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História

Constante transformação

História de: José de Souza Queiroz (Soró)
Autor: Comunidade Cultural Quilombaque
Publicado em: 26/07/2017

Sinopse

O fim da viagem de ônibus de Mato Grosso do Sul a São Paulo não trouxe o alívio imediato: prédios altos, falta de infraestrutura e a estrada que distanciava o centro da cidade até Perus, o destino final, não alegraram muito Soró. Ele, menino criado na fazenda, ajudando os pais na lida do dia a dia, era forçado a entrar no ritmo da cidade grande, começando pela escola e pelo trabalho. Com as letras, se encanta pela história e passa a pensar nos porquês do mundo. Soró cresce envolvido em movimentos sociais e continua participando da luta política em diferentes frentes. Após um período fora de Perus, é o encontro com os meninos da Quilombaque, os novos Queixadas, como os define, que fortalece suas perspectivas para o bairro.

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História completa

Meu nome é José de Souza Queiroz. Eu nasci em 26 de março de 1964, numa cidade chamada Itaporã, que fica no Mato Grosso do Sul. Ganhei o apelido Soró quando eu tinha uns 18 anos. Eu usava um black power e era muito magrelo, e tinha um personagem assim de novela chamado Soró! Foi um pessoal do serviço público de onde eu trabalhava que me deu o apelido. A associação era bem preconceituosa, me chamavam de baiano, e como o personagem era nordestino, colou.

 

Meu pai faleceu quando eu tinha 11 anos, mas tenho ainda muitas lembranças dele. Ele era trabalhador rural e vivia pegando o que eles chamavam de empreitadas. Então todo mundo tinha que mudar sempre: a gente morou em muitos lugares, muitas fazendas. E, óbvio, vivendo na roça desde criança você já trabalha também, então tinha muito essa relação com os lugares e com o trabalho dele e com ele. Tinha muito essa coisa de levar almoço. Levava almoço, às vezes outras coisas, às vezes pegava também trabalho, fazia tarefas... Buscar leite na outra fazenda, porque não tinha leite na nossa. Isso quando eu já tinha uns seis anos, sete anos, já fazia isso.

 

Tenho mais cinco irmãos: quatro irmãs e um irmão. Minha mãe é uma super guerreira. Lembro vagamente que se tinha um sonho e um plano dos meus pais de virem embora pra São Paulo. Mas quando as coisas estavam meio que em preparativo, ele morreu. Ele teve um infarto, tinha um negócio chamado doença de Chagas. Foi um baque danado porque minha mãe não trabalhava fora, não tinha outras habilidades, e a gente era meia dúzia de escadinha. Foi uma paulada. Ela sofreu muito, porque gostava demais dele. Meu pai era um cara muito legal. Ele sempre foi afetuoso, carinhoso, não batia na gente. Eu era muito abusado, ia buscar leite numa fazenda, que era longe, e lá tinha um menino, a gente começava a brincar e se esquecia da tarefa, aí atrasava tudo. Quando eu chegava à roça, já eram horas com ele me esperando. Então um dia ele arrancou um chapéu de palha e me dava com o chapéu de palha! Eu lembro que até achava graça, porque não doía nada. Ele ficou muito bravo, mas não era violento. Era super carinhoso.

 

Em Perus, São Paulo, morava a minha avó, mãe da minha mãe, com os dois filhos, irmãos da minha mãe. Meu tio foi buscar a gente e fomos morar com eles. A viagem foi de ônibus. Lembro de quando começou a entrar em partes que eram cidades, o urbano, começa a ter muitas casas e foi piorando, piorando, até chegar ao Centro, que era uma rodoviária, aí só prédios. Basicamente era tudo que a gente nunca tinha visto na vida. Primeiro essa ocupação, segundo prédios, casas diferentes. Porque lá era raro você ver uma casa, então as distâncias eram muito grandes, mas é outra lógica. E uma cidade feia, muito feia. Era periferia braba. Lembro que meu tio foi buscar a gente num fusca, não sei como coube todo mundo. Era um monte de gente e essa viagem demorou, caramba... E já essa impressão mesmo assim, a coisa ia ficando cada vez mais feia. Até chegar aqui, eram ruas de barro ainda, então ia ficando feio, feio, feio, com construções. Grande parte de Perus tava começando a lotear, então era um bairro todo cortado, em construção.

 

Meu tio botou a gente na escola, fez jurar que a gente não ia trabalhar, porque tinha que estudar. Meu tio é um cara muito bacana. Olha, é legal que você é um bicho do mato, você não tem uma noção às vezes do impacto. Eu lembro que eu tinha algum receio, mas também o desejo e a tentação de ler. Como já tinha algum contato com a leitura, fui achando gibis, sem contar que na cidade tudo tem letra... Então acabei aprendendo rapidamente a ler e a escrever sem ter entrado na escola. Mas lá que eu fui me tocar que eu tinha 12 anos e os outros alunos tinham sete, então era uma coisa muito estranha. Teve bastante choque com professores, porque era muito estranho eu daquele tamanho no meio de uma molecadinha, ainda mais com essa cara de bugre, metia medo!

 

Essa escola, a Cândido Portinari, sempre foi bastante diferenciada e tinha muitos professores, diretores, gente muito desenvolvida já em política. Mas tinha o professor Fidel com a coisa da História, ah, eu chapei o coco! Compreender a história do mundo, a política. Fui me encantando. Anos depois, lembro que eu tinha um incômodo por dentro, que eu não conseguia muito compreender essa coisa de ser trabalhador, de preconceito, fui compreendendo algumas coisas que a gente vivia e acho que começou a fazer sentido. Isso me fez começar a me apaixonar por essa coisa da política. Imagina, a primeira greve que eu organizei era contra os aventais! Porque a gente tinha que usar um avental branco pra entrar na escola: não levava avental, não entrava na escola. Conseguimos!

 

Até que entrei num emprego que era tirar barranco. Um senhor português tava construindo duas casas, e eu trabalhei com ele por uns dois anos. Trabalhei mais um tempo ainda como servente de pedreiro. Depois tinha um tempo que tinha um povo ia pra rodovia fazer chapa: pegavam os caminhões que vinham com carga, combinava, descarregava em São Paulo e você ganhava uma grana. Acho que tinha ainda antes dos 19 anos. Isso. Fiz um monte de coisa! Limpei jardim, o que aparecia era tranquilo fazer. Trabalhei numa fábrica de blocos, trampos muito duros! Também conforme iam aparecendo as dificuldades, eu picava a mula, buscava outras coisas. Acho que todo mundo meio que funcionava assim, o desemprego já era muito forte. Também trabalhei uns seis, sete anos no Pronto Socorro de Perus na administração, no atendimento, no registro e entrada, chefiei almoxarifado, depois a manutenção, enfim, fui me divertindo.

 

Logo que eu entrei no Pronto Socorro, aconteceu a grande mágica! Eu fui a uma festa no centro comunitário chamado São Jorge, que tinha uma festa junina lá que era famosa. Fui lá, tinha um monte de barracas dentro e um monte de jovens trabalhando. Eram só jovens. E aquilo já me chamou atenção. E uma menina numa barraca chamou mais atenção ainda. Começamos a conversar, houve aquela identificação, ela contando: “A gente faz parte de grupos de jovens, tem vários grupos na igreja, a gente se reúne, discute a vida!” Empolguei-me, fui a uma reunião já no outro sábado atrás da moça, de fato começamos a namorar. O namoro durou um mês e eu fiquei 12 anos na comunidade!

 

Andei por tudo quanto é coisa da igreja, da Teologia da Libertação. Que era uma Comunidade Eclesial de Base aqui em cima, e eles tinham vários tipos de grupos, lutas, enfim. Fui ficando por lá e aprendi basicamente quase tudo da vida, com essas pessoas. A paróquia se chama Santa Rosa de Lima. E nesse período da Teologia da Libertação, esse negócio de CEBs, ou Comunidades Eclesiais de Base, dos leigos se juntarem tanto pra poder rezar, fazer celebrações diferentes que o rito exigia, mas também era a ideia do cristão engajado, encarnado, que eles chamavam, que era a ideia do cristão que era coerente com o que pregavam, por isso as lutas.

 

A própria comunidade fazia diversas ações, tanto pra ela se sustentar e construir, quanto pra fazer discussões. Eu lembro que tinha o grupo de loteamento, o grupo da favela. Surgiu uma favela aqui do lado, a gente passou lá anos apoiando. Então eram vários tipos de ações. Tinha o que tenho o maior respeito e acho que é um grupo feminista por excelência, que eram os clubes de mães. As mulheres se reuniam nas quintas-feiras, faziam várias coisas, enfim, mas elas discutiam a questão da mulher, e eram incríveis, mulherada porreta. Elas basicamente sempre dominaram a comunidade, a maioria era mulher. Estava se estruturando mais Pastoral da Juventude, outras pastorais, Pastoral Carcerária, tinha pastoral pra tudo quanto é coisa. Mas o pessoal não saía muito daqui. Quase todos eles hoje são pessoas comuns, ninguém chegou a muito longe. Vários participaram de muitas coisas, mas eu encantado por política, organização, enfrentamento, fui entrando. Cheguei acho que até a Pastoral Nacional.

 

Encantava-me bastante, na verdade, ser contra a toda ordem. Nunca me interessei muito pela paróquia, pela igreja, pelas coisas eclesiásticas aí. Então eu vivia muito nas comunidades e no fundo da igreja. Porque no fundo da igreja, você entra, tem a sala das pastorais, os encontros, não sei o quê, então eu frequentava muito lá, e a igreja mesmo, não. O padre sempre reclamava: “Pô, você só entra na igreja pelos fundos e tal”.  Então, nessa vida minha política no bairro, acho que essa relação com os Queixadas e com a história, que eu já me apaixonei logo, e várias lideranças deles: João Breno, Tião, sempre foram da igreja e eram de comunidades. Então a gente convivia e eu adorava conviver com eles, aprender muito com eles!

 

Teve uma época que lançaram: “Precisamos de uma Bíblia que seja mais própria da pastoral, da linguagem pastoral”. Todo movimento na igreja se criou uma Bíblia, que é uma Bíblia azul chamada Bíblia Pastoral, que toda linguagem, interpretação dela, já vem com os lados econômico, político, tal. E como era uma conquista, a gente precisava bombar. E aqui na região e na igreja tem assim: todo setembro é o mês da Bíblia. E é uma coisa que acontece. E aqui a gente falou: “Não, tudo tem que virar manifestação”. Então criamos uma campanha que os grupos, cada comunidade, o grupo passava refletindo durante um mês, depois se encontrava numa grande romaria. Fizemos lá na COHAB [Companhia Metropolitana de Habitação] que vinha gente da Brasilândia! Iam se encontrar, aquela coisa maravilhosa. E pra celebrar isso, fomos buscar a Paulinas, a Editora Paulinas, um contrato que era para baratear a Bíblia. Porque tinha uns caras que falavam assim: “Bíblia de crente tem cheiro de sovaco e Bíblia de católico tem cheiro de poeira”. Porque eles batiam nessa coisa que tinha que ler a Bíblia. A gente era muito pastoralista e lia pouco a Bíblia. Aí fizemos essa campanha, coordenei essa campanha, vendemos Bíblia pra caramba, barateada, inventamos lá essas coisas! E fizemos vários encontros em setembro maravilhosos. Então eu trabalhava muito com isso e aí comecei a sair para o mundo por conta do Conselho Mundial de Igrejas, encontrar com coisas ecumênicas...

 

O fato de eu estar nessa conexão me permitiu viajar pela América Latina, porque os grupos de trabalho se encontravam, os movimentos financiados. Porque aí era um colegiado de vários movimentos da Colômbia, do Peru, e aqui no Brasil em vários lugares. E se espalhou pelo Brasil essa coisa de criação de associação de prostitutas. E tava muito a coisa da AIDS, então essas conexões foram muito interessantes. E eram vários tipos de trabalhos, os mais amalucados possíveis, favelas, tal. Essa discussão... A gente tinha que estar em constante processo de transformação. Fez sentido pra mim uma coisa, um princípio que os Queixadas têm muito forte, que é: “Você não luta por um mundo que vai chegar depois. Pra você chegar a esse mundo, você começa a transformação aqui e é pelas pessoas”. Então você está em transformação.

 

Depois, morei em vários lugares, mas no centro da cidade eu morei no Bixiga, no Arouche. Eu tinha esse desejo de voltar pra Perus, nunca dormi nesse desejo. Eu voltava para Perus por causa da minha mãe e numa visita, na praça tava tendo o pancadão. Aí eu já tinha a Ana Clara, a filha que tinha quatro anos, olha que besteira, fui trazê-la um dia pra ver minha mãe. Passa ali: “Olha, aqui é a praça, o rio”. Contei a história do rio, tal. E ela daquele tamanho olhando, falou: “Que rio fedido”. Que ideia! Tem muita gente aqui em Perus que é apaixonada por Perus, e acaba até esquecendo esses detalhes. Minha filha falou: “Que rio fedido. Tem que limpar o rio”. Eu falei: “Nós vamos limpar esse rio um dia”.

Mas não enxerguei mais essas raízes, essas perspectivas, tal. Eu gosto dessa cena, foi passando, o povo, a muvuca aqui descendo a estação, quando eu passo da praça, no outro lado da praça, que era meio escuro, abandonado, escanteado, tem uns malucos com tambor, outro de palhaço, outro subindo na árvore pra subir na perna de pau. “Que coisa é essa?”. Eu via sempre os cartazes “Comunidade Cultural Quilombaque”. Passei e vi essa cena. Dias depois, conversando, a Tami começou a explicar: “Projeto, e não sei o quê”. Aí a Valéria falou: “Meu marido faz projeto, trabalha com esse negócio de captação de recurso”.

 

A Quilombaque já tava fazendo oficinas da marchetaria. A sede ainda era lá na garagem, na casa da mãe dos meninos. E tinha essa história de elaborar projeto pra captar recurso. Eles tinham feito um projeto sofrível. Muito sofrível. Um ano eles não conseguiram, no outro, eles tinham conseguido, tava na vigência. Mas eles queriam... Acho que se empolgaram com essa história de captar recurso, queriam fazer projetos, tal. Era essa a conversa da Tâmara. Quando bateu essa questão, os mesmos caras, palhaços negros, era uma turma empolgante! Fui conversar com eles lá na sede num dia de semana, eles começaram a contar as desventuras deles, que afrontaram aula, que fugiram na perua, que não sei o quê, um monte de coisa assim. E eu na minha cabeça fui olhando, falei: “Caraca, Queixadas”. Perguntei pra eles: “Vocês conhecem a fábrica, os Queixadas, essa coisa toda?” “Ah, passando, tal”, eu falei: “Mas vocês são Queixadas, cara. O jeito como vocês funcionam, essa coisa anárquica e muito treteira. Gente a fim de briga”. Eles contavam e davam risada como o povo ficava apavorado quando eles apareciam. O jeito que eles sacaneavam. E eu me interessei muito por eles aí e falei assim: “Bom, então tá bom”. Eu ia cobrar essa coisa, tal. Eu falei: “Não, eu quero fazer um projeto, mas é o seguinte, eu quero tá junto nessa”. Passamos a discutir essa coisa, como é que se organiza pra captar recurso.

 

Eu digo que eu cuido do desenvolvimento institucional. Essa parte de ajudar a produzir conteúdo, a pensar formação, a pensar estratégias, planejamento estratégico. Como eu vinha dessa coisa da experiência de vinculação, de afeto, dessa coisa da gestão e mediação de conflito, então eu tinha essa visão e achava que poderia contribuir nisso. E sempre tive muito claro, se conseguir ficar junto, a ideia anda, senão a ideia morre. E ver grupos que acabaram de pegar financiamento e acabarem. Acho que um ponto importante, que é assim, desde o começo, e essa compreensão eles também têm e a gente tem, de que construir... Que o acesso à cultura não é só por questão econômica, mas também por falta de linguagem, compreender o que é teatro, é importante, o que isso tem a ver com a sua vida, enfim.

Nessa leitura e... Então nós nunca construímos uma ideia que tinha muito na esquerda, enfim, nos undergrounds... Aquela coisa: “Vamos fazer um centro cultural para as pessoas virem”. Nós nunca construímos a ideia de um lugar esperando que: “Olha, agora vocês têm arte e cultura. Venham”. Já tinha essa ideia da arte de intervenção. A gente vai lá à porta. E eles gostavam muito de fazer cortejo, essa coisa. Então nunca trabalhamos com a ideia de: “Olha, tem agora aqui, centro cultural maravilhoso. Venha população”. Não vem. Não estamos com essa expectativa. A nossa expectativa é que esse quilombo, essa circulação, e que a gente vá fazer arte na rua, nas praças, nos lugares, tal. Pra ir criando esse público também

 

O tipo de arte e abordagem que se propõe às vezes é muito distante da compreensão das pessoas, então você tem que ter um processo. E num determinado momento, por conta dessa coisa do parque linear, da ameaça de suprimir a gente daqui e tal, das reflexões estratégicas, uma delas que a gente tirou naquela época, acho que faz uns quatro, cinco anos, é que a Quilombaque precisava ser defendida pela comunidade. E que a gente atingia um público que vem da cidade inteira, de outros lugares. E a partir daí a gente começou a estreitar e constituir melhor essas relações. Criamos a Universidade Livre e Colaborativa, esses trabalhos de articulação no bairro que a gente chama hoje de polos dinâmicos dinamizadores, as duas ocupações, biblioteca, a praça. A gente, acho que passou a ser mais conhecido num viés institucional, porque a gente passou a trabalhar e tratar muito melhor essa questão da importância...

Enfim, a gente trabalha com a questão da juventude, negros, mas não temos aquele discurso que é só preto, ou só mulheres que defendem mulheres. E também em relação ao conhecimento, não desenvolvendo esse preconceito de falar: “Nosso conhecimento nos basta”. A gente tem trilhado muito esse caminho das relações, das parcerias, de conseguir integrar outros conhecimentos, mesmo os vindos da universidade. E sempre tivemos uma postura muito autônoma nesse sentido de falar: “Nós temos capacidade”. Isso era uma coisa muito forte desde o início.

 

A gente tá criando um movimento na cidade. Criamos leis, aprovamos leis, enfim, tudo dentro dessa ideia de autonomia, de inverter a lógica como se olha pra periferia e pra juventude como incapaz, como problema. A gente inverter essa expectativa e essa lógica afirmando capacidade. Então todas as nossas experiências nesses anos todos têm sido essas. Não tem desafio que não nos agrade! E se for pra fazer uma luta política, aí que a gente faz com mais gosto ainda. Então esse espírito juvenil, contestador continua em mim com a mesma idade que ele sempre teve!

 

E a gente sempre discutiu essa coisa da postura, do olhar, da visão sobre a mulher, sobre a questão da violência, da apologia ao crime, que a gente não faz de jeito nenhum. Não podemos ficar gritando assim: “Somos contra o crime”. Mas não fazemos apologia nem de discurso, nem de operacional em relação ao crime. Pra gente, a questão da violência e da marginalidade é algo muito sério e que a gente não vai se alinhar. Mas isso não significa a capacidade, porque a gente vive aqui, como se relaciona. Mas conseguimos até hoje ter uma independência em relação ao crime e o seu poder financeiro etc. e tal.

Basicamente, a gente é pobre, passa fome, mas diz: “Não, muito obrigado”. Passando fome, mas não aceitamos nem abrir a conversa para o crime, ou qualquer outro tipo de dinheiro, de... Vários já vieram: “Ah, faz a emenda assim, só que devolve um milhão aqui, e um milhão é pra você”. Então a gente não abre campo pra esse tipo de conversa. Temos um orgulho danado de sermos pobres, mas honrados!

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