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História

Por uma vida mais natural e equilibrada

História de: Ana Carolina Gayoso
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/11/2003

Sinopse

Em sua entrevista ao Museu da Pessoa, Ana Carolina Gayoso nos conta sobre como desde cedo já era muito ligada à natureza e aos esportes, pois quandro criança morou em uma fazenda de seu avô em Campos dos Goytacazes. De volta para o Rio, aos 19 anos conheceu Pedro Paulo Lopes, o Pepê, lendário campeão do surfe e de voo livre, e não tardou para descobrirem que deviam viver juntos. Ana fala sobre como foi a vida dos dois e de como surgiu a ideia da Barraca do Pepê, point de São Conrado na década de 80, que reunia esportistas e jovens, vendendo sanduíches naturais e saudáveis para quem queria fugir da junk food. Hoje, a Barraca continua funcionando, mas se encontra na Barra da Tijuca.

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História completa

P1- Qual é o seu nome?

 

R- Meu nome inteiro é Ana Carolina Gayoso e Almendra.

 

P1- E o local de nascimento e data?

 

R- Rio de Janeiro, 4 de abril de 1964.

 

P1- E o nome dos seus pais e avós?

 

R- O nome dos meus pais é Francisco Jacó Gayoso e Almendra e a minha mãe é Maria Violeta Carneiro de Oliveira.

 

P1- E a atividade deles era ligada ao comércio?

 

R- Não. Minha mãe na verdade nunca trabalhou e o meu pai é advogado. E quem, assim, eu acho que me inspirei em toda essa minha fonte de, nessa vontade toda de ser uma ótima. Ótima, vamos voltar, é ótimo. (riso) De ser uma boa. (riso) Não. Desculpa! Desse... de ter essa facilidade com o comércio, é, a inspiração foi toda do meu avô materno. Parte de mãe. Que foi um grande latifundiário e do qual é o meu maior, assim como se diz? Olha, eu tenho esse lapsos de palavra, então vocês podem me falar assim, me ajudar se quiser. É meu maior, como se diz gente?

 

P2- Fonte de inspirações?

 

R- Não. Meu, meu...

 

P2- Modelo?

 

R- Meu modelo. Meu modelo de, meu maior admirador. Não. Eu sou a maior admiradora dele. Então meu maior...

 

P1- Ídolo, assim?

 

R- Ídolo.

 

P1- E a senhora tem irmãos?

 

R- Tenho. Eu sou de uma família grande, né? Eu tenho quatro, cinco irmãs e um irmão. E cinco do primeiro casamento e um do segundo casamento do meu pai.

 

P1- E eles estão trabalhando com comércio?

 

R- Não. Ninguém trabalha com comércio. Quer dizer, eu tenho uma irmã minha que atualmente ela é minha sócia em tudo. Ela é sócia nos meus dois restaurantes. E os meus outros irmãos também. O meu irmão é latifundiário, trabalha em uma fazenda de, ele tem uma fazenda de cana-de-açúcar e a outra é, ela é procuradora do Estado. Então assim, e as outras são pequenas. Assim, não, quinze anos, estudantes.

 

P1- Você podia falar um pouquinho da sua infância? Da rua, da sua casa de infância, de seu bairro?

 

R- Olha, eu nasci no Jardim Botânico. Numa uma rua pequena ali, uma das transversais da rua Jardim Botânico. Chamada Getúlio das Neves. E, mas logo depois, o meu avô tinha uma usina em Campos. E depois a gente foi, meu pai foi convidado a ir trabalhar com ele. E nós nos mudamos para Campos. Então eu passei mais ou menos dos três anos aos nove, morando em uma usina de açúcar. E que foi assim maravilhoso para mim, que eu sempre fui ligada muito à natureza. Sempre gostei de estar em contato com. Vocês querem que eu desligue?

 

P2- É. Porque senão você fica atendendo.

 

R- É. Melhor, deixa eu desligar isso. Porque senão fica tocando aqui, vai incomodar muito. Agora vou atender. Alô. (PAUSA)

 

P2- Conta para a gente então como é que foi um pouco dessa época. Quais são suas lembranças, né, mais assim afetivas dessa época? Que você se lembra desse período que você morou aí nessa fazenda, e tal?

 

R- Pois é. As lembranças foram assim as melhores possíveis. Porque eu sempre fui ligada muito ao meu avô. E assim a gente morava, a usina era mais ou menos à quinze minutos da cidade de Campos. Eu estudei, eu estudava na cidade de Campos e vivia dentro de uma usina, de uma fazenda. Cercada de cana-de-açúcar, de cavalo, de bicho. Enfim, sempre fui muito levada. Sempre fui muito curiosa para querer fazer as coisas. Impulsiva em tudo. Então acho que isso é uma característica muito minha, muito marcante de, a impulsividade, sabe? E eu acho que isso foi desde a minha infância. De eu querer montar à cavalo sozinha, ou tirar a rédea, montar a pêlo. Brincar com cachorro. Estar sempre muito ligada com a natureza. Porque eu acho que isso é a melhor, você estar junto, você crescer e ter a tua infância ligada à natureza.

 

P2- E nessa época você tinha quantos anos? Só para a gente poder.

 

R- Foi dos três aos nove.

 

P2- Dos três aos nove? Hum hum.

 

R- E quando eu voltei, a partir dos nove anos que eu vim estudar no Rio.

 

P2- E dessas coisas todas...

 

R- Nove ou oito, sei lá, não sei.

 

P2- E dessas coisas todas que você, é, falou dessas lembranças todas. O que mais que você gostava? Quais eram as brincadeiras assim, que tinham na fazenda que você gostava?

 

R- As coisas mais de molecada possível. Eu sempre gostei muito das brincadeiras de menino. Gostava muito de brincar com meu irmão. Jogar futebol, pique bandeira, queimada. Subir em árvore, descer. Meu cachorro assim, eu tinha um cachorro, um pastor alemão que era meu melhor amigo. Então assim, conversava muito com ele. Árvores, eu subia em árvore, descia em pé de árvore. Andava muito de bicicleta. Andava muito à cavalo. Minha infância acho que, que eu tive uma infância assim, muito, é, assim passei, eu vivi a minha infância, sabe assim. Passei por esse período muito bem. É, vivendo muito, intensamente a infância. Então uma coisa que eu me, a melhor lembrança possível. Coisas que hoje em dia assim, eu tenho dois filhos que às vezes eu sinto falta nisso neles. De eles terem um espaço assim bom. Que eles possam ter curtido tudo que eu passei. Da minha infância que foi maravilhosa.

 

P2- Mas ter um espaço desse, por quê? No caso a sua família não tem mais essa fazenda? Ou por que fica difícil de você?

 

R- Não. Tem, tem. Assim, meu irmão continua mais ou menos assim. A usina meu avô vendeu a usina. Não tem mais a usina. A usina Sapucaia que é em Campos. Vendeu para uma família mineira. Mas meu irmão continua no negócio. Ele ficou com uma parte das terras e vende, atualmente ele vende cana-de-açúcar para a usina que foi do meu avô. Mas assim, minha filha tem horror, não curte nada disso. É o oposto de mim. Oposto do pai dela. Tem horror a esporte. Tem horror a animal. Ela teve, não gosta de cachorro. Não monta à cavalo. Então acho que é muito, sabe, da personalidade. O perfil dela não tem nada a ver com o meu.

 

P2- Você acha que isso é mais, que isso é menos uma questão do perfil dela? Ou seria uma diferença, no caso da sua, do que foi a sua juventude para o que é a juventude hoje em dia? Como é que você vê essa?

 

R- É, também. Acho que assim tem uma mistura dos dois lados assim. Porque ela viveu muito assim, até então. Ela pequena, a gente foi muito para a fazenda. Hoje em dia ela vai, nós vamos, a gente vai muito a Búzios. A gente tem, ainda tem uma relação com a natureza. Ma não é dela assim, dela estar. Ela é uma, o estilo dela é completamente diferente. Ela é ligada a leituras. É uma coisa mais assim intelectual. Curte estar na natureza, curte dar umas andadas, mas nada ligado assim a bicho. Um, sabe uma coisa, é, meio assim diferente.

 

P2- Hum-hum.

 

P1- E a adolescência? Depois que você voltou ao Rio?

 

R- Bom, aí cheguei no Rio, comecei a morar, vim morar no Rio. Estudei no Colégio Jacobina. À partir dos nove, entrei na terceira série primária no Rio de Janeiro. Terceira ou quarta série, é, essas datas assim. Eu tenho que lembrar, não dá para. Mas é, estudei no Colégio Jacobina. Depois estudei no Andrews, foi também uma adolescência também super saudável. Eu acho que assim, eu me vejo assim, que eu passei assim etapas da minha vida, bem vividas, sabe assim? Eu tive uma, eu vivi a minha infância, tudo que eu tive direito. Tive uma adolescência também completamente normal. Namorados e sair, festa. E até conhecer o homem com quem eu casei, né? Que foi o Pepe.

 

P1- E como foi esse encontro?

 

R- Ah, esse encontro foi assim, foi muito especial. Porque nós nos conhecemos em Búzios, né? Que é uma cidade aqui do litoral do Rio de Janeiro. E é uma cidade que eu adoro, que eu tenho assim uma afinidade enorme. Hoje em dia. Hoje em dia eu tenho uma casa lá. Construí uma casa lá. E, inclusive até agora este final de semana, eu estava falando sobre isso. Como nós nos conhecemos. Que eu tinha dezoito ou dezenove anos e ele tinha acabado de sair, tinha tido um. Como é que se diz? Um acidente, já de asa delta. E ele estava recém-operado. Ele estava com uma costela quebrada. E a gente se conheceu ali na Rua das Pedras. Que _________ isso, contas são péssimas. Essas coisas de contas para (riso) quanto tempo atrás. Espera aí. Pausa para fazer contas. Melhor dizer quanto. Saber direito, né? (riso) Era dezoito, se eu fosse casada, estaria dezessete anos casada. Dezessete, dezoito, dezenove. Dezenove anos, tá? Então dezenove anos atrás, a gente se conheceu assim na Rua das Pedras. E foi assim, ele se apaixonou por mim. Gostou do meu estilo de ser. E a gente foi se conhecendo e enfim, começamos a namorar. Eu acho que ele teve assim uma coisa. Ele olhou para mim e falou assim: “você vai ser minha mulher.” E foi tão bacana, porque eu olhei para ele e achei: “Ó esse menino, esse cara é meio maluco, né? Tudo bem! Deixa ele pensar.” E assim dezoito, dezenove anos. E ele falou: “Não. Eu tenho certeza que você vai ser minha mulher.” E a gente, tem aquela época assim, começo de namoro, assim. Mas assim, um mês de namoro, dois meses de namoro, ele falava: “Olha, eu tenho certeza que a gente vai se casar. Que a gente vai ter filhos. Que a gente vai ser muito feliz.” Eu falei: “Bom, isso é bacana você falar isso.” Um mês de namoro. Mas você tem dezoito, dezenove anos e eu não estava nem, eu não queria me casar cedo. Eu queria viver, eu queria me formar. Eu entrei na faculdade. Fiz Direito. E queria depois de me formar, eu queria estudar fora. Eu queria fazer estágio na Inglaterra. Eram coisas que estavam assim, eu sempre tive projetos de vida. Sempre imaginei o que eu queria fazer e corria e me canalizava para acontecer. E foi mais ou menos isso. E aí? Continuo?

 

P2- Só para te retomar um pouquinho, né? É, fala como é que, quais são as suas lembranças desse período de escola, assim?

 

R- De escola?

 

P2- Que você trouxe assim, de mais marcante e tal? Só para a gente voltar aí, né?

 

R- Olha, eu sempre fui muito levada. Engraçado, tem coisas assim que eu esqueço, assim. Eu sou uma pessoa que eu, acho que cada dia que se passa eu tenho, minhas memórias são sempre, foram coisas que marcaram muito a minha vida. São memórias boas, saudáveis. Mas assim, quando eu estou com as minhas amigas desse tempo de adolescente. Treze, catorze anos, são todas assim, unânimes em dizer que eu era a mais levada de todas. Idealizava sempre as brincadeiras. As coisas diferentes, é, enfim. Então uma coisa que marcou que estar sempre idealizando as coisas no meu grupo. E isso era bacana, sabe, assim.

 

P2- E o quê que vocês costumavam fazer, assim? Você, o seu grupinho assim, é.

 

P1- Os lugares que frequentavam?

 

P2- Os lugares que frequentavam? Qual era o cotidiano? Vamos dizer assim, qual era a rotina?

 

R- Olha, pois é. Uma coisa assim, não era muito diferente com o que tem hoje, assim. Eu tenho uma filha de quinze anos e assim. Eu já te falei, ela não teve essa coisa tão marcante do que eu tive na minha infância. De ter muito, de ter o contanto com a natureza. De curtir animal. De ter essas brincadeiras, amarelinha, isso e tal. Mas, é, mas é uma coisa assim de ir à praia. De estar com as amigas. De ter o mesmo grupinho. De falar muito no telefone em casa. Eu reclamo muito: “desliga o telefone!” Mas isso era, se eu voltar aos meus quinze anos, é igualzinho. É horas no telefone. E achar menino bonitinho e ficar paquerando. Então não tem. Eu acho que eu vejo assim, eu vejo ela assim, uma coisa muito, é, minha filha é bem tradicional, assim, sabe? Eu até, fico até espantada e agradeço a Deus, ela não ter tido assim, pego metade das minhas ideias. Porque eu sempre fui meio assim revolucionária, de querer fazer as coisas. Impulsiva, de ser a primeira, ser atirada. E ela não. Ela é super-reservada. E ela gosta dessas coisas, ela gosta muito de ir ao cinema. De, é, coisas que eu fazia também. Não tem muito nada tão especial, diferente do que, enfim.

 

P1- Esporte? Você praticava?

 

R- Muito. Sempre gostei muito de esporte. Sempre fui super atirada a fazer todas, é, todos os esportes de, bicicleta, vôlei, natação. Estava sempre, assim, isto está dentro do meu sangue. Estar ligada a, eu preciso até hoje assim. Para estar bem eu tenho que fazer. O esporte faz parte da minha vida.

 

P1- Você pratica ainda?

 

R- Mais ou menos. Eu trabalho muito, não tenho muito tempo. Mas eu vou à academia. Faço um spin, adoro bicicleta. É, já fiz vários esportes. Já velejei. Já peguei onda de bodyboard. Já joguei vôlei. Fiz essas coisas todas. Nada de que eu, nunca entrei em campeonato. Nunca competi em nada. Nenhuma modalidade dessa foi levada tão a sério. Mas todas como lazer e como que eu curto até hoje.

 

P2- É, nessa época, né, de adolescência, juventude assim. Era o quê? Anos 70, anos 80?

 

R- Anos 70.

 

P2- Anos 70? E como é que era moda? Como é que vocês se vestiam? Como é que era assim?

 

P1- Uma lembrança especial de alguma roupa, alguma coisa?

 

R- Ah, com certeza. Era a calça baixa. E até que hoje você está voltando, né, a usar calça baixa. Aquela calça jeans, tênis, camiseta. Nada diferente muito de hoje em dia.

 

P1- E retomando assim o Pepê. Você já falou como você se conheciam...

 

R- Calça de quatro botões, sabe? Aquelas que se usava, aquelas que, que hoje está em voga, não tem muito.

 

P1- Retomando assim, como, é, você falou do dia em que conheceu o Pepê e tudo. E o casamento como foi? Vocês planejaram? Como foi o dia?

 

R- Ah, o casamento. Assim, é tão bacana isso, porque eu falei, esse final de semana eu falei muito sobre isso. É, a gente era assim, eu, a gente se conheceu eu estava terminando, quase começando a faculdade. E aí sempre falei pra ele que meu sonho era me formar e fazer o estágio na Inglaterra. E eu fiz isso, né? A gente foi, é, assim que eu me formei na faculdade. Com 21 anos de idade, eu fui fazer, fui morar um ano na Inglaterra. Fui fazer um estágio do, no escritório de advocacia lá. E aí ele, nesse meio período ele foi, ele estava em campeonato mundial de vôo livre. E nós namoramos assim, internacionalmente. Ele foi para a Áustria, para Itália e para Bali. Isso em 85. E a gente se encontrou nesses lugares todos. E aí nesse meio tempo, a gente já estava namorando um ano antes. Nesse meio tempo lá fora também, ele lá. Ele em um lugar, eu no outro. E quando eu voltei para o Brasil, ele duas semanas depois foi para o Havaí. Então a gente ficava assim, ele lá, eu aqui. Ele falou: “eu preciso estar num campeonato no Havaí.” Vivia viajando muito. E tudo bem, eu falei: “Tal, não tem menor problema, vamos.” Ele foi, eu fiquei aqui no Brasil. Mas quando ele voltou do Havaí, quando a gente se encontrou de novo, ele falou assim: “agora não dá mais para a gente se separar. Vamos morar junto.” Aí eu falei: “morar junto?” A gente tinha 22 anos de idade. “Mas morar junto, não.” Ele falou: “você não quer morar junto? Não quer morar comigo?” Eu falei: “se for para morar, eu quero me casar certo. Eu quero realizar meu sonho, né, de casar e ter numa igreja e tudo com... Realizar meu conto de fadas.” Que é o que toda mulher tem essa vontade, né? E aí nos casamos. Ele falou: “olha, então, você escolhe do jeito que você quer casar. Igreja, sem igreja. Festa, sem festa. De noiva, sem noiva. Que eu topo.” E foi muito bacana. E aí nos casamos no Mosteiro de São Bento. Uma coisa bem tradicional, né, assim bem fora de. Gente eu preciso beber água. Pode fazer uma. (PAUSA)

 

P1- Bom é, você já falou sobre o dia do seu casamento, do namoro e tudo. Agora fala um o pouco do Pepê, como pessoa.

 

R- É...

 

P1- Como atleta, como comerciante, como...

 

R- Depois eu até queria voltar assim, um fato. Assim, você me falou, me perguntou do meu casamento, como foi. Eu até falei que eu tive um casamento bem tradicional. Apesar de estar me casando, por ter me casado com uma pessoa super irreverente, uma pessoa esportista. E a gente ter entrado assim, de ter realizado um casamento tão, bem tradicional. É assim, o nosso casamento teve assim um fato assim, é, inédito. Acho que, não sei se já aconteceu, eu nunca soube. Mas assim, depois que nós, o padre já acabou, na própria cerimônia do nosso casamento. Depois que o padre nos abençoou, a gente colocou as alianças. Ele chegou, pediu licença para o padre e falou assim: “O senhor poderia me dar a palavra?” Pegou o microfone do padre e falou assim: “Eu queria estar aqui hoje, eu queria pessoalmente agradecer a todos os convidados da igreja.” Se virou, assim para a igreja, o Mosteiro São Bento, uma igreja super tradicional aqui no Rio de Janeiro e agradeceu assim, fez uma super declaração. Que ele estava se casando ali na igreja, porque ele acreditava em Deus. Que ele amava muito a mulher dele. E que principalmente ele queria agradecer todos os amigos e convidados que estavam presentes ali naquele dia. E enfim, e foi uma coisa assim inédita. Porque a igreja inteira parou e começou a bater palma. E sabe, uma coisa bem bacana. Isso aí é uma coisa que me emocionou muito.

 

P2- E você já conhecia o Pepê assim, como atleta? Já tinha, assim ou?

 

R- É. Mas, eu conhecia o Pepê assim, acho que da minha geração quem não conhecia o Pepê, né? O Pepê foi assim, era o ícone de uma geração que, era um campeão mundial. Que tinha sido campeão mundial de vôo livre. É, estava sempre nos jornais. Era uma mídia da... E além de campeão de vôo livre tinha sido campeão brasileiro de surf muitas vezes. Enfim, então conhecia assim, conhecia de nome. E conhecia também um pouco assim, amigos de, uma coisa de estar presente ali. De ter ido já na praia do Pepê. E ir em São Conrado e sem estar namorando ele. E bom, se bem que não sabia? Eu acho que eu nunca fui lá em São Conrado. Isso aí é uma coisa que eu não me lembro. Bom! Vamos lá. Porque a praia, o Pepê começou em São Conrado em 79, 80. E era assim, era o point da moda. Todo mundo ia à praia em São Conrado, em frente à barraca do Pepê. E assim, eu particularmente não me lembro de estar ali muito. Acho que eu fui lá, começando a namorar ele, é.

 

P2- E como era assim, como pessoa?

 

R- Ó, o Pepê era uma pessoa maravilhosa. E além de maravilhosa ele era, eu vejo assim, ele nasceu com uma estrela muito grande, acho que a maior estrela do universo veio regendo ele, sabe? Então em todas, em todas as formas. Não só como pessoa, como eu, o relacionamento dele com qualquer um. Desde assim do nível mais inferior ao nível mais superior, é um coisa, era completamente, é, vamos dizer, era de uma naturalidade comum com todo mundo. Então ele é assim, eu vejo assim. Eu me sinto assim, orgulhosa de eu ter sido escolhida, de eu ter sido a mulher dele. De ter compartilhado assim até a pouquíssimo tempo. Nós ficamos juntos sete anos. E me sinto orgulhosa de ter sido a mulher dele.

 

P1- E como era esse Pepê, é, esportista e também comerciante? Como se deu essa ideia da barraca.

 

P2- Como é que se deu essa transição do Pepê, de repente ele chegar, né, campeão mundial e montar uma barraca, como é que foi isso?

 

R- É. Bom, como é que ele começou, né, O Pepê sempre foi esportista, né? A profissão dele era ser esportista. E ele, quando ele começou a viajar muito nos campeonatos de surf para o Havaí. Para os Estados Unidos, para a Califórnia. Ele começou aprender a mudar um pouco a alimentação dele, em função de praticar esportes. É, então ele começou a entrar, até ele foi, começou a praticar, sabe, toda essa coisa da alimentação natural. De trocar arroz branco pelo arroz integral. De fazer seus próprios sanduíches naturais. Tudo da ideia que ele trouxe das viagens dele, internacionalmente pelo, através do surf. E aí quando ele chegou no Rio, que ele trocou um pouco o surf pelo vôo livre e ele começou a voar. Ele já tinha, já estava se adequando a essa nova dieta, essa nova alimentação saudável, né, digamos assim. E ele, quando ele começou a voar ali na Pedra Bonita. Pedra da Gávea que você decolava lá de cima e pousava ali em São Conrado. Que até hoje continua, né? Ele via, quando ele pousava, ele via que não tinha nada para se comer ali, a não ser cachorro-quente. Só junk food. Que ele falou: “Poxa, eu passo o dia inteiro aqui, eu saio da minha casa, venho para cá e não como nada.” Então ele saía de casa, preparava a comida dele. Sanduíches todos especiais de, todos naturais e levava com ele. Chegava lá, depois que ele decolava e depois que ele decolava, depois que ele pousava. Ele pegava aquela própria alimentação, aquela própria comida começava a comer, os amigos inteiros falavam: “Poxa, não tem um para mim?” E daí ele começou a ver que aquilo ali que... Ele quis juntar o útil ao agradável dele. Que ele, a própria maneira de ser dele, atraía as pessoas. Uma maneira de ser, uma maneira de ser, eu digo, uma maneira de se alimentar. E foi daí que surgiu essa ideia assim, dele começar a trazer os sanduíches que ele fazia para ele mesmo, para os amigos. E aí o negócio foi tanto, tanto. Que ele trazia um, dois, três. “Quer saber de uma coisa. Eu vou começar a vender isso. Porque dá tão certo. Quando saio de casa, em vez de fazer um, dois eu faço dez. Aí distribuo, agora vou começar a vender.” E aí, viu, pegou uma barraquinha. O cara, foi conversando com o cara do cachorro-quente, quis passar a barraca e ele botou uma barraca de sanduíche natural. E aí, foi daí que surgiu a história da Barraca do Pepê. Ele trazendo assim, ele passando a própria maneira de se alimentar, trazer para as pessoas que estavam ali com ele. Que frequentavam, que voavam, os amigos. Enfim, a galera toda que fazia parte da, que estavam ali presentes, né?

 

P2- E como é que ele conciliava essa vida de esportista, né, que tem que estar rodando o mundo inteiro e tal, com esse lado comerciante? Que por excelência tem que ser uma coisa, o cara mais fixo no local, né, mais... Como é que se dava isso?

 

R- Bom, aí entra um pouco a minha história, também. Que a gente se conheceu e eu sempre fui, eu tive esse lado assim. Desde que a gente se conheceu e que a gente se casou. A gente montou um restaurante japonês. Assim que nós nos casamos em 86 e surgiu o Sushi Leblon. Que é um restaurante que está até hoje na Dias Ferreira. É, e eu meio que assumi esse lado, é, administrativo, comercial. E ele sempre foi assim o esportista. A profissão dele era esportista. E ele tinha assim, eu acho que a maneira dele ser. De ele administrar, ele sempre, a gente sempre agregou assim, a nossa, além da gente ter sido sócio desde o início. Ele, a gente tinha assim. Os nossos gerentes eram sócios também. A gente sempre teve uma ideia, uma visão muito futurista de trazer assim, de participar. Todos os empregados participassem do lucro da empresa. Isso sempre deu certo.

 

P1- E agora voltando um pouquinho. Você disse que nasceu no Jardim Botânico. Aí quando voltou para, quando foi morar em Campos. Quando voltou para o Rio você morou em que bairro?

 

R- Eu morei no Flamengo.

 

P1- Flamengo?

 

R- É.

 

P1- E como era o comércio no Flamengo assim, na sua adolescência depois que você voltou para o Rio? Você lembra?

 

R- Comércio? Mas o quê?

 

P1- Assim, alguma loja que hoje não existe.

 

P2- Algo que marcou você nessa sua volta, né?

 

P1- É, algo que marcou.

 

P2- Assim que você passava, que você guarda na lembrança até hoje. Assim uma vitrine e tal.

 

R- É. Sabe uma coisa assim muito bacana que me marcou muito foi a, é, a Sears. A antiga Sears da praia de Botafogo. Que ela não existe mais, né? Acho que assim, como comércio a Sears era uma coisa que me marcou muito.

 

P2- Você frequentava? Costumava frequentar?

 

R- Eu frequentava.

 

P1- E o que tinha assim de especial?      

 

R- Não sei. Eu achava diferente. Assim, lá você tinha tudo, né? Você entrava, eram vários andares. Era um departament store assim que você, tipo uma Mesbla. Mas muito bacana, né? Que você encontrava de tudo. Você tinha desde roupas, de acessórios, de feminino, masculino, brinquedos, eletrodomésticos. E era bacana, eu achava interessante a loja. Então era, fazia parte da minha vida.

 

P2- E ela era muito assim, diferente das demais lojas? Ela era, ou já outras lojas naquele modelo, nesse molde, vamos dizer assim...

 

P1- De loja de departamentos, assim?

 

R- É, existia a Mesbla. Mas a Sears já era assim. Eu acho que eu vivi a Sears assim, por ela ser assim, estar ali perto, estar no meu bairro, né? E um lugar onde eu frequentava, assim. Eu estava ali por perto. Não sei, se eu me lembrar de algo mais.

 

P1- É, alguma campanha publicitária.

 

P2- Slogan.

 

P1- Slogan, alguma coisa assim que te fascinava. Que te chamava atenção, que te fazia comprar? Que você achava legal?

 

R- Assim, como assim de roupas? Um slogan que eu sempre me lembrei muito, é aqui na enseada de Botafogo, sempre teve aquelas, até coisas bem tradicionais. Que a Coca-Cola está ali. Não, nada como uma marca assim de roupas, acessórios. Não. Nunca fui muito presa a isso.

 

P1- E trabalho, assim...

 

R - Deixa eu ver o quê mais. Vocês querem que eu fale alguma coisa assim. Que eu lembre alguma coisa de comércio? Que vocês achem interessante falar?

 

P2 - Ah, fique a vontade. Se você lembrar assim.

 

R - Não. Eu tenho que lembrar. Eu tenho que parar então um pouco. Se quiser passar para um outro, pode ser que venha.

 

P1- É se você lembrar você pode voltar para lá. Não precisa ser presa à pergunta. E o trabalho? Qual foi o seu primeiro emprego?

 

R- Meu primeiro emprego foi um estágio no escritório de advocacia da, do meu cunhado. A minha irmã mais velha se casou cedo também, com um advogado. E eu, assim que entrei na faculdade, com dezessete para dezoito anos. Eu logo no primeiro ano de faculdade, eu resolvi fazer estágio. Então foi super bacana, porque eu me sentia assim, eu ia para a cidade fazer, trabalhar com advogados, ir para o fórum. Essas coisas, tudo me incentivava muito. E desde cedo estar ali, estar correndo atrás, né? Estar vendo, tu ver. Porque trabalhar é uma coisa, é uma, é, como se diz. Sei lá. (riso) Trabalhar é bom, mas é cansativo. Não. Desculpa. Vamos, mas.

 

P2- E na advocacia, você chegou a exercer depois de formada?

 

R- Eu trabalhei quatro anos de advocacia. E quando me formei eu fui para Londres. Eu fiz esse curso. Fiz um estágio no escritório correspondente, do qual eu fazia estágio aqui no Rio. E fiquei um ano trabalhando lá. Não trabalhando, eu fiz um estágio. Nunca, e fui estagiária. Como advogada nunca cheguei a me formar. Porque logo quando eu voltei desse curso que eu fiquei um ano em Londres, eu me casei. Então eu fui, quando eu me casei eu me realizei que eu estava me casando. Que não dava para eu administrar as duas coisas. Sabe, casada com o Pepê, viajar, acompanhar ele na vida esportiva dele. E acompanhar também o lado, e entrar para o lado do comércio. Então deixei o Direito de lado e resolvi entrar para esse lado, esse outro lado empreendedor de estar dentro do comércio.

 

P1- Como o Direito te ajudou assim? De alguma maneira?

 

R- Ah, eu acho que o Direito me ajudou muito, em todos os aspectos, assim. Porque, primeiro você, o Direito você está envolvida, é, com a sociedade, né? Com as leis em si. E eu sempre fui, eu queria fazer Direito e comércio. Direito comercial. Que é Direito, que você tem o direito societário, de contratos, de leis de sociedade anônima, sociedades privadas. Então isso aí me ajudou muito em tudo. Até a maneira de você, é, enfim, é, treinar. Treinar não. É. Isso atrapalha quando a gente faz assim? Não?

 

P2- Não.

 

R- Atrapalha não, né? É porque dá uns lapsos de memórias também. É porque me ajudou muito, na atual maneira de você querer redigir alguma coisa. Enfim, se ter uma postura perante as pessoas, enfim. Burocraticamente você realizar uma coisa, é sempre bom você saber passar por toda essa, essa, você ter já, ter uma noção do que vem por detrás. A parte mais difícil é a legalização de tudo. 

 

P1- E como deu essa. Depois que eu quero contar com detalhes, como deu essa entrada no comércio? Depois que você casou e tudo. Como você resolveu, quando você começou a trabalhar...

 

R- Olha, eu entrei no comércio justamente pelo Pepê. Senão, é, poderia até ser. Assim, eu me descobri que eu tinha muito mais a ver trabalhar numa coisa dinâmica, com vida. Sem estar, porque você dentro de um escritório de advocacia você está ali, uma coisa super burocrática. Ali você está fazendo, enfim, redigindo petições. Que é uma coisa bem oposta ao que você estar ali no comércio. Que é o dia a dia, o público assim. É lidar com as pessoas. É você trocar informações. É você ter a tua postura ali perante aos outros e ao mesmo tempo. Eu tinha, eu tenho essas duas coisas. Você estar, unir se organizar, né, e estar presente no dia a dia com os outros. Saber negociar, né? É, de vez em quando eu acho que eu falo muita besteira. Mas vocês (riso) Mas, vamos lá, né?

 

P1- E assim, a gente. É, você começou, é...

 

R- Besteira assim não, que eu me perco mais.

 

P1- Você fica marcada até pela barraca, né, o comércio, a sua história no comércio fica marcada pela Barraca do Pepê. Porque é a coisa mais conhecida...

 

R- Não. A minha história não começa pela barraca do Pepê, né? É assim...

 

P1- Pois é, isso que eu queria saber. Como se deu em todas essas atividades? Mais ou menos, pudesse contar a trajetória no comércio até a barraca.

 

R- É. A minha entrada no comércio foi eu me casando com o Pepê. Que ele já tinha, ele tinha construído a barraca do Pepê, em São Conrado. E na Barra da Tijuca, que existe até hoje. E a gente, nós montamos juntos um restaurante japonês. Que existe, que está até hoje, tem dezesseis anos que está no comércio. E está na Rua Dias Ferreira, no Leblon. Mas e aí foi quando eu comecei. Larguei essa minha vida, o Direito. A minha profissão de advogada para me tornar, para entrar no comércio. Para mim ser uma empreendedora. De querer realizar outras coisas ligadas ao comércio. Então foi a partir da implantação do Sushi Leblon. Agora, a Barraca do Pepê também se tornou parte da história, depois, né? Fui assumindo aos poucos, assim.

 

P1- Você pode contar como se deu essa trajetória? A partir do restaurante japonês?

 

R- A partir do restaurante japonês eu tive assim, todas as minhas, passei por todas as minhas experiências. Vi o que é lidar com comércio. E. Como assim que você quer que eu diga? Em que sentido?

 

P1- Não, assim. A partir. Queria saber, mais ou menos, a partir do restaurante se você partiu para outro negócio? Se você ficou só no restaurante? Como se deu essa trajetória até assumir a barraca?

 

R- Tá. Assim, a Barraca do Pepê sempre foi muito marcada assim pela figura do Pepê. Como pessoa física, ele era o próprio marketing do negócio, né? Ele estava sempre participando de competições. Ele estava sempre em mídia nos jornais. E logo depois do acidente dele, que assumi essa administração. Ele era um pouco meio a administração das barracas. Por ele ser o próprio marketing do negócio. E eu acho assim, depois que eu peguei, tomei a administração da barraca. Das duas, da barraca do Pepê na Barra. Eu achei que assim, para eu perpetuar toda essa marca. O nome que acho que tinha que continuar como, como... Assim, como um símbolo de uma geração saudável, de uma comida saudável.  Eu achei que ele tinha que crescer um pouco até através de franquias. E foi até isso. A Barraca do Pepê cresceu através de franquias. E hoje em dia ela continua, é, está lá. Está lá na Barra, tombada.

 

P2- Falando um pouco, né, sobre esse. Voltando a falar um pouco sobre esse comércio na barraca. Como é que era a praia de São Conrado, né? Como é que era assim, de um modo geral quando o Pepê abre ali a primeira barraca? Como era a infraestrutura? O quê que tinha, o que é que não tinha? Como é que ela era, a praia?

 

R- A praia de São Conrado era uma praia linda. Super limpa. Não existia ali aquele, hoje em dia, o esgoto que cai todo, que sai ali. Isso não existia. Era uma praia que você, era frequentada por toda, por uma elite carioca. E que hoje em dia não existe mais, né? É triste você ver hoje São Conrado. Você a praia de São Conrado, você não vê ninguém frequentando a praia de São Conrado, por ela ser suja. Isso é uma tristeza.

 

P2- E em relação ao comércio. O quê que havia ali por perto, já? Que tinha disponível assim, não só no ramo de alimentação. Mas de um modo geral. Tinha infraestrutura?

 

R- A infraestrutura de São Conrado sempre foi muito precária. Assim acho que até hoje, é, o que existe em São Conrado hoje é Fashion Mall, né? Tem a Sendas e tem um comércio pequeno perto ali das Sendas. Mas naquela época não se existia o Fashion Mall. O Fashion Mall estava ainda sendo construído. E acho que São Conrado hoje em dia é ali, né? O que o comércio de São Conrado, que dá, o que valorizou é você ter o Fashion Mall que está ali hoje em dia, firme e forte. Mas ali sempre foi assim. A praia era ponto principal do bairro. Então era uma praia limpa, uma praia que, em perfeitas condições de uso que principalmente era o point da juventude.

 

P2- Uhum. E quando a primeira barraca surge ali, então o Fashion Mall ainda não existia, né, ainda não havia. O quê que vai mudar...?

 

R- Não existia. Não sei nem tem quantos anos. Você sabe quantos anos tem o Fashion Mall?

 

P1-Tem uns quinze.

 

P2- Uns quinze por aí, mais um pouco. Bom, de qualquer forma. O que começa a mudar ali no perfil das pessoas quando o shopping abre?  O quê que o shopping traz, o que ele afastou? O que muda aí?

 

R- Eu acho assim, que não foi nem o shopping que mudou não. Acho que o que mudou foi a poluição da praia, né? É, foi a poluição e a praia hoje. Você não consegue frequentar a praia por exatamente, mau cheiro. É a saída de esgoto. Então, o fato da poluição da praia afugentou todos os frequentadores. E consequentemente o Fashion Mall só fez trazer, fez ali ressurgir ali a passagem, né, a inda e vinda, as pessoas frequentarem o bairro.

 

P2- Certo. E como é que surge a ideia de montar a barraca na praia da Barra?

 

R- A praia da Barra assim, era o começo, é, o Pepê da Barra começou em 84. E a Barra era assim, uma praia super selvagem. Uma praia, não existia nada ali daqueles quiosques todos. Nada daquilo. Não tinha ciclovia, não tinha o calçadão. Era uma praia assim, completamente wild. E era assim, era um, as pessoas queriam, como São Conrado já estava começando a ficar poluída. Que dizer, havia uma vontade dessa migração para um outro espaço diferente. E acho que o Pepê sempre teve essa visão futurista do quê que era, do novo, do que, dessas mudanças, de reciclagem. Eu acho que enxergou ali a ponto da Barra. Do Pepê da Barra como o futuro point da juventude. E não deu outra. Acho que até hoje, toda essa visão dele fez com que a Barraca do Pepê, atualmente até é frequentada, continue sendo frequentada por todos os jovens. Por um ponto assim, todas as, é, todos os formadores de opiniões. Enfim, por várias classes de pessoas que continuam ali, indo e vindo.

 

P1- E a partir de que momento aquele trecho ficou conhecido como a Praia do Pepê?

 

R- Logo após a morte dele. Aquilo foi uma, a prefeitura quis homenageá-lo. Fez até um monumento ali de uma asa delta e uma prancha de surf na Praia do Pepê. E aí, tornou-se o trecho que dá do início da Barraca do Pepê até o final do quebra mar, como Avenida do Pepê.

 

P1- E a logo da loja, da barraca? Foi ele que criou, como foi?

 

R- Não. A logo foi uma empresa especializada em design que criou. E agora há pouco tempo atrás, uns dois anos atrás a gente fez uma, uma. Deu branco, espera aí. Uma recriagem, não, uma...

 

P2- Reciclagem?

 

R- Não.

 

P2- Atualização?

 

R- É, vamos dizer uma atualização. Tem uma palavra certa, mas a gente deu uma atualizada na logo. E é isso aí.

 

P1- E as franquias e tudo. Vocês mantém como sua a barraca? Ou as franquias você tem algumas suas? Ou tem que entrar em contato para abrir, qualquer pessoa. Como é que isso funciona?

 

R- É, na verdade assim, não. Na verdade a gente está em um momento assim, é, de estudo do crescimento das franquias. Então, a gente está um pouco estagnado nessa evolução do comércio das franquias. Mas existem cinco lojas franqueadas. E a única loja que é nossa atualmente no quiosque é que é o da praia. O resto são as franquias que tem e são terceirizadas, né?

 

P2- E quais são as exigências que a franquia tem que seguir? Para a pessoa quer abrir um a franquia do Pepê, ele tem que... Qual o padrão a ser seguido?

 

R- Olha, é uma história. E assim, até não sei, eu devo falar muito. Porque é uma história assim, que eu não pretendo mais abrir franquias. Então não sei se eu quero falar muito mais de franquias. Mas foi uma história assim que eu acho que as pessoas. Que toda, eu acho que em alimentação, franquia é uma ideia que não vale muito à pena. Porque o franqueado que quer comprar tua marca. Chega uma época, uma certa, um certo tempo de vida. Ele se sente no direito de estar sempre, de querer inovar, de querer fazer as coisas, e não de seguir umas regras da franquia. E que, vamos dizer, eles chegam assim crus completamente, sem ter noção do que é, do que é entrar para dentro do comércio. E quando ele tem esse know how que é todo passado para ele. Ele quer dá um passo sozinho. Então existem sempre divergências que não vale a pena. Eu acho assim, se for para falar um pouco nessa história de como você ter um crescimento de marca de comércio e tal. Eu vejo mais assim, para você atacar você tendo suas lojas próprias, do que através de franquias. Que isso aí está meio controverso dentro da gente. Porque a gente acabou de passar por todo um crescimento da marca através de franquias que chegou a um certo número que eu resolvi não querer mais. Acho que não vale mais a pena. Nem financeiramente, nem como negócio. Porque é muito, é, não vale a pena, assim a conclusão que eu cheguei.

 

P2- E me diz uma coisa. Voltando um pouquinho, né? Você falou que o Pepê, ele começa a bolar essa ideia da barraca, lá ideia, tal. A partir dos sanduíches que ele fazia, com essa experiência. O legitimo sanduíche do Pepê, como é que ele é? Como é que ele é feito, quais são os ingredientes? Esse sanduíche para ser...

 

R- Não. É maravilhoso. Mas é um super sanduíche. A ideia dele foi sempre criar um sanduíche-refeição. Porque ele era esportista e ele sempre pensou nos esportistas, né? Nos surfistas, enfim que estava ali. Velejadores. Quem estava praticando um cooper. E que a partir disso então se saciar, né? Você parar ali e querer comer um sanduíche que te saciasse essa fome. Logo após de você praticar um esporte. Então o sanduíche assim é sempre, você escolhe uma pasta, um recheio de, ou de carnes brancas, ou de queijo branco e você complementa com vários tipos de salada. Que é salada de alface, tomate, beterraba, milho. Então você vai crescendo seu sanduíche. De repente, em vez de você tem um sanduíche normal, você tem uma refeição. Um sanduíche que realmente para quem quer comer tem que ser na hora de, ou do almoço ou do jantar.

 

P1- E é o próprio cliente que vai montando o seu sanduíche, vamos dizer assim?

 

R- É o próprio cliente que escolhe.

 

P1- E como é que feita essa venda? No caso ele paga pelo sanduíche e bota do jeito que quer? Ou é por quilo?

 

R- Não. Não é por quilo. Não tem essa história não. Você escolhe, se você quiser comer o sanduíche só com o teu recheio e uma alface. É o mesmo preço de você comer com um recheio, ou um sanduíche fica deste tamanho ou deste tamanho, que é o mesmo preço.

 

P2- E esse sanduíche natural do Pepê, ele acabou que virando meio que uma marca registrada, né?

 

R- É.

 

P2- Do pessoal que frequenta a praia. Como é que é isso? Como é que você vê essa coisa assim, esse sucesso? Qual é a sua visão sobre isso?

 

R- Eu acho que assim, o estilo de vida que foi que marcou muito isso. Acho que essa coisa de ser, as pessoas atraem, né? Você comer uma, você estar ligada a ter uma alimentação saudável. Ainda mais hoje em dia você, bem, existe uma preocupação muito maior de você saber o que você está comendo. Você em relação à tua saúde, né?

 

P2- Uhum.

 

R- Então acho que isso é um estilo de vida que foi seguido. Perpetuado.

 

P1- Você pode agora contar um pouquinho, como é a barraca? A estrutura física da barraca? Como era no passado, desde São Conrado até a Barra? Mudanças, assim.

 

R- Ah, sim, olha. Em si, a barraca em si, acho que toda assim, a criação e o design, a arquitetura assim foi, eu continuo mantendo. Mais ou menos a, começou em São Conrado com uma barraca muito pequena. E aí quando isso foi para a Barra da Tijuca. A barraca triplicou. Ela é muito maior. Em São Conrado ela começou. Ela não tinha eletricidade, ela só, porque eram sanduíches feitos em casa e levados para lá. Era uma coisa muito, é, muito caseira. E quando ela foi para a Barra, completamente diferente. A gente foi já com uma ideia de ser uma coisa mais voltada, é, mais profissional. Mais voltada mesmo para um público mais exigente, assim. Você pudesse ter um suco de fruta feito na hora, no liquidificador. Coisas que não existiam. E conforme eu disse, ela assim triplicou o tamanho. Exatamente para a gente poder atender esse tipo de exigências.

 

P1- E o visual da barraca? Assim decoração, isso tudo. Tem alguma coisa especial?

 

R- Não. Eu acho assim, eu tento assim, manter algumas coisas, umas características básicas de como ela começou. Mas acho que tudo tem estar sempre se reciclando. A gente não pode deixar, sei lá, uma, um copo que tem, essa coisa sabe. Vamos dar um exemplo assim de uma coisa que você começou e para você manter ele vinte anos, ela tem uma mesma cara. Você pode, quer dizer. Eu faço brincadeira. Muda as cores no verão. Entra, não sabe, bota umas cores cítricas, umas cores. Então eu estou sempre fazendo umas brincadeiras assim, para você manter, ter essa coisa, essa reciclagem. Mas ela nunca perdeu a essência dela. Aquela, o visual inteiro.

 

P1- E produtos? Vocês vendem só produtos naturais? Ou tem biscoito, refrigerante uma coisa assim?

 

R- Não. Refrigerante com certeza. A gente atende assim a necessidade. Porque eu acho que cada vez mais, eu nunca fui assim tão radical, sabe assim? Eu não sou, não é uma alimentação natural, assim que você não pode ter, é. Eu atendo até um pouco assim, o meu público. As exigências deles, todo mundo lá, Coca-Cola, refrigerante é muito pedido. Apesar de eu vender muito mais sucos naturais, de ter muito mais, os shakes, milk-shakes, misturas de shakes, açaí. Mas também não deixo de ter, é, os refrigerantes, né?

 

P1- Sei. Como é...

 

R- Deixa eu ver o que é que poderia ter junk lá, que, nada. Não.

 

P1- E a exposição assim, arrumação das coisas, como é que é, tudo? Como é que ficam, de repente se ficam frutas, é, penduradas, alguma coisa assim? Se tem alguma coisa especial, ou uma arrumação mesmo? Dá para você descrever como é a barraca?

 

R- Como assim?

 

P2- Como é o acesso do cliente ao produto?

 

R- Ah, é super direto. Assim, você tem uma exposição direta de todos os produtos. Você, como eu acabei de explicar como é feito o sanduíche. Então os nossos principais sanduíches são todos em forma, você escolhe o recheio, que são ou de carnes brancas ou de queijos brancos e você faz os complementos em forma de saladas. Que tem vários, uma variedade enorme de saladas. Alface, broto de alfafa, cenoura, tomate, beterraba. Você vai montando seu próprio sanduíche.

 

P1- É uma espécie de vitrine que você vai...

 

R- Você participa de tudo assim. Você vê do próprio momento que você pede. Chega no caixa e pede. Escolhe o teu sanduíche, olhando para o cardápio. Você vai vendo o, a pessoa que está te atendendo montar todo o teu sanduíche. Montar todo. Então é como se você tivesse realmente escolhendo a tua refeição.

 

P2- Uhum.

 

P1- E o tipo de clientes? Homens, mulheres, crianças, adolescentes, adultos?

 

R- É. É uma assim. Hoje em dia a gente tem uma variação bem eclética, né? Porque é um ponto de manhã cedo, que eu tenho frequentadores assim, de crianças, mães com crianças. Que até é uma área, um point mesmo de encontro de crianças. E depois a partir do meio-dia, jovens, que variam de perfil de quinze a cinquenta anos de idade. Então é bem eclético.

 

P2- E quais são os horários de funcionamento? Que dia, que hora?

 

R- Todos os dias, de nove da manhã às seis da tarde.

 

P2- E qual, nesse período, qual o horário de maior pico, assim, que as pessoas mais vão à barraca?

 

R- Almoço.

 

P2- Almoço?

 

R- Dia de sol. Verão, que é uma, e na hora do almoço.

 

P1- Vocês têm quantos funcionários?

 

R- Sete.

 

P1- Eles revezam?

 

R- Revezam de turno.

 

P1- E vocês assim, entregam? Tem algum tipo de serviço de entrega? De alguns dias que.

 

R- Não. Não é um delivery, não.

 

P1- Não?

 

R- Tem que ir até lá.

 

P1- É uma pena. Porque é uma delicia. E como atrai? Tem propaganda, anúncios, promoções?

 

R- A gente tem uma mídia muito espontânea. Porque assim, pelo fato de ter os frequentadores, a gente tem muito uma classe artística que vai muito à praia ali. É, os esportistas enfim. Então são muito assim, campeonatos que existem. Campeonato de windsurf. Campeonato de kite. Campeonatos. Então acho que a gente tem essa mídia espontânea e acontecimentos, às vezes que geram assim. Agora mesmo, porque a barraca foi tombada, a gente está idealizando uma festa, junto com o vereador que fez o projeto de tombamento. Então acho que tudo uma mídia muito espontânea e que existe até hoje.

 

P1- Como se deu esse processo de tombamento? Você sabe contar a história disso. Do projeto, de tudo?

 

R- Não. Até hoje eu não sei isso direito, sabia assim. Foi uma coisa, o tombamento. A gente podia ter feito esta entrevista em etapas, né? Porque assim foi, é, foi um projeto. Foi idealização do Luís Antônio Guaraná, do vereador Luís Antônio Guaraná que. Acho que foi uma ideia nossa antiga. Que isso já tem esse processo. A gente, a primeira vez que eu entrei pedindo assim, a ideia do possível tombamento da barraca. Eu achava que não ia ser possível. Eles falaram que iam estudar. Isso tem mais ou menos uns oito anos atrás. E durante esses oito anos a coisa passou meio que despercebida. Quando foi assim, oito anos depois eles me ligaram para falar: “olha, a barraca foi tombada.” Então foi tudo uma surpresa grande. Não sei o que é que passou assim nesse, eu sei que é uma grande satisfação ver a barraca tombada. Acho que é uma, mas do que nunca você perpetuar uma história de vida que, de uma pessoa que fez parte, de uma personalidade carioca, né? Que tem muito a ver com toda, com a história do esporte. O que marcou lá, a barraca, a Praia do Pepê. Acho que isso é muito importante. É bacana você perpetuar essa história.

 

P1- E...

 

R- Está incomodando isso? (riso)

 

(PAUSA)

 

P1- E assim, você vê alguma importância. Alguma importância lógico que tem. Mas qual a importância que você vê da Barraca do Pepê para o crescimento da Barra. Você acha que tem alguma coisa a ver?

 

R- Para o crescimento da Barra. Eu acho assim...

 

P1- Da Barra assim, da praia, de ser frequentada.

 

R- Eu acho assim, que dentro assim do contexto ali da Barraca do Pepê. A gente, acho importante você crescer, acompanhar todas essas, o que vem de moderno. Você sempre agregar coisas novas ao teu estilo de vida. Mas é nunca esquecer assim, de manter a essência das coisas, sabe? Eu tento manter ali dentro, a vegetação praiana. Não deixar que tenha essa invasão de sabe, de farofeiros ali. Tentar manter o máximo possível da essência do espaço. Acho que isso, a gente tem que pegar como a Barra no total disso também. Você não deixar um crescimento desordenado, como vem acontecendo. Vem primeiro a gente manter, ter uma padronização de edifícios, do comércio. Dessa proliferação de vários shoppings que existem hoje no bairro da Barra. De um shopping atrás do outro. E ter assim, regras que você ter, manter assim a essência do espaço, do lugar. Para você não desordenar isso, né?

 

P2- Olha só. É, voltando um pouco aí, né, falando sobre a barraca, tal, né? O que você aponta, como é que a senhora apontaria como a principal mudança daquele público que começou a frequentar a Barraca do Pepê, né, em 84 e tal. Para o público que frequenta hoje? Que a senhora acha assim, pondera que mudou? Que eles pedem hoje, que não pediam ou que pediam e não pedem mais?

 

R- Bom, mudou muito. Mudou muito porque começou a história ali com assim, os próprios assim, os frequentadores eram os amigos, os esportistas. E hoje em dia ali virou um point, um ponto de turismo. Você chega no verão você não vê, praticamente você só vê pessoas, você vê brasileiros, paulistas, mineiros enfim, de todas regiões do Brasil. E não só do Brasil mas como internacionalmente também você vê muito americano, italianos. Então a frequência é outra. Acho que ali virou um ponto de turismo da cidade. E além disso assim, eu acho que com essas novas, é, vias existentes, nova linha amarela para cá, você também tem todo um povo, tem todo um pessoal da zona norte, que também frequenta a praia. Que não frequentava. Então acho que assim, mudou muito. O público hoje em dia é muito mais eclético, muito maior do que antigamente. Do que como tudo começou.

 

P2- E assim, falando mais diretamente, aos gostos desse público que mudou, né? O quê que mudou assim, por exigências, pedido, né, do consumidor? O quê que o consumidor começou a pedir ao longo dos anos para barraca ter? Mudou ou não mudou?

 

R- Eu acho assim, que tem muita gente hoje em dia. Chega ali achando que a barraca assim, esquece que ela, a gente, da essência dela que é uma alimentação natural. Uma alimentação mais saudável. E às vezes pede um cachorro-quente. Uma coisa assim sabe, que tem num quiosque de, sei lá, um peixe frito. Então isso eu vejo que é um público que vem, já de outra região. Querendo, então tem muito dessa coisa assim, uma pizza, sabe? Ninguém sabe muito a história, ali muito, da Barraca do Pepê e quer sempre assim. Mas isso não interfere em nada. Porque não vai ser por isso que eu vou mudar o minha, assim, o perfil da barraca, para atender um outro, esse público exigente. Mas acabam que as pessoas vão conhecendo. A gente vai sempre passando, dando a informação do quê que é. Qual a nossa intenção, do que a gente quer, do quê que faz parte o nosso cardápio. E as pessoas acabam se adequando.

 

P2- E qual o sanduíche mais popular assim, ou a combinação mais popular?

 

R- É o peito de frango. É um peito de frango recheado com todos esses complementos de salada. Em forma de salada.

 

P2- E a barraca tem alguma embalagem, alguma coisa assim que caracterize?

 

R- Tem.

 

P2- Como é que é? Você pode descrever?

 

R- Tem todas as, todos os acessórios de um, você quiser levar para lá hoje, comer um sanduíche e quiser levar para casa. Tenho sacolas, tenho porta, que ver, tenho saco plástico. Embalagem para viagem normalmente. A gente só não, nós só não entregamos em casa. Mas a gente tem se você for até lá, o local e quiser levar para sua casa, aí a gente tem perfeitamente.

 

P2- E como é que é essa embalagem?

 

R- Como é que é?

 

P2- Descreve para a gente.

 

R- É um saco. Bom, eu tenho dois tipos de embalagem para viagem. Tem uma que é uma maletinha. Você tem exatamente, você pode botar. Tem o local exato para você colocar o copo, a bebida que você está, quiser levar e o local para você armazenar o sanduíche. E tem também sacos que você, dependendo do que você for levar, comporta um biscoito ou uma torta.

 

P2- Eles têm o logo da barraca?

 

R- Todos. Tudo.

 

P2- Plástico ou papelão?

 

R- Papelão. Plástico não. Papel e papelão.

 

P- Por que não plástico? Por algum motivo especial?

 

R- Não. Não, porque...

 

P2- E os sucos assim, é, teve alguma mudança em relação aos sucos de frutas? Alguma coisa ao longo desses anos, se aumentou a variedade?

 

R- Ah...

 

P2- Um novo produto, um novo suco, alguma coisa?

 

R- É, a gente assim, eu sempre tento entrar um pouco assim, no que sucos, novidades é sempre bom ter, né? A gente sempre tem algumas novidades, que a gente lança aí, cada verão. Ou um sanduíche diferente. Ano passado a gente lançou três sanduíches diferentes, que também foram um sucesso. Sucos, a gente às vezes, tem até no verão, colocar frutas, é, predominantes e do norte. Tipo uma mangaba. Mas sempre uma novidade a gente coloca.

 

P1- E no inverno, como é o movimento?

 

R- No inverno a gente, o inverno é muito, é, tudo gira em torno dos finais de semanas. Então, durante a semana uma coisa bem tranquila. E finais de semanas que são, que é movimentado. Então a gente tem assim, um cardápio meio que resumido durante a semana. E o final tem, o cardápio volta a ser, a gente já abre-o normalmente.

 

P1- E tem uma estrutura para chuva? Alguma coisa que seja?

 

R- Médio. Não. Não tem.

 

P1- E você, particularmente gosta de montar sanduíches, de ter...

 

R- Adoro.

 

P1- Você que idealiza os sabores, e tudo?

 

R- Mais ou menos. Você, às vezes eu assim, eu sempre contrato pessoas de assessorias em alimentação para me darem suporte. Então é assim, eu tenho ideias, mas eu sempre tenho uma pessoa do meu lado que me ajuda a complementá-las.

 

P1- Tipo, um nutricionista?

 

R- Com certeza. É.

 

P2- Que momento que, a partir depois que você começa a trabalhar assim, em coisa em grande escala tipo açaí, por exemplo. Que hoje em dia, né, o pessoal, caiu muito no gosto popular. O pessoal hoje em dia come muito, né, e tal. Quando é que vocês começam a incorporar esse tipo de coisa? Que outra coisa também vocês incorporaram assim, dentro dessa proposta de alimentação natural? Assim que.

 

R- Não estou entendendo. Como assim? Como eu incorporei o açaí?

 

P2- Não. Me veio agora a lembrança do açaí. Porque o açaí caiu no gosto da população.

 

(PAUSA)

 

P2- Então retomando, né, que a gente estava falando antes, que eu. É, a minha pergunta exatamente foi o seguinte. O açaí, ele virou uma coisa que caiu no gosto popular. Várias lojas mesmo que não tenham essa postura de comida natural, fazem, né, vendem o açaí, tal. E isso acabou caindo no gosto popular. E de uns tempos para cá teve essa onda, né, de comida natural, tal, não sei o quê. O quê que vocês incorporaram desse sentido de comida natural, que não havia. E que vocês botaram depois até por uma questão do gosto popular tal? Ou quê que você lançaram, né, que acabou sendo incorporado pelas demais, pelas outras lojas?

 

R- É, eu acho assim, o seguinte, dentro de alimentação, falando em gastronomia. Você tem que estar sempre atento assim, a qualidade dos produtos que você usa. Mas não adianta você ter, você estava falando que hoje em dia você pode, encontra-se açaí em qualquer botequim da esquina. Mas você pega um açaí, você mistura com, sabe, a polpa com, sei lá, muito mais água do que o normal. Então acho que dentro disso tudo, você tem que estar sempre atento na qualidade do teu produto. Se o produto é fresco. Se o produto é bem manipulado na, sabe? É tudo um conjunto de coisas, né, higienização. Então, está aí a diferença de você pagar, no preço.

 

P1- E os fornecedores então? De onde vêm esses produtos?

 

R- Depende de cada um, né? A gente tem vários fornecedores. Cada um com o teu produto. Então, a gama é muito grande de produtos, de fornecedor. Desde a Sadia até a polpas de frutas diversas, assim. Enfim, a grande variedade.

 

P1- As pessoas que frequentam a barraca, né, elas hoje compram como compravam antigamente? Elas continuam, elas ficam mais tempo, menos tempo? Como é que é essa relação cliente com a barraca.

 

R- É porque assim, de uns três anos para cá a gente fez, mas a gente incorporou ali em frente à Barraca do Pepê, um deck de madeira grande. Com umas mesas, com dez mesas. Então, as pessoas gostam muito de ficar ali. Então assim, há essa circulação de você comprar, chegar, pagar um sanduíche, pegar o produto. É uma coisa até hoje assim, a gente, os sanduíches do Pepê, é uma coisa muito caseira assim, sabe? É um pão super, é, com uma receita nossa. Um pão integral, a gente hoje em dia, nós fazíamos, é terceirizado. Mas toda receita é nossa. Produtos que são escolhidos assim, como eu acabei de falar, o maior, alta preocupação em ser produtos de, higienizados, todos bem manipulados. Então, acho que tudo isso. Daí um certo período de você pagar, comprar, escolher o teu produto, o teu sanduíche. E, mas nunca, praticamente o mesmo que sempre foi. Assim, a diferença é que a gente tem muito mais, uma circulação muito maior de pessoas. Um número maior de pessoas do que antigamente.

 

P2- E você falou dessas mesinhas. É o quê, acho que também tem pessoas que servem nas mesas?

 

R- Não. Nenhuma.

 

P1- E há aqueles clientes assim, mais tradicionais, aqueles clientes mais antigos. Que já conhecem todo mundo?

 

R- Tem. Lógico, com certeza. Tem clientes que estão lá desde o início. Chegaram a conhecer o Pepê. Que sempre falam. E tem clientes super, pessoas jovens, que vão lá. moradores novos da Barra, que vão lá com os filhos pequenos. Que começam, se identificam com o produto e acostuma, não. E começa a ser cliente.

 

P2- Ainda tem pessoas que fizeram aquela transição de São Conrado para Barra, que frequentam a barraca até hoje?

 

R- Com certeza. A transição não só pelo fato assim, da praia de hoje em dia, a praia de São Conrado ser imprópria. E como também pela própria praia da Barra continuar a ser, o espaço do Pepê também. A Praia do Pepê continuar sendo uma praia limpa. Então acho que isso tudo tem uma influência. Não só no aspecto de nós estarmos ali comercializando produtos de alimentação, mas como também todo um ambiente em si é um atrativo, né?

 

P1- E esportistas, eles ainda frequentam?

 

R- Com certeza. Acho que assim 70%, 60% de frequentadores são. Que ali ao lado tem o clube de vela, de windsurf. E tem o kitesurf. E tem o pessoal que joga futvôlei. Vôlei na praia, futebol. Inclusive a própria barraca, a gente tem uma escolinha de futebol que dá aulas para crianças de dez, de oito a dezesseis. Então.

 

P1- Vocês patrocinam algum atleta ou competição?

 

R- Atualmente não.

 

P1- Mas já patrocinaram?

 

R- Já. Bastante.

 

P1- Que tipo de esportes, assim?

 

R- Windsurf, a gente já teve, já patrocinamos bastante tempo. É, o nome dele é o Bimba, não sei se você já ouviu falar dele? Que é o Ricardo Santos. Que ele foi campeão brasileiro agora. Foi campeão sul-americano de windsurf. Nós já patrocinamos surfistas. Atualmente não tem nenhum nome assim, para andar. Mas o Bimba era o último que foi campeão sul-americano há pouco tempo. Inclusive ele está indo para, ele até hoje, ele não é mais nosso patrocinado, ele continua usando o nome do Pepê na vela dele. E foi, ele está indo para as olimpíadas. Então, é bem bacana isso. 

 

P1- É. Falando um pouco agora, né, sobre questão de pagamentos, tal. Como é que é feito o pagamento? Em dinheiro, cheque, tíquete, como o quê que...?

 

R- A maior parte é feita em dinheiro.

 

P2- A maior parte em dinheiro?

 

R- É. A gente não aceita tíquete refeição. E é dinheiro ou cheque. Mas a maior parte assim, 80% do consumidor, como é pago, é em dinheiro.

 

P1- Cartão de crédito, não aceita?

 

R- Não.

 

P2- É, e como é que foi, né, essa vida comercial ali na barraca? Quando foi, quando havia, por exemplo, troca de moeda? Era muito complicado, ou se resolvia fácil? Havia alguma confusão?

 

R- Troca de moeda assim, como assim? A gente tem muito assim, a gente recebe muito turistas de fora. E sempre a gente tem a troca de moeda. No sentido assim do, que queiram pagar no dólar ou outra moeda. Aqui a gente faz o câmbio. Então, isso aí não é problema. É uma coisa assim até que a gente está dentro assim, do nosso dia a dia. É uma rotina.

 

P1- E não. Eu pensei em uma coisa mais assim, dentro da nossa realidade mesmo. Por exemplo, quando passou de cruzado para cruzado novo? Aí de cruzado novo para cruzeiro?

 

R- Não. Acho que isso é uma coisa que a gente, acho que nós como brasileiros. Principalmente comerciantes tem assim, nós somos forçados a ter que enfrentar essa realidade. Acho que tem que ser a coisa mais rápida possível, sabe? Pegar, mudou, trocou, pá. Não muito que, adaptação é imediata. Então não pode perder aquele time não. Senão você perde dinheiro.

 

P2- E na época do Collor quando houve aquele confisco da poupança. Que ninguém mais tinha dinheiro.__________ Como é que foi essa fase para a barraca?

 

P1- Tanto para a barraca como para o restaurante. Você acha que diminuiu por um tempo?

 

R- É, está meio longe. Está longe isso. Não me lembro não. Foi o que o Collor, foi em 90?

 

P2- 92, 91, 92 o confisco foi em 89, né?

 

P1- É. Na mudança.

 

R- Pepê ainda era vivo. Isso tem quinze anos atrás. Mais ou menos uns treze anos atrás.

 

P1- Você lembra se teve alguma influência ou não?

 

R- Eu acho sim, que sempre deve ter, com certeza, uma queda no comércio. Com certeza porque atingiu 100% dos brasileiros. Quem tinha dinheiro em poupança, em aplicação isso foi um susto para todo mundo. Que teve teu dinheiro ali, bloqueado. E com certeza isso repercutiu no comércio. E foi uma fase que ninguém estava gastando. Ninguém tinha toda essa circulação de. As pessoas se assustaram, né, com esse, com o plano. Então acho que sim, com certeza teve uma grande queda no comércio. Até as coisas voltarem a normalizar. Mas na época, para falar a verdade eu não me lembro mais. Mas eu imagino isso, entendeu?

 

P1- Sabe que eu pensei especificamente com relação a isso, né? E em situações, como por exemplo, pessoas que tiveram que pagar jornal com cheque, esse tipo de coisa assim. Devido à redução do dinheiro, né, em circulação. E como vocês trabalham diretamente com o dinheiro em si. Você não lembra assim?

 

R- Eu não me lembro tanto assim. Porque foi uma época que estava, tinha acabado da minha filha nascer. Eu estava meio fora assim, um pouco. Na hora em que a minha filha, tem quinze anos, nasceu, eu fiquei um pouco fora assim, do comércio. E voltei logo depois. 90. Então não tenho muita recordação, não tenho muita. O que eu tenho e posso emitir é minha opinião própria, mas não me lembro como foi o dia a dia ali de comerciante.

 

P1- E vamos falar um pouquinho da relação patrão e empregado. Qual que é a sua relação com seus funcionários?

 

R- A minha relação é uma relação bem é, uma relação muito direta. Ela não tem muito essa coisa assim de você ter uma escala, sabe? Assim de patrão e empregada, acho que o segredo assim muito da minha relação com eles é de eu ser muito aberta. Muito direta. E muito amiga deles, sabe? E de tentar compreender um pouco assim, a história de cada um. Como, porque dentro hoje em dia, eu tenho dois restaurantes. Que é, além da Barraca do Pepê, um restaurante japonês e um restaurante de comidas. Recém, tem mais ou menos um ano de vida. E praticamente entre um e outro são quase cem funcionários. Então tem uma coisa muito assim de admiração. De você estar ali presente todo dia. E de todo mundo querer vestir a mesma camisa. De querer que o negócio dê certo. Acho que a gente tem muita uma, todos, eu me vejo, todos muito, cúmplice dos meus funcionários, sabe? Existe uma cumplicidade forte.

 

P1- E você já teve alguma dificuldade nessa relação?

 

R- Ah, com certeza. Com certeza. Tem aqueles e tem outros. Então tem uns que entram e vão. E tem outros, mas assim é bacana que a maioria dos meus funcionários estão comigo há bastante tempo. Então isso acho que faz o negócio dar certo, crescer. A tua equipe. É você montar uma equipe que queira, que vista a sua camisa. Que está ali com você, para o que der e vier. Agora, com certeza tem outros que não vestem essa camisa.

 

P2- O que é que mudou nessa relação ao longo dos anos, de um modo geral, assim? Como é que era essa relação logo lá no começo? Como é que ela é hoje em dia? Qual foi assim a transformação que você pode apontar com principal?

 

R- Não, eu acho assim, eu sempre fui muito natural com todos eles. Essa coisa espontânea, essa, é, de querer entender um pouco. A relação antes e depois você diz?

 

P2- É. Como é que era no começo da barraca e restaurante e tal. E como é que ela é hoje?

 

R- É, tenho assim, eu tenho uma equipe muito grande que me ajuda. Tem hoje em dia, eu tenho mais, é, tenho um departamento financeiro. Departamento de marketing. Terceirizo outras coisas. Então as coisas, a gente vai necessitando assim de assessorias de outras, de pessoas que ajudem você a concretizar o negócio. Agora eu tenho, é importante você estar presente no teu negócio. No dia a dia ali. Você, por mais que você não esteja comandando de frente, gerenciando de frente, você tem uma pessoa ali que me substitua no dia a dia. Mas você tem que estar presente. Tem que falar. Tem que dar um bom dia, um boa tarde, um boa noite, que for. Olhar para o teu funcionário. Olhar nos olhos, enfim. Acho que isso é bacana. Você ter essa relação de amizade também. Incentivo, sabe, uma. Acho que isso é importante.

 

P2- Ser presente, né?

 

R- Estar presente.

 

P1- Vamos entrar um pouquinho agora nos seus outros negócios. Falar um pouquinho. É, comente um pouco sobre os seus dois restaurantes assim, a especialidade.

 

R- Pois é, os meus dois restaurantes são esses. Um japonês. Todos os dois são no Leblon. Um é o japonês que existe há dezesseis anos. E outro é o Zuka, que é um restaurante de grelhados. Que tem um ano e meio, né? Quer dizer, grelhados quer dizer comida na brasa. É um restaurante bem assim, eu vejo como um conceito completamente diferente, assim dentro de gastronomia no Rio de Janeiro. Que é você ter um braseiro no meio do restaurante, que você come também. É sempre assim, a questão de gastronomia para mim é sempre ligada a uma coisa, a uma comida leve. Natural. Saudável. Assim, sem que não esteja muito ligada com gordura, fritura, manteiga. Nada disso entra dentro da minha culinária. Muita coisa ligada mesmo a grelhado. Como o japonês. Que você vê tudo, a base da culinária japonesa é crua. E do Zuka que é restaurante novo que a base é grelhado. É comida na brasa.

 

P1- E você leva esse conceito para casa?

 

R- Você tem que dizer que sim, né? Mas (riso) não posso mentir.

 

P1- ______ com os filhos e tudo?

 

R- Não assim, sim. Com certeza. Eu como muito, eu adoro comida caseira. Adoro comer arroz, feijão. Como é um, bife, não que eu não como carne vermelha. Mas um peixe e farofas, essas coisas assim eu gosto muito. Mas eu gosto muito porque eu não tenho muito no meu dia a dia. Assim, eu almoço e janto nos meus restaurantes. Se eu não como um sanduíche no Pepê, eu vou comer um japonês, ou vou comer lá no Zuka. Que são os grelhados. Mas com certeza eu passo essa noção de você saber se alimentar desde cedo. Porque eu acho que isso é a tua base da tua pessoa. Você saber se alimentar. Assim, eu acho que eu estou aqui hoje agora, principalmente por isso. Por senão eu estaria dormindo com esses holofotes aqui em cima de mim. _____ enfim.

 

P1- E nas horas de lazer assim, o que você faz assim quando você está fora do trabalho, do restaurante?

 

R- Eu adoro, gosto muito de fazer esporte. Eu gosto de, essas coisas. Eu pedalo muito. Eu gosto de pegar a bicicleta. Vivo final de semana que eu pedalei muito ali por Búzios. Subo. Faço as caminhadas de. Faço umas, é, montain bike. Velejo. Enfim acho que eu estou, sou sempre ligada muito a essa coisa assim da, do esporte. Você estar ligada, tua vida saudável e praticando esporte.

 

P1- E como consumidora? Como você é? Onde você gosta de fazer compras?

 

R- Eu gosto assim...

 

P1- Na rua, em shopping? Assim.

 

R- É. Eu tento assim, simplificar toda a minha vida assim. Aonde eu moro e aonde eu trabalho. Então tudo muito resumido assim muito no Leblon. Que é, e na Barra. Que é o início da Barra, eu moro ali na Barrinha, no início da Barra. E meu caminho é São Conrado. Então eu tomo muito pelo Fashion Mall. Tomo muito no Leblon. Minha vida acho que praticamente 80% dela é no Leblon. Que meu escritório, todo o meu quartel general é ali. E a Barra onde eu moro.

 

P1- E você é exigente assim, como consumidora?

 

R- Sou.

 

P1- Ou não liga muito para...

 

R- Não. Assim hoje, como, minha única. Eu não sou uma pessoa exigente em nada. Eu sou crítica em algumas coisas. Mas eu sou exigente em alimentação. Acho que é a minha única exigência. Mas o resto eu sou completamente flexível. E assim, no modo geral de ser. Agora, horários e com pessoas e enfim, de ser uma pessoa relaxada também. Mas assim, não se importar com coisas tão é, vamos dizer, bom. Mas assim, o que mais me preocupa realmente é você estar sabendo, você saber o que você está comendo ali. Saber que você está comendo uma comida que não está levando, sei lá, muita pimenta, muita manteiga, muita frituras. Acho que isso aí é uma, é um fator importante.

 

P1- E vamos falar um pouquinho agora da família. E dos seu filhos? Pode falar um pouquinho deles?

 

R- É, meus filhos são o maior, assim é a razão de viver. Eu tenho um casal de filhos que eles são praticamente dois adolescentes. Que são o maior amor da minha vida. E quê mais? Acho que é isso.

 

P1- E assim...

 

R- Falar um pouco deles?

 

P1- E assim, eles estudam? Você gostaria que eles continuassem aí, o seu trabalho?

 

P2- Que desse sequência à barraca, ao restaurante?

 

R- É, eu acho que sim. Acho que todos os pais. Todo mundo gostaria que os filhos assumissem um pouco o que você plantou. O que você veio na vida plantando. Acho que você gostaria que teus filhos colhessem isso mais tarde. Mas não é uma coisa que me preocupa. Não é uma coisa que eu desejo. Eu preocupo muito assim, o que eles gostam de fazer. Eu vejo assim, a minha filha não tem, a personalidade é completamente diferente da minha. Mas ela é uma empreendedora. Ela gosta assim, ela se preocupa, ela se interessa pelas minhas coisas. Ela tem cuidado, sabe assim, quando trabalho em excesso, ela às vezes ela tenta me ajudar em algumas coisas. Mas é muito jovem. Assim, eu acredito assim, que eles têm que escolher o que, para você se dar dentro de uma profissão e você se realizar, você tem que gostar muito. Então, não adianta eu querer que os dois venham assumir alguma, o meu trabalho, se eles, realmente não for essa a verdadeira vontade deles, né?

 

P2- Mas eles já têm demonstrado assim?

 

R- Não. Não demonstram não. São muito, principalmente meu filho que tem doze anos. Vai fazer treze. Ele também, ele já um pouco, já é esportista e tal. Mas nenhum dos dois se mostram interessados não.

 

P1- Mas assim, que esporte ele pratica?

 

R- Ele pega onda. Ele joga tênis. Joga futebol. Ele já puxou um pouquinho a mim.

 

P1- E assim...

 

R- E ao pai, era muito. Ao pai nem tanto. Porque o pai já era tão especial nas coisas, tudo que ele fazia, tudo dava tão certo. Então o que eu vejo assim, eu como uma pessoa mais normal, né? Gosto das coisas, mas não tem nada assim de grandes. Faço as coisas normalmente. Não é como pai que foi uma estrela que sempre brilhou em tudo.

 

P1- E se você tivesse que mudar alguma assim, na sua vida? Ou apesar de você ser uma empresária de sucesso, mas tem algum caminho, alguma coisa que você tenha se arrependido? Ou que quisesse mudar alguma opção? Que você deixou de fazer?

 

R- Não. Não me arrependo de nada. Assim, agradeço todos os dias, todas as horas da minha vida, todos os momentos. Acordo agradecendo e vou dormir agradecendo a minha vida. E acho isso muito importante. Você estar bem e você agradecer o que você tem. Então isso eu costumo fazer sempre.

 

P1- E o que a senhora achou estar participando desse projeto?

 

R- Ah, eu achei super bacana. Eu também me sinto muito orgulhosa de estar aqui, fazendo estas declarações para vocês. Enfim, é bom você estar sempre perpetuando as coisas. Você estar registrando momento de vida que você, que fazem parte da sua história, né? Então eu me sinto bem orgulhosa disso.

 

P1- Então é isso. Vamos encerrar. Muito obrigada, Ana Carolina.

 

R- Imagina. Obrigada você.

 

P1- Foi ótimo.

 

P2- Foi muito bom.

 

R- Foi? Então espero que.

 

P2- Valeu!

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