juntos, se conheciam, namoravam, iam casando. Então a Lapa praticamente cresceu autônoma, independente. Quando eu era pequeno, quase não existia urbanização no bairro. Aqui, ali, algumas casinhas. Nada mais. Indo da Lapa até a cidade, você via muitos terrenos vazios. Atrás de onde nós estamos aqui, na Rua Clélia, você via chácaras. O pessoal plantava verdura, e a gente tinha tudo lá. Existia, um pouquinho mais longe, até mesmo criação de bois, de vacas. A gente pegava leite fresco lá, todo dia. Com seis anos, eu entrei no Grupo Escolar Anhanguera. Mas era pertinho de casa, eu ia a pé. Eram dois quarteirões. Naquela época, é interessante, a gente com sete, oito anos, andava sozinho pela rua. Não precisava a mãe levar, não precisava o pai levar. Não tinha perigo. Era bem tranquilo: ia para a escola, voltava... Na mesma rua que eu morava. Então, desde os sete, oito anos, eu andei sozinho. Eu, não; todos, porque o pai trabalhava, a mãe trabalhava. E não tinha problema. Era uma vida bem tranquila, um ambiente quase rural. Havia só duas ruas que ligavam o bairro ao centro: a Rua Clélia e a Rua Guaicurus. Mesmo assim, não eram calçadas; eram ruas de terra. O ponto de bonde ficava na Guaicurus e o bonde corria no meio da rua. Eram duas pistas e uma delas era bem larga. A Vila dos Remédios ficava longe, era isolada. Essa região toda: Piqueri, Freguesia, ficava longe. Itaberaba acho que nem existia. Tinha a Avenida Itaberaba e ali acabava o mundo. Depois já começava o pedaço de mata atlântica, Serra da Cantareira. Meu pai montou a loja em 1938, embaixo da casa onde a gente morava. E eu comecei a trabalhar cedo, até porque não tinha jeito: era só descer uma escada e pronto, já estava na loja. Uma coisa curiosa que me vem à memória é que algumas entregas eram feitas de carroça. Na época da guerra, faltava combustível, então, havia muitos carroceiros lá na Lapa que tinham ponto. Como hoje tem ponto de táxi, tinha o ponto de carroça. Elas faziam uma entrega maior, mais pesada. Mas voltando à loja, inicialmente eles começaram com fabricação de calhas. Aí, logo um ano depois, começaram com umas máquinas de dobrar calha. Foi melhorando a coisa já arrumaram dois funcionários, e começaram a vender, além das calhas, torneira, registro e tal. Eu ficava por ali, atendendo, aprendendo a conhecer as peças devagar. E isso me trouxe ótimas relações, porque você passava a conviver com os clientes e com o tempo eles se tornavam amigos. Eram encanadores, pequenos empreiteiros que vinham atrás de material hidráulico. Hoje já estou aposentado. Tenho um filho que já está lá, trabalhando, e um sobrinho, filho do meu irmão. São jovens de 30, 40 anos, e eles é que estão tomando conta do negócio... Eu na verdade não tenho uma função hoje. Cuido do financeiro, mas assim, só pra dizer que tem alguma coisa. É mais para não ficar em casa. Eu brinco que sou a rainha da Inglaterra. Vou lá só para fazer relações públicas: converso com um, com outro. Mas empresa familiar é isso: ou alguém continua, ou fecha.”

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