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História

Sabendo gritar pelos seus direitos

História de: Lidiane de Sena Mendes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

Foi desde muito nova que Lidiane aprendeu a se virar. O pai ela não conheceu, e a mãe abandonou-a novinha, deixando-a para a avó criar. Mais tarde a mãe voltou, mas nessa época Lidiane já havia incorporado um espírito batalhador, de ajudar em casa e procurar melhorias para sua vida. Arrumou empregos cedo, foi atrás do sustento. E foi junto com outras mulheres que descobriu um projeto de empreendedorismo social a abriram o Favela Point, um bar e restaurante para a comunidade em que vive e que oferece opção de comida e bebida até altas horas em um lugar que antes era desprovido desse tipo de serviço.

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História completa

“Meu pai não conheci; minha mãe veio do Maranhão, nasceu lá, mas veio pra cá com seis anos de idade.Minha mãe teve o primeiro filho com 14 anos, a minha irmã mais velha, Samanta. Logo depois ela me teve, mas ela abandonou a gente; foi embora. Fiquei vivendo com a minha avó e com minha outra tia que me criou até os nove anos. Aí foi quando a minha mãe reapareceu, pegou um quartinho pra morar e me levou pra morar com ela. Minha irmã teve filho com 13 anos, aí foi embora, sumiu também. Aí fiquei cuidando do filho dela. Eu era uma criança; mas eu cuidei de mim, do meu irmão. Mais tarde minha irmã reapareceu; aí ficou com a gente lá, ajudou o quanto podia. Depois ela casou, foi morar sozinha e eu com a minha mãe. Nessa época, uma vez que minha mãe chegou, eu não tinha feito nada em casa pra ajudar e ela me deu uma surra. Aí cheguei na Escola toda marcada. Nesse dia era aula de Educação Física; aí tinha que botar um shortinho de lycra, uma blusinha e a blusa da Escola por cima. E eu não queria me trocar porque eu tava toda marcada. A professora viu, perguntou o que havia acontecido “Minha mãe me bateu”. Ela disse que ia ligar pro conselho tutelar. Cheguei em casa e disse pra minha mãe que ela ia perder a minha guarda. Ela ficou brava “Como que você foi fazer fofoca lá?” Eu falei: “Eu te ajudo pra caramba com criança e tudo, e você precisa de mim. Eu dependo da senhora, mas você precisa de mim também. E você ainda me bate?” Ela começou a chorar, foi na Escola, conversou com a professora, nunca mais encostou a mão. Foi ela que me falou desse projeto que ia começar, com mulheres. Eram vinte e cinco, no começo, mas foi baixando. Acabou com sete. Era pra montar um empreendimento e davam capacitação. A reunião só era à noite, então às vezes as mulheres tinham sua família, seus filhos, era muito difícil ir. Dessas reuniões, decidimos abrir o Favela Point, que era um três em um: bar, restaurante e lanchonete. Aqui na comunidade não tinha nada pra diversão, pra esse tipo de público. Às vezes ficamos até três da manhã, e cliente bombando. Agora, a segunda-feira a quarta-feira, quando dá uma, duas horas nós fechamos. Eles já têm na cabeça “Ah, hoje eu vou no Favela Point porque está aberta”. Os outros bares abrem quando querem, fecham quando querem. Aqui em cima nós fazemos lanche, nós fazemos bolo, fazemos de tudo, tanto pra comer como pra beber.

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