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História

Se estou na praia, morrerei na praia

História de: Roberto Beraldo Fernandes da Silva
Autor:
Publicado em: 29/10/2018

Sinopse

Nessa entrevista, Roberto Beraldo conta um pouco sobre sua infância em Botafogo, sua relação com os pais e com os avós, seus estudos desde a escola até a graduação em direito, e sua trajetória dentro do BNDES, onde pretende se aposentar.

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História completa

P/1 – As primeiras perguntas são de identificação do senhor. Qual é o seu nome completo, local e data de nascimento?

R – Roberto Beraldo Fernandes da Silva.

P/1 – Posso chamar você de senhor Beraldo?

R – Pode chamar de Beraldo.

P/1 – O nome dos seus pais?

R – O meu pai chama-se José Beraldo da Silva e a minha mãe, Maria da Glória Fernandes.

P/1 – E o nome dos seus avós, você se lembra?

R – A minha avó chamava-se Benedita e o meu avô chamava-se Tito Fernandes.

P/1 – Esses são por parte de mãe ou de pai?

R – A senhora diz o quê?

P/1 – A dona Benedita.

R – Mãe.

P/1 – E qual a origem do nome da sua família?

R – (pausa)

P/1 – Só se o senhor souber, eu também não sei a origem.

P/2 - Nem todo mundo sabe. Eu também não sei o meu.

R – Não sei mesmo.

P/1 – Qual era atividade que seus pais e seus avós faziam?

R  - O meu pai era motorista, a minha mãe era dona do lar, doméstica. O meu avô era advogado e a minha avó era do lar também.

P/1 – O senhor tem irmãos?

R – Tenho, sim senhora.

P/1 – Quantos?

R – Um irmão.

P/1 – O senhor tem apelido, algum apelido?

R – Não, me chamam de Robertinho.

P/2 -  O senhor não disse só a cidade em que nasceu.

R – Eu nasci aqui no Rio de Janeiro. Vocês querem saber onde eu nasci? O local?

P/2 -  Não, só a cidade.

R – Não. Sim, senhora.

P/1 – Vamos agora falar um pouco da sua infância.

R – Certo.

P/1 – O senhor se lembra de como era a cidade na época da sua infância? O bairro?

P/2 -  Em que bairro o senhor morou?

R – Eu sempre morei em Botafogo, na Rua Marechal Niemeyer, 24, casa um, onde moravam meus avós. Meu avô Tito e a minha avó Benedita nos levaram para lá. Morávamos minha mãe, meu pai, minha avó e meu avô. E os tios também moravam lá, tios e tias também. Pelo que eu me lembro, graças a Deus tive uma infância boa. Normal, quer dizer, eu...

P/2 -  Do que o senhor gostava de brincar?

R – Eu brincava muito na rua, sempre fui de rua. Parece que nessa época havia uma obra na rua, na Rua Marechal Niemeyer e eu ficava em cima daquelas areias brincando.

P/2 – Botafogo era muito diferente?

R – Botafogo era bom, era mais calmo..

P/1 – Tinha mais casas?

R – É, mais casas. Inclusive tinha muita casa coletiva. Atualmente já não se vê mais como era antes. Muitas delas praticamente já foram demolidas. Mas sempre foi um bairro muito bom, inclusive de ligação. Se a senhora quiser ir para a cidade...

P/1 – É perto de tudo.

R - ...tem ônibus fácil. Para Copacabana tem ônibus mais fácil.

P/2 -  Seus avós que criaram você e o seu irmão?

R – A minha mãe e os meus avós.

P/1 – Como era o cotidiano da sua casa? O dia a dia na sua casa, como era?

R – Graças a Deus era tranquilo.

P/1 – E quem mandava na casa?

R – Devia ser a vovó e o vovô, né? Inclusive mais a vovó, porque dizem que mulher manda mais no esposo. (risos) A vovó é que era… Sempre ela falava, entendeu? Ela nos educou muito bem.  Minha mãe também, meu pai, graças a Deus. Mais a vovó, ela que dizia assim…

P/2 -  Ela que comandava.

P/1 – E como era ela?

R – A senhora quer dizer como?

P/1 – A sua avó. O que o senhor se lembra da sua avó?

R – Minha avó era muito boa, inclusive era a única pessoa [pra] quem eu pedia dinheiro. (risos) Só ela.

P/2 -  Era o xodó da sua avó?

R – É. Naquele tempo: “Vó, me arranja...” Se não me engano era aquela moeda, era réis, né?

P/2 -  Mil réis?

R – É, mil réis, ou réis, e ela sempre me dava. Dava também para comprar bala, algumas coisinhas. Foi, graças a Deus...

P/2 -  Ela tinha a autoridade, mas o senhor tinha esse lado aberto também com ela para poder chegar e...

R – Ah, é. A única pessoa [pra] quem eu pedia dinheiro era minha avó. Ela me dava. Quer dizer, eu também pedia à minha mãe, mas eu gostava mais de pedir à minha avó. (risos) Conversava mais com ela. Meus pais também estavam lá, mas a minha avó é que eu me… Eu digo, [me] entrosava mais com ela, ela sempre me acolheu.

P/2 -  E a escola, como é que...

R – Fiz todo o curso primário no colégio México. Ali na Rua da Matriz. Nesse ponto eu agradeço à minha mãe, ela todo dia me levava e trazia, eu e meu irmão também. Estudamos lá.

P/1 – O que o senhor se lembra lá da escola? Do que vocês gostavam mais?

R – Ah, era bom. Muito bom também. A gente… Parte de ginástica, futebol. Muitas brincadeiras. Foi realmente maravilhoso.

P/1 – E o senhor se lembra de alguma coisa na sua infância? Alguma brincadeira? Do que o senhor gostava mais de brincar?

R – Eu fui muito moleque. Gostava de jogar futebol, às vezes mexia com as pessoas na rua. (risos) Aquelas coisas de criança.

P/2 -  Você brincava com o seu irmão ou tinha o grupo da rua também?

R – Às vezes com o meu irmão, às vezes não. Às vezes com o pessoal da rua. [No] tempo de São João, nós corremos muito atrás de balão. Soltava muita pipa também. Foi uma infância, graças a Deus, bem…

P/1 – E continua a história do que o senhor se lembra?

R – Eu me lembro que eu jogava muita bola. Uma das vezes, jogando com o pessoal de mais idade, eu cheguei até a cortar um pedaço da minha orelha. Caí. (risos) Eu sempre jogava assim, no meio de pessoas da minha idade, mas às vezes com pessoas mais velhas do que eu. Porque eu tinha uma noção muito grande de futebol. Eu tive um tio chamado Tito que [dizia]: “Vou te levar ao Flamengo.” Mas nunca… [Por] esse problema de oportunidade não me levou.

P/2 -  O Flamengo perdeu um craque?

R – (risos) Olha, craque eu não vou lhe garantir, mas uma noção boa de futebol eu tinha.

P/2 -  Mas já jogava com os mais velhos?

R – Jogava com os mais velhos. Driblava bem, passava bem a bola. Chutava com as duas pernas, tanto com a direita como com a esquerda. Eu tinha uma noção muito boa de futebol. Inclusive havia jogadas que eu fazia que eu nunca vi o Pelé fazendo. Eu driblava e ao mesmo tempo letrava, dava uma letra com a bola. Fazia uma coisa, eu jogava muita bola mesmo. Infelizmente...

P/1 – Quem era seu ídolo de futebol naquela época? Era o Pelé, era o Garrincha?

R – O Pelé, o Garrincha, eu gostava de vê-lo jogar.

P/1 – Mas tinha um que você gostava mais?

R – Mais o Pelé, pelo tempo de futebol que ele jogou. Ele começou novo e cada vez mais ele [foi] evoluindo o futebol. Foi até campeão mundial, então sempre foi essa pessoa de mais atração dentro do futebol. Falou em Pelé, todo mundo conhece. É o rei do futebol.

P/1 – E na escola, o senhor era bom aluno? Como era a escola?

R – Eu era bem... Sinceramente, tirava boas notas também no colégio. Também fazia muita bagunça. (risos) Apesar que era garotão ainda, novo, quer dizer a gente... Mas, graças a Deus, foi tudo também bem.

P/1 – Que bagunça o senhor fazia? Que lembranças o senhor tem da escola?

R – Na aula, a gente falava muito às vezes. Não prestava, uma hora ou outra, atenção na aula. Graças a Deus, com o decorrer do tempo a gente vai entendendo melhor as coisas e procurando... Embora sejamos crianças, o ser humano tem essa intuição de naquela idade saber que o importante, o melhor, é o estudo. Mas a gente ficou naquela coisa, ouvia falar: “Estuda, estuda, estuda. Trabalha para você ser uma pessoa assim, servir bem a sociedade.” Foi, graças a Deus, maravilhoso.

P/1 – O senhor era bom aluno.

(pausa)

P/1 – Então, Beraldo, nós estávamos falando sobre o seu período escolar. Quais eram as suas lembranças. Que lembranças o senhor tinha da escola. E eu tinha pedido, acredito que tinha pedido que o senhor descrevesse um pouco sobre esse período que o senhor na escola. Qual era a escola, Beraldo?

R – Colégio México. Ficava na Rua da Matriz, não sei precisar o número, [em] Botafogo. Era um colégio público, do governo. Graças a Deus foi tudo bem, graças a Deus. Eu tive professoras muito boas.

P/2 – Tinha algum que o senhor gostava mais?

R – Tinha a dona Deise que era professora. A diretora, eu não me lembro o nome dela agora, mas foi bom. Graças a Deus, foi tudo bem.

P/2 – A turma era legal?

R – A turma legal. É.

P/1 – Agora vamos falar um pouquinho sobre a sua juventude, quando o senhor era adolescente. O senhor tinha grupos de amigos, que lugares o senhor frequentava, se gostava de cinema, os primeiros namoros. Como era a sua juventude? Também era em Botafogo?

R – Eu ia muito para Copacabana, tinha um pessoal no Posto 6. E...

P/2 -  Ia à praia?

R – É, a praia eu gostava. Gostava mais de ir à Praia do Flamengo. E lá no Posto 6 eu sempre ia a noite, ficava lá com o pessoal conversando, aquela... Eu gostava também de música. Inclusive estava muito em moda a Bossa Nova. Sempre gostei de andar mais sozinho. Uma vez ou outra com os meus colegas, mas sempre fui de andar sozinho.

P/2 -  O senhor gostava de ir às festas? Tinha festas?

R – Também ia às festas.

P/1 – Como o senhor se vestia na sua juventude? O senhor se lembra de como o senhor se vestia?

P/2 -  Como era a moda? Alguma moda?

R – Eu me vestia praticamente… Normalmente gostava sempre de sair mais bonitinho, simpático, pra… Também mexia com muita moça pela rua.

P/2 -  Então era paquerador?

R – É, tudo praticamente tem o seu tempo de ser. A gente quando é mais jovem se sente mais...

P/2 -  Como é que era seu “sair bonitinho” na época? Qual era? Tinha alguma coisa especial?

R – Era uma calça passadinha direitinho, aquela coisa bonitinha. Perfumezinho, compreendeu? Como pobre, mas mais ou menos arrumado de uma maneira minha, que não era para aparecer. Mas uma maneira mais ou menos agradável.

P/2 -  Quando foi a primeira namorada?

R – Olha, eu vou lhe contar, senhora, eu namorei pouco. (risos) Eu digo pouco no sentido porque eu gostava mais de sair, pegar a mulher e sair mais. Mas eu nem me lembro agora qual foi a primeira namorada.

P/2 -  Não, né? Estava tão  ____________

R – (risos) Eu tinha, era mais sair para ali, sair para cá. Namorava uma, namorava outra, é fase. Tudo, tudo. Todos nós temos uma fase.

P/2 -  Lógico.

P/1 – E o senhor frequentava mais a praia?

R – Praia.

P/1 – Mas tinha lanchonetes, bailes, o senhor ia?

R – Eu parava muito ali no Posto 6 na, ali perto da Galeria __________, por ali. Inclusive eles, o Timóteo às vezes falava: “Não, essa é a galeria do amor, não sei o quê.” Mas eu andava muito ali, tinha muitas amizades.

P/2 -  Ainda jogava futebol? Continuava jogando? Gostando?

R – Às vezes jogava na praia. Onde eu estudei, no Colégio Resende, na Rua Bandeira, também jogava muito futebol.

P/2 -  Mas já tinha mudado de escola?

R – É, aí eu já estava no ginásio. Acabei o curso primário no Colégio México e depois fui para o Colégio Resende. Agradeço à minha mãe e minha tia, que foi muito maravilhosa, a minha tia Carmem. Ela era solteira e gostava muito de nós, eu e meu irmão.

P/1 – Como era sua tia? Ela morava com vocês também?

R – Também morava com a gente.

P/1 – E como ela era? O que o senhor achava nela ali?

R – Ah, ela era maravilhosa. Ela era funcionária do Ministério da Fazenda. Ela sempre olhou pela gente.

P/2 -  Mas só para retomar, ela que recomendou que o senhor fosse para esse outro colégio?

R – É. Ela e minha mãe.

P/2 -  Ela e sua mãe.

R – Não, eu quando terminei o curso primário, praticamente eu teria que seguir. Estudar. Então essa tia Carmem com a minha mãe que...

P/2 -  Escolheram.

R - Esse colégio, entendeu? Mais a tia Carmem, ela foi que mais ou menos me ajudou a estudar. Agradeço obviamente a Deus, a minha mãe, a tia Carmem, que foram as pessoas que me incentivaram muito.

P/1 – E como elas incentivavam? O que é que a sua tia Carmem fazia? Incentivava de que maneira?

R – Para eu estudar, inclusive ela pagava para mim o colégio. A minha mãe tratava de outras coisas. fazia a minha roupa. Ela também me incentivava: “Meu filho, estuda.” Foi isso.

P/1 – Na sua família havia alguma expectativa que o senhor seguisse alguma carreira? Por exemplo, essa sua tia queria que você seguisse alguma carreira?

R – O vovô sempre também me incentivava: “Estuda.” Sempre me chamava, conversava comigo. Ele dizia: “Estuda, porque o homem não deve viver sem estudar.” A ter um conhecimento melhor das coisas, sempre me incentivava. E a tia Carmem também: “Você estuda.” A minha mãe também: “Você estuda.” E eu continuei estudando, graças a Deus.

P/1 – E nessa…

P/2 -  Aí acabou o segundo grau no mesmo colégio, nesse da Bandeira.

R – Isso. Aí eu fiz o curso pré-vestibular e fiz uma prova da Faculdade SUESC [Sociedade Unificada de Ensino Superior e Cultura]. Passei e aí...

P/2 -  Para que curso?

R – Para Direito. E foi lá onde eu me formei.

P/1 – Na sua juventude, o que o senhor pensava de uma carreira futura? O que o senhor pensava de uma carreira de trabalho? Tinha alguma expectativa, tinha algum sonho?

P/2 -  O senhor se formou em que ano?

R – Se eu não me engano foi em 86, 1986.

P/2 -  Seguindo a pergunta que a Solange tinha feito: qual era o seu sonho quando o senhor se formou? Nessa época?

R – Eu sempre gostava de Direito, achava Direito um curso maravilhoso, muito bom. Foi o que eu procurei fazer.

P/1 – E como foi entrar no curso de Direito?

R – Foi bom.

P/1 – Como foi essa decisão de entrar para fazer o curso de Direito?

R – Foi bom. Eu fui lá, fiz a inscrição no Suesc. Marcaram a prova, eu fui lá, fiz a prova. Passei, fui chamado, graças a Deus. E aí continuei os estudos. Foi maravilhoso, eu sempre gostei de Direito.

P/2 -  E o ambiente na Faculdade, como era?

R – Era bom o ambiente.

P/2 -  Os colegas, as aulas?

R – Era bom. Muitos professores bons, muito negócio… O nome, né? Desembargador. O Dr. Álvaro Mairink. A Dra. Juíza Neusa Bittar, que era de Direito Penal. E o Dr. Álvaro era de Prática Forense. Professores maravilhosos.

P/2 -  Dessas cadeiras qual você gostava mais?

R – Eu gostava de todas elas, praticamente… A cadeira que a senhora fala é o quê?

P/1 – A matéria.

P/2 – Se é o Direito Penal, a matéria, ou...

R – Eu sempre gostei mais da parte penal.

P/2 -  Achava mais interessante.

R – É, mais interessante.

P/1 – E o senhor já trabalhava no banco?

R – Já trabalhava no banco.

P/2 -  Ao mesmo tempo que trabalhava estava fazendo o curso?

R – Era só de manhã...

P/1 – Como foi trabalhar e estudar?

R – A gente… Como tudo na vida é uma luta, eu dei sorte de Deus me ajudar e passar a força de acordar de manhã e ir para a faculdade. De lá eu pegava no banco [às] onze horas. Tive também lá no banco a ajuda da dona Selma, trabalhei [por] vinte anos com ela. Selma de Magalhães Vieira Pinto, se não me engano. E a dona Maria Jandira, que também foi uma outra secretária muito boa. Agora já saiu do banco, a dona Maria Jandira. E a dona Selma continua lá.

P/2 -  Mas aí você trabalhava, entrava no banco às dez ou às onze horas...

R – Não, eu tinha horário especial. Pegava às onze e largava às sete.

P/2 -  E aí ia para a faculdade?

R – Não.

P/2 -  Era de manhã? Mais cedo?

R – Era de manhã, mais cedo.

P/2 -  Ou pegava um pouco mais tarde.

R – Às vezes tinha aula à noite, aí eu ia também. Graças a Deus. Era das sete, acho que às 10.

P/2 -  E o banco incentivava você a concluir seu curso?

R – É. Eu, graças a Deus, tive pessoas no banco que sempre me deram esse apoio.

P/2 -  Você entrou para o banco fazendo uma prova?

R – É.

P/2 -  Conte um pouquinho.

R – Eu fui, não me lembro. Apareceram, se não me engano, centenas de pessoas para também fazer essa prova. E eu passei em trigésimo-segundo lugar. Depois tivemos uma ambientação que o banco deu. Maravilhoso, uma coisa muito boa. Era um cursinho que o banco dava para o pessoal procurar trabalhar da melhor maneira possível, com todo respeito às pessoas do banco. Foi uma coisa maravilhosa. Graças a Deus. Inclusive a minha mãe, ela gostava muito também do banco.

P/2 -  Depois dessa prova teve um tempo fazendo um curso, como todos que entravam?

R – Isso, é.

P/2 -  Conte um pouco desse curso. O que vocês… Como era?

R – Ah, foi bom. Foi um curso normal, para orientar a gente. [Sobre] Problema de responsabilidade. Foi um curso maravilhoso, muito bom mesmo.

P/2  - Tinha o quê? Era um curso [que durava] metade do dia? Uma hora por dia?

R – Se não me engano esse curso era… Se eu estou lembrado, parece que esse curso era de manhã.

P/1 – Como é que o senhor soube?

R – Soube o quê?

P/1 – Como o senhor soube desse trabalho no BNDES? Como é que o senhor entrou? Como o senhor soube?

R – Esse concurso foi o seguinte:  eu ainda trabalhava nessa firma, Cosfom. Fui fazer uma vez uma cobrança na lagoa e o porteiro diz: ”Olha, eu conheço você. Eu moro em Botafogo.” Aí começou a conversar comigo. “Aqui mora o diretor do BNDES.” Era o Doutor Afonso Guerreiro. Aí eu contei a minha história para ele toda. Ele falou: “Então manda ele lá.” Aí eu fui lá no banco, procurei um doutor que era assessor dele, o Doutor Guedes, aí me indicou: “Você vem aqui, faz a inscrição que vai ter uma provinha. Você faz, eu ________ que você vá passar.” E daí, graças a Deus, foi tudo bem.

P/1 – Mas me conte como foi esse tudo bem.

R – Tudo bem que eu fui lá, fiz a inscrição, depois eu fui fiz a prova.

P/2 -  A prova foi difícil?

R – Não, foi fácil. Português, Matemática, parece que teste psicológico. Mas foi muito boa a prova.

P/2 -  Então o BNDES não foi o seu primeiro trabalho?

R – Não.

P/2 -  O senhor tinha trabalhado...

R – Isso.

P/2 -  ...nessa outra firma chamada?

R – Chamada Cosfom Serviços Eletrônicos, se eu não me engano. Ela consertava ar-condicionado, televisão. Era uma firma muito boa, ali na Rua Álvaro Ramos.

P/2 -  Perto do senhor?

R – É.

P/1 – Com que idade o senhor a trabalhar?

R – Comecei a trabalhar lamentavelmente um pouco tarde. Eu comecei a trabalhar com mais ou menos a idade de 28 anos.

P/2 -  Até aí só tinha estudado?

R – É, só. E depois então eu continuei o meu...

P/2 -  O seu curso.

P/1 – Eu acho bom.

P/2 - O senhor fez a prova e foi trabalhar em qual prédio? Nessa época o BNDES ainda não era na [Avenida República do] Chile, né? Conte um pouquinho.

R – É. Nessa época a sede do BNDES era na Avenida Rio Branco, 53. Lá foi onde eu, aliás inclusive naquela época o banco estava todo dividido, né? Ali era a sede no Rio de Janeiro do banco. Ele estava todo dividido -  [na] Rio Branco, na Presidente Vargas, ali na... Ele estava todo dividido.

P/2 -  Espalhado em vários prédios ali no centro?

R – Isso, perfeito. E depois, com o tempo, fizeram aquele prédio. Agora que está na Chile, [é] maravilhoso, concentrou todo mundo.

P/2 -  E esse prédio da Rio Branco era o prédio todo do BNDES ou só alguns andares? Conte um pouquinho.

R – Não, esse prédio era o prédio principal do BNDES, que era na Avenida Rio Branco, 53. Mas já havia as subsidiárias divididas. Estava na Rio Branco, mais para lá um pouco. Tinha aqui na Rio Branco, 110, tinha na Rio Branco, 125. Tinha na Presidente Vargas...

P/2 -  Mas esse prédio que o senhor trabalhava era o prédio inteiro do BNDES?

R – É. Esse era inteiro do BNDES.

P/2 - E como era o seu trabalho logo de início?

R – Nós trabalhávamos também nessa mesma função. Nós até trabalhávamos de paletó, gravata. Era um paletó sem gola. Paletó bonitinho, azul. Era uma coisa bonitinha.

P/2 -  Como era o paletó?

R – Paletó sem gola, mas era um paletó bonitinho. Com um emblema no bolso do BNDES. Uma coisa bonitinha. Uma coisa bem...

P/2 -  Gravata.

R – É. Gravata.

P/2 -  Então tinha esse uniforme.

R – É, uniforme. Agora que parece que eles aboliram.

P/2 – E o senhor foi trabalhar com quem? Em que setor?

R - Eu primeiramente eu fui trabalhar com com o doutor Abade no gabinete. Ele era diretor. A dona Gilda Reipe era coordenadora. Coordenadora? Não, acho que era, o Doutor Abade era o diretor. Se eu não estou lembrado a dona Gilda era superintendente, qualquer coisa. Eu não estou lembrado mais ou menos.

P/2 -  Mas conta...

R – E depois eu fui para outro setor. Eu fui trabalhar com o Doutor Fabiano Carneiro, que era o coordenador se não me engano da área de Planejamento. E daí eu vim embora. Trabalhando com alguns diretores. Aliás superintendentes, diretores e hoje eu estou com o Doutor _____________, que é diretor do BNDES.

P/1 – Beraldo, voltando um pouquinho, o senhor  se lembra do primeiro dia de trabalho? O primeiro dia que o senhor chegou no BNDES?

R – A senhora me desculpa, eu não lembro.

P/1 - E as primeiras impressões que teve?

R – Eu sempre tive muito boa impressão do BNDES.

P/1 – O senhor já sabia o que era o BNDES quando entrou?

R – Não, eu… Eu tinha uma, digo assim, uma boa primeira impressão. Quer dizer, quase que um acerto, que seria um bom emprego. Como graças a Deus é até hoje.

P/1 – E qual era o sonho que o senhor tinha quando entrou no BNDES? Que era um bom emprego. Que sonho o senhor tinha?

R – O sonho era trabalhar bem e, conforme fosse, melhorar mais a minha situação lá dentro.

P/2 -  Tinha alguma coisa assim que o senhor não gostou, ou que achou mais  chato? Sempre tem, né?

R – Não.

P/2 -  Sempre tem alguma coisa que a gente gosta mais, outras que a gente gosta menos.

R – Não, até que não.

P/1 – E o senhor entrou de contínuo?

R – É.

P/1 – E que atividades naquela época que o senhor entrou… O que é que o senhor fazia? O que é que  um contínuo fazia?

R – Um contínuo, eu, por exemplo, era entregar documentos. A secretaria saía, ficava atendendo telefone. Fazia alguns trabalhos externos também. Era isso, principalmente.

P/1 – E o senhor gostava de fazer?

R – Lamentavelmente… Nós temos que sinceramente agradecer a Deus, porque de fato é uma função honrosa e eu dependia daquilo que fazia para sobreviver, né? Porque o nosso salário era o nosso trabalho.

P/1 – O senhor falou que trabalhava no serviço externo. Como era, na época que o senhor entrou, o centro do Rio de Janeiro? O senhor se lembra?

R – Ah, não me lembro. Eu digo assim, no banco eles pediam muita coisa para a gente fazer fora: pagamentos, ________ e nós fazíamos isso. Quando eu digo serviço externo, [eu digo] assim. Eu graças a Deus sempre fui uma pessoa prestativa e sempre procurei seguir aquele ditado que Deus… “Quem não vive para servir não serve para viver.” Então eu sempre procurei servir as pessoas bem. Sinceramente, com toda a vontade e honestidade de fazer um bom trabalho. Quando recebi a medalha de vinte anos fui a pessoa mais aplaudida de todas e quando eu recebi também a de 25 anos repetiu-se o mesmo feito. E eu estou muito... Fico muito orgulhoso, satisfeito e quero agradecer aos colegas do banco por terem me dado a...

P/2 -  O reconhecimento do seu trabalho.

R – Isso. Do meu trabalho, da minha amizade, da minha sinceridade, da minha honestidade. Inclusive eu acho que todo mundo gosta de ______________. É aquele problema: dizem que Jesus não agradou a todos, mas acho que a maioria, mais do que a maioria, entendeu, era a favor de Jesus.

P/2 - Me conte um pouco. O senhor trabalhou primeiro com o senhor Abade, depois mudou.

R – É, o Doutor Abade, o Doutor Couto.

P/2 -  Qual era a diferença de um setor para o outro do seu trabalho?

R – Porque lá era Diretoria, diretor, e o outro era coordenador.

P/2 -  O seu trabalho era o mesmo, tanto em um...

R – É. justamente. Praticamente era o mesmo.

P/2 -  Então o senhor, depois do senhor Abade, foi para qual diretor?

R – Não, eu fui trabalhar com o coordenador, Doutor Roberto Cardino, e trabalhei também com o superintendente, Doutor Paulo Ariosto. E fui trabalhando com diretores. Só.

P/2 -  Quando o senhor entrou já tinha alguma associação de funcionários que vocês se reunissem? Como é que era a vivência dentro do banco com os outros funcionários, suas amizades?

R – É, graças a Deus eu sempre procurei ser amistoso. ________ , muito brincalhão, mas cumprindo sempre a minha responsabilidade. Graças a Deus eu nunca tive problema com documento, com dinheiro, tanto é que estou lá nos bancos, no Banco do Brasil no qual eu recebo, e no Banerj, que é agora Itaú; eu nunca dei um cheque sem fundo. Sempre procurei agir com a maior honestidade. E sempre prestativo aos colegas.

P/2 -  E nunca deu nem um rolo, não trocou papel com...

R – Não. Graças a Deus, nunca tive esse problema.

P/2 -  Isso às vezes acontece, papel para lá, papel para cá.

R – É, isso. Graças a Deus nunca tive esse problema. Isso eu lhe digo com toda sinceridade. Nunca tive esse problema.

P/2 -  Conte um pouco mais da…. Como era a relação entre os outros funcionários? Tinha um grupo de amigos que jogava futebol no fim-de-semana? Alguma associação?

R – É o pessoal da associação, íamos para a Barra jogar futebol. Eu ia lá às vezes na Barra.

P/2 -  Íamos quem? Conte um pouco como era.

R – Não, eu ia sozinho. Eu ia encontrar com o pessoal lá na Barra.

P/2 -  O pessoal do banco também, vocês combinavam?

R – É.

P/2 -  Conte um pouco.

R – Eles marcavam um futebol na Barra. Íamos. Inclusive eram vários times.

P/2 -  Quem ia? Conte um pouco dos colegas que iam?

R - Nós nos encontrávamos lá mesmo lá na sede da Barra.

P/2 -  Ah, tem uma sede na Barra? Conte porque a gente não é do banco, a gente precisa saber.

R – Tem uma sede _______ esportiva, mas também tinha shows. Uma coisa maravilhosa, o que eu posso falar é só isso. Não tem mais nada que eu posso... Inclusive eu até gostava de ir na Barra por causa do ar. Aquele ar me fazia muito bem por causa daquelas florestas que… Vai e _________ volta, né? Aquele ar maravilhoso e eu me sentia muito bem.

P/2 -  Mas é uma sede do banco para esportes, é isso?

R – É, esportes, tem outras atividades aquilo. Já teve show, almoço. Mas é a sede do banco.

P/2 -  Que área da Barra, você sabe dizer?

R – É, eu não estou lembrado agora.

P/2 -  Beraldo, então vamos retomar a parte do seu trabalho. Você trabalha também muito ligado com as secretárias.

R – Sim, senhora.

P/2 -  Como é essa parceria?

R – Graças a Deus, sempre me dei bem. Sem...

P/2 -  Tem alguma rotina que o senhor já sabe ou cada dia é diferente?

R – A rotina que a senhora fala, não, o trabalho praticamente é aquele: documentação, pagamentos, xerox. Todo esse é uma ordem lá do trabalho do banco, nós temos que cumprir esse mandato, esse trabalho. Fazê-lo com amor, carinho, respeito. Mais vontade para trabalhar. Gosto ou não, mas tem que fazer aquilo com bom gosto para que a coisa saia com melhor em decorrência do banco, mais desenvolvimento do banco. Porque cada um de nós, trabalhando de uma forma bem… Quer dizer, praticamente só vamos colher um melhor desempenho para o banco. Um bom desenvolvimento para que a sociedade se sinta até mais... Acreditar.

P/2 -  Quando o senhor chega na segunda-feira tem algum trabalho já certo ou é a cada dia...

R – [Quando] eu chego [na] segunda-feira é aquela mesma rotina. Trabalho de documento, pagamento, xerox.

P/2 -  Dessa rotina qual é a parte que o senhor gosta mais?

R – Não é dizer que a gente gosta. Nós temos que _______________ cumprir o que é o nosso dever melhor.

P/1 – O senhor tem um contato direto com os coordenadores e os superintendentes do banco?

R – Diretamente a gente… Mas sou bem, digo assim, relacionado. Cumprimentos, presidente, diretores. Eles têm as salas deles separadas da nossa, mas não impede o nosso contato. Quer dizer, que eles não… Precisam falar conosco às vezes para fazer um trabalho, alguma coisa. Nós estamos, eu pelo menos sempre estou disposto a servi-los da melhor maneira.

P/1 – Teve algum diretor que o senhor tenha trabalhado que marcou mais o senhor? Que tenha sido importante na sua carreira no banco?

R – Praticamente todos eles foram, eu sempre os vi com bons olhos. Sempre me trataram bem, sempre tiveram respeito sobre o meu trabalho, sobre a minha pessoa. E eu sempre procurei agir de uma forma assim, que me levasse a ter essa consideração, esse respeito. Eu sempre procurei trabalhar com amor, carinho, tudo de bom, graças a Deus.

P/1 – O senhor trabalhou com a coordenação da área de planejamento. Como foi esse convite para trabalhar como contínuo na coordenação da área de planejamento? Como surgiu isso?

R – Esse convite, eu não me lembro muito bem, senhora.

P/1 – E como funcionava? O senhor se lembra como funcionava esse setor da área de planejamento?

R – A senhora quer dizer no tempo do Doutor Bencardino?

P/1 – Hum, hum.

R – Que eu fui trabalhar? Eu tinha uma chefe, que era dona Maria da Glória. Ela que era a coordenadora que distribuía os trabalhos. “Fulano, faz isso. Beltrano, leva no lugar tal.” Foi uma coisa bem feita. Eu me adaptei muito bem também, graças a Deus. Foi tudo maravilhoso, graças a Deus.

P/2  - Tinha outros contínuos trabalhando nessa área?

R – Tinha outros contínuos. Ela distribuía a documentação para cada um que levava. Um ficava lá dentro também, que às vezes o coordenador precisava, ela também tinha uns trabalhos para entregar dentro. E eu saía para entregar fora do banco porque naquela época, como eu havia dito às senhoras, o banco estava todo dividido.  

P/2 -  Aí ia de um prédio...

R – Ao outro entregando a documentação. Foi um trabalho, graças a Deus, maravilhoso. Eu sempre procurei fazê-lo da melhor maneira possível. E respeitando sempre o meu trabalho.

P/1 – Beraldo, me conte um pouco [sobre] essa mudança. O senhor trabalhava antes na Avenida Rio Branco.

R – É.

P/1 – Me conte um pouco dessa mudança para a mudança do prédio da Avenida Chile, onde está hoje.

R – Não resta a menor dúvida, essa mudança veio unir o banco todo, porque agora o banco está em um prédio só. Todos os funcionários trabalhando de uma maneira, vamos dizer, maravilhosa. Muito bom ali, é bem localizado. Foi uma coisa muito boa.

P/1 – Houve alguma modificação no seu trabalho?

R – Não, continua na mesma. Mesma função, como contínuo.

P/2 -  O senhor trabalha com computador também?

R – Não, eu não. Mas há colegas lá que trabalham com computador.

P/2 -  A entrada do computador diminuiu o número de papéis ou aumentou? Como ficou o seu trabalho? Teve alguma mudança?

R – Olha, é porque o computador faz aquela impressão que… Justamente o papel é o fator primordial, né? É impresso ali no papel que vem para a distribuição, para xerox, tudo. Inclusive dizem que a parte de computadores e outros veio desenvolver muita coisa nesse país. Às vezes, por exemplo, trabalhava três, quatro pessoas aqui e agora não precisa mais porque o computador já faz aquele trabalho todo. Infelizmente.

P/1 – E na área de trabalho do senhor?

R – Não.

P/1 – Isso modificou a introdução da informática, do computador?

R – Não, graças a Deus. Foi melhor para o banco, melhor que a gente sabe. O banco não precisa mais... Inclusive é mais rápido, é mais prático. Não precisa uma pessoa estar escrevendo ali porque o computador já faz as coisas com mais rapidez. Como a xerox também; antigamente, se não me engano, [tinha] aquela parte de mimeógrafo, né?

P/1 – Hum, hum.

R – E a xerox veio suprir aquele modo de trabalho por um modo mais acessível, mais prático. Mais fácil, melhor e inclusive uma das coisas melhor, que é a rapidez. A pessoa não precisa ficar esperando. Quer dizer, espera, mas a coisa é mais rápida, anda mais.

P/2 -  E o serviço de telefonista também no banco?

R – Ah, eu trabalhei uma ocasião inclusive com o Doutor Mandarino. A secretária saía, a Selma, e eu ficava lá. Naquele tempo, lá na sede - ainda era no [número] 5053 -, as reuniões de diretoria eram mais tarde e eu ficava até tarde com o Doutor Mandarino. Eu no telefone, recebendo documentação, esse tipo de coisa. Eu trabalho ainda hoje com a secretária: [se ela] vai almoçar, alguma coisa, eu fico lá também, dando uma ajuda no atendimento telefônico. De telefonema para o diretor. A gente atende.

P/2 -  Qual é o seu horário de trabalho?

R – Eu agora pego [à] uma, fico lá de uma até as oito, até as sete, às vezes. Eu fico lá de uma até mais ou menos as oito horas. Às vezes, uma ou outra vez que eu saio, mas nunca saí cedo do banco, sempre saí tarde. Precise ou não de mim, mas aquele problema, né? Sempre alguém precisa, então tem sempre alguém lá para dar uma... E eu sempre fui assim, sempre gostei de ajudar. Até acham: “Não, mas está puxando o saco.” (risos)

Não é questão de puxar saco. A gente tem que fazer a coisa de uma forma um pouco mais… Dar um pouco mais de si, que é para ter um certo reconhecimento. Não é que seja interesse. Isso é bom porque quando a gente precisar também merece pela atenção, pela dedicação. Que o banco evolua mais, progrida mais, melhor, desenvolva-se mais. É uma coisa maravilhosa a gente ouvir: “Poxa, BNDES? Trabalha lá? É um banco maravilhoso!” Graças a Deus e aos funcionários que trabalham. O diretor, os presidentes também são pessoas maravilhosas que procuram, também ajudam a levar o banco, como os outros funcionários que também têm essa função, esse pensamento de desenvolver o banco. Fazer com que o país seja sempre feliz de ter um banco desse aqui no Rio, até no Brasil, até no mundo. Que procura fazer tudo de bom para a sociedade. Porque tudo o que nós fazemos nós temos que… Fazemos para os nossos semelhantes. Nossos irmãos, né? (risos) Muita gente acha: “Não, não, não.” Todos nós somos irmãos. Pelo menos nosso sangue é. (risos)

P/2 -  Trabalhando com esses superintendentes, com esses diretores, volta e meia você acompanha o que está sendo feito no banco, né? Esses projetos?

R – Eu não vou dizer à senhora com certeza, mas algum… Eu não posso dizer à senhora com muita certeza isso. Essa parte aí já...

P/2 -  Qual desses que foram feitos até hoje que o senhor achou mais legal? No seu ponto de vista?

R – O banco sempre prestou, pelo que eu soube, ajuda a muitas empresas. Inclusive uma que eu me lembro, se eu não me engano, era Nova América, era de tecidos. Estava em uma situação difícil, o banco ajudou a levantá-la. E outras mais empresas, que o banco tem feito muito boa coisa. Ao meu ver, foi uma dádiva até de Deus aparecer um banco desses no país para ajudar, para incentivar as empresas. Para mim é um banco maravilhoso, fale quem falar. É um banco maravilhoso.

P/1 – Agora o senhor está trabalhando com o senhor Darlan Dória, né?

R – É. Doutor Darlan Dória.

P/1 – O que representa agora… O senhor já trabalhou com vários diretores.

R – Sim, senhora.

P/1 – Como essas mudanças ocorrem? O que acontece no seu cotidiano? O que representa trabalhar, por exemplo, para o seu Darlan Dória?

R – O Doutor Darlan é uma pessoa muito boa, um diretor muito bom. É, digo assim, compreensivo. Eu tenho em mim [que] ele é uma pessoa maravilhosa, também. Muito bom de se trabalhar.

P/1 – Há muitos cargos, graus hierárquicos dentro do banco?

R – Olha...

P/1 – Tem presidente, vice-presidente, tem muitos graus hierárquicos no banco?

R – Isso eu não posso afirmar à senhora com...

P/1 – E como é formada a equipe de trabalho do senhor? O senhor tem uma equipe de trabalho, as pessoas que trabalham com o senhor… Como ela é formada? Que trabalham diretamente? Como é formada essa equipe de trabalho? O senhor não trabalha sozinho?

R – Sim.

P/1 – O senhor trabalha com quem? Quem são as pessoas que trabalham com o senhor, mais diretamente?

R – Tem, trabalham comigo só as secretárias e trabalham umas… Se não me engano… Trabalham conosco uns quatro contínuos. Só que eles, quer dizer, eu trabalho com o Doutor Darlan, outros trabalham com o presidente. Outros trabalham para outros diretores e trabalha também os menudinhos, que foram postos agora. Que são menores. Trabalham parece que até uma certa idade, depois saem do banco.

P/1 – Como, o que são esses menudos?

R – Eles só me ajudam. Levar documento, geralmente fazem um trabalho paralelo ao nosso, quase igual ao nosso.

P/2 -  O senhor estava nos contando que o senhor está trabalhando agora com o diretor Darlan. Só para a gente recapitular...

R – Há mais ou menos um ano, ano e pouco. Há mais ou menos isso.

P/2 -  Antes do diretor Darlan o senhor trabalhava com quem?

R – Eu trabalhava com… Foi um diretor que saiu ultimamente, não sei se foi o doutor, eu não estou lembrado se foi o Doutor Hélio Blak. Eu não estou lembrado. É o último diretor que saiu, eu não me lembro qual é.

P/2 -  Com a saída desse diretor, o diretor Darlan chamou o senhor para trabalhar?

R – É. Fui trabalhar com ele.

P/2 -  Já conhecia o diretor?

R – O Doutor Darlan era da Fename, eu já conhecia o Doutor Darlan. Ele me convidou também para trabalhar com ele, conversei com ele. “Você vem trabalhar comigo.”

P/2 -  Ele já conhecia o senhor, gostava do seu trabalho e puxou para trabalhar com ele?

R - A maioria do pessoal também eu conhecia do banco, estava sempre em contato. E praticamente sempre  _________ com o Doutor Darlan e o pessoal todo. Aconteceu isso. Ele me chamou para trabalhar, eu fui trabalhar com ele. Fui lá primeiramente e conversei com ele isso. Ele: “Não, no setor tal.”

P/2 -  Quanto tempo está trabalhando?

R – Não estou muito bem lembrado, mas eu acho que deve ter mais ou menos um ano. Mais de um ano, um ano e pouco. É,  tem mais de um ano sim.

P/2 -  Mudou de andar, não?

R – Não. Nós estávamos no décimo andar, onde estava toda a diretoria, mas em cada sala separada e agora subiu, foi lá para o décimo-nono andar. Reuniram em uma sala só os presidentes, diretores, mas cada um com uma função diferente. Parece que o Doutor Darlan pertence a área de créditos. O Doutor José Mauro é o vice-presidente. A Doutora Beatriz, acho que é da área social. O Doutor Isaac Zamora é da parte administrativa.

P/2 -  São quatro?

R – São quatro, não. Acho que tem mais. Eu não estou lembrado agora do outro diretor. Doutor Darlan, Doutor Isaac, a Beatriz, Doutor Eleazar, que agora foi para presidente e entrou um outro diretor novo, o qual não estou muito bem me recordando. Mas tem outro diretor novo lá.

P/2 -  O banco costuma fazer cursos para os funcionários? O senhor fez algum curso durante esses anos, além daquele inicial?

R – Fiz uns cursos lá, um curso para fazer concurso. O banco dava alguns cursos antes. E eu andei fazendo alguns cursos.

P/2 -  Conte algum para a gente.

R – Agora não estou muito bem lembrado, mas o banco deu alguns cursos. Não me lembro agora.

P/1 – Beraldo, me conte qual a importância do contínuo no banco? Ele tem uma função, qual a importância do contínuo no banco?

R – Olha, é...

P/1 – O que ele faz de importante no banco?

R – Uma coisa na função, acho um negócio complexo, porque uns acham, outros não acham. Mas quem tem que achar que o contínuo é importante é o próprio contínuo porque ele tem que trabalhar de uma forma que não só a presidência, a diretoria, como todos os funcionários, as secretárias vejam nele qualidade, vejam nele o valor. Vejam nele desempenho. Tudo isso de melhor para engrandecimento do próprio banco. Que agrade a todos nesse sentido de trabalho, de amor, carinho. Ele tem que ter com ele e se mostrar, mostrar que é um trabalho de importância. Então você levar um papel, às vezes é um documento de urgência que tem que ser feito com o maior carinho, com o maior amor, com o maior respeito porque sem isso pode atrapalhar até o desenvolvimento do banco em uma falha, certo, ele ou outro.

P/1 – O  projeto pode ter até, nem ser assinado?

R – É. Acredito que possa até acontecer isso e também atrasar o tempo, essas coisas todas. Tem muita coisa que pode acontecer que não seja agradável ao desenvolvimento do banco.

P/2 -  E no banco costuma ter muita festa?

R – Olha, o banco já teve uma fase boa de boas festas. Não sei se foi o presidente, alguns anos atrás cortou. Mas sempre ocorre festa no banco.

P/2 - É como? De aniversário?

R – Colega que faz aniversário, final de ano. Sempre ocorre, a AF [Associação de Funcionários] dá a festa. Todo ano, quando há aniversário do banco, o banco promove uma festinha.

P/2 - Conte sobre uma festa que o senhor se lembra que foi boa.

R – Todas as festas do banco, sinceramente nós não podemos reclamar de nada porque são festas maravilhosas.

P/2 - E as quintas-feiras no banco, que o senhor estava contando antes? Quinta-feira musical no banco?

R – Ah, é o espaço do banco toda semana…. Quinta-feira convida um artista, até dança. É muito bom.

P/2 -  O senhor costuma ir?

R – Eu tenho ido algumas. Muito bom mesmo. Muito boas.

P/1 – Beraldo, me conte o seguinte: como você se sentiu ao receber as medalhas de vinte e 25 anos de trabalho do BNDES?

R – Para mim foi uma coisa muito honrosa, graças a Deus, pela minha prestação de serviço ao banco durante esse tempo todo. E também receber dos colegas como o mais aplaudido. Eu sou muito satisfeito com isso, muito honrado. Agradeço a Deus por esses anos todos de banco, à minha falecida mãe que está no céu, que também tem me ajudado muito. Tia Carmem. Elas gostavam muito do banco.

P/2 -  Elas gostavam muito do banco por quê? O que elas falavam que era o banco?

R – Olha, eu acredito que elas gostavam talvez porque eu estava trabalhando lá, alguma coisa parecida assim que elas achavam. “Graças a Deus o meu filho está em um setor de trabalho, um lugar de trabalho muito bom. Uma instituição boa, graças a Deus. E daí para a frente é pedir sempre a Deus que ele continue sempre lá.” Acho que o gosto da minha mãe era esse. Que eu tivesse um empregozinho mais ou menos, [que] fosse bom.

P/1 – E quais são suas expectativas agora em relação ao banco? Agora o que você espera? Depois de 25 anos, de ter sido o mais aplaudido, todo mundo gostar do seu trabalho, quais são suas expectativas?

R – É, eu espero ter uma melhora lá no banco ainda, graças a Deus, e é aquele ditado, né: “Eu estou na praia  vou morrer na praia mesmo.” (risos) Quer dizer, eu vou pedir a Deus que eu me aposente pelo banco.

P/1 – E vendo hoje o banco e há 26 anos, o senhor já vai fazer 26 anos...

R – Certo.

P/1 – Vendo hoje o banco, o que mudou ao longo desses 25, 26 anos?

R – Eu acredito que deve ter havido muitas mudanças. Agora o banco teve um maravilhoso desenvolvimento. Ele [se] desenvolveu muito com a mudança, facilitou mais o trabalho. É isso, o banco é… Abaixo de Deus, é maravilhoso.

P/1 – (risos)

R – Nós temos que agradecer a Deus por existir esse BNDES - agora é BNDES, porque antes era BNDE. Agora entrou a parte social, né?

P/2 -  O senhor não gostou dessa entrada?

R – Ah, uma maravilha. Tem que tocar em tudo, né?

P/2 -  É uma parte que estava faltando?

R – Não, eu não sei se o banco tinha, mas não estava ainda em maior desenvolvimento como está agora. Ele agora está bem desenvolvido. Muito bem trabalhada. É o BNDES. Eu peço a Deus que continue infinitamente. (risos) Que nunca acabar. Que traga ao banco, aliás que sempre traga ao país coisas boas. Que o nosso público, que a nossa sociedade acredite no banco, respeite o banco. E que Deus lá no céu nos ajude aqui na terra. ___________ todo mundo do banco, as senhoras também, com esse trabalho maravilhoso, dando essa ajuda também em relação ao desenvolvimento do BNDES. Mostrando à sociedade, às pessoas o que o banco tem de… Olha, o banco é bom. O banco é bom e merece todo respeito nosso.

P/1 – Agora voltando um pouquinho para você. Você é casado?

R – Não.

P/1 – Não. E onde e com quem mora hoje?

R – Estou agora com uma moça chamada Maria de Fátima, é minha companheira.

P/1 – E onde você mora?

R – Eu moro na Rua São Manoel, em Botafogo.

P/1 – O senhor tem filhos?

R – Não, senhora.

P/1 – E o que o senhor mais gosta de fazer nas horas de lazer? O que o senhor mais gosta de fazer quando não está trabalhando? Quando está de folga?

R – Eu saio muito. Eu sou muito… Ando por aí. Eu vou à praia. Eu ando muito, gosto de andar muito.

P/1 – E que praia o senhor vai?

R – Eu costumo ir ao Flamengo.

P/2 - Ir ao cinema? Gosta de cinema?

R – Cinema uma vez ou outra. Eu não sou muito fã, mas uma vez ou outra. Não sou muito, vamos dizer assim… Quando é um filme bom, um filme de… Eu vou até.

P/1 – E o futebol, ainda joga?

R – Futebol, mais ou menos. Uma vez ou outra que eu jogo. Eu não estou com aquela [vontade] assim de jogar. Uma vez ou outra, quando me chamam ou então quando eu vejo, aí eu vou lá, bato uma bolinha um pouquinho. Corro um pouquinho, aí paro, descanso. (risos)

P/2 -  O senhor falou muito em Deus.

R – É.

P/2 -  Agradeceu muito. O senhor é religioso? Tem alguma religião?

R - Inclusive eu queria, eu peço até desculpas às senhoras duas entrevistadoras, eu sou uma pessoa católica.

P/2 -  Não tem que pedir desculpa.

R – Eu tenho muita fé em Deus, tenho muita fé na Nossa Senhora Imaculada Conceição, São Jorge. Sou frequentador de igreja. Eu vou todos os domingos na igreja Imaculada Conceição, na praia de Botafogo. Eu tenho muita fé naquela santa. Frequentei muito o colégio Santo Inácio. Eu sou católico.

P/1 – Se hoje o senhor recomeçasse a sua vida, tem alguma coisa que o senhor mudaria?

R – Olha, eu preferia trabalhar no BNDES mesmo. (risos)

P/1 – Que bom. (risos) Isso é ótimo. Quais são os sonhos do senhor?

R – Senhora?

P/1 – Quais são os sonhos do senhor daqui para frente?

R – O meu sonho é tentar ainda uma melhoria lá dentro e me aposentar.

P/1 – E o que é que significa o BNDES para o senhor?

R – Ah, o BNDES, abaixo de Deus, é uma coisa maravilhosa. É onde eu posso agradecer, primeiramente a Deus e depois ao BNDES, porque é dali é que eu vivo, que eu me sustento, graças a Deus. Então eu só posso agradecer, primeiramente a Deus e depois ao BNDES, que é uma maravilha.

P/2 -  O que o senhor achou desse projeto dos 50 anos do BNDES e de ter prestado esse depoimento?

R – Olha, para mim não resta a menor dúvida que é uma coisa honrosa. Por esse convite, por essa lembrança que fizeram da minha pessoa. Eu fico muito honrado com isso, muito satisfeito. E é uma coisa maravilhosa. Tem que sempre procurar elevar aqueles lugares bons para todo mundo saber que existe, que está prestando ao país grande benefício.

P/2 -  Beraldo, obrigada pelo seu depoimento.

P/1 – Foi ótimo. Adorei, muito obrigada e bom até outra vez. A gente sempre está se vendo, estou sempre agora lá no BNDES. (risos)

R – Olha, quem tem que também agradecer sou eu. Uma satisfação muito grande à dona Márcia, muito obrigado.

P/1 – Solange.

R – À Dona Solange, muito obrigado. E ao pessoal que trabalhou na parte… Sua graça, seu nome?

P/3 – Tiago.

R – Seu Tiago e o senhor?

P/4 – Douglas.

R – Seu Douglas, muito obrigado. Estou à disposição de quantas vezes me escolherem. Uma coisa maravilhosa. Muito obrigado, fiquei muito satisfeito. Eu gostei muito.

P/2 -  Obrigada pela sua colaboração.

R – Obrigado à senhora também.

P/1 – Obrigada a você e se não fosse você… A gente é que tem que agradecer porque é você que vai fazer, é importante para contar essa história do banco.

P/2 -  Está participando.

P/1 – Do contínuo, do que é, de você que está fazendo o banco.

R – Muito obrigado.


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