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Seu Dodo: um japonês na Penha, um brasileiro no Japão

História de: Masaru Dodo
Autor: Viviane Cristina dos Santos
Publicado em: 25/04/2017

Sinopse

Masaru Dodo rememora a infância entre a colônia japonesa de Bastos e o bairro paulistano da Penha, além de sua adolescência na carvoaria e a vida adulta entre a família, os amigos e o trabalho. Seus olhos brilham ao contar do Japão, país de origem de seus pais e destino de sua grande viagem. Frequentador assíduo do Sesc Itaquera, hoje participa dos clubes de vôlei e de caminhada, além de fazer parte do grupo de samba da terceira idade como tocador de pandeiro. Neste bate-papo, Dodo revela traços sua dupla identidade: brasileiro lá no Japão e japonês aqui no Brasil. 

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História completa

O senhor Masaru Dodo é frequentador assíduo dos clubes de vôlei e de caminhada no Sesc Itaquera, além de participar com o pandeiro na Bateria da Melhor Idade, projeto da Prefeitura de São Paulo e de oficineiros da Escola de Samba Vai Vai. Nesta entrevista ele foi revelando dados de sua dupla identidade: brasileiro lá no Japão e japonês aqui no Brasil. Estas duas identidades são tão coladas uma na outra que às vezes o próprio senhor Dodo se corrige “Aí o moço disse de mim: este aí é japonês, não, quer dizer, o brasileiro, né?”.

 

O senhor Dodo nasceu em Bastos no interior de São Paulo, e é o irmão mais velho de uma família de quatro irmãos nascidos em “escadinha”.  Seu pai e sua mãe se conheceram e se casaram por miai, uma prática de casamentos arranjados por intermédio de um pagamento em dinheiro. Esta prática sobrevive aos tempos da internet e fica a sugestão de uma busca rápida no Google: Miai Brasil. Sua infância em Bastos, uma colônia de imigrantes japoneses, foi um vínculo com o Japão que é o país de onde vieram seus pais e avós. Ali aprendeu um pouco de japonês, que foi sendo esquecido, junto com outras tantas memórias de uma primeira infância, a partir da sua vinda para São Paulo.

 

Já na Penha, a sociabilidade dele passou a ser maior com brasileiros de outras origens que também viviam naquela região da Zona Leste: imigrantes nordestinos, italianos e portugueses. E como gosta muito de conversar, este senhor foi logo aprendendo coisas novas com estes grupos.  Estudou e trabalhou pela Zona Leste, tendo iniciado sua vida de trabalho ainda na infância como carvoeiro. Mesmo tendo passado muito tempo em São Paulo, convivendo com pessoas de origens diversas e tendo esquecido como falar japonês, o Senhor Dodô não resistiu quando teve a oportunidade de conhecer o país de seus pais e avós.

 

Logo depois de se aposentar da sua carreira como torneiro mecânico no Brasil, senhor Dodô partiu para o Japão e lá ficou por sete anos trabalhando e se reconectando subjetivamente com uma origem, uma ancestralidade das famílias de seu pai e sua mãe, ao mesmo tempo em que se distancia destas por ir entendendo que é também parte e origem de uma família brasileira. Quando fala de suas experiências no Brasil, senhor Dodô se identifica como “o japonês” e no momento em que a narrativa se localiza no Japão o senhor Dodô se transforma em “o brasileiro” ou “o gaijin”. 

 

E esta experiência no Japão é o tema favorito das histórias do Senhor Dodô, além de sempre contar como faz amigos com facilidade seja no Brasil, seja no Japão. Entre seus amigos de lá estão brasileiros, peruanos, japoneses e filipinos. Muitas de suas histórias do Japão colocam luz em comportamentos que são muito diferentes dos nossos, brasileiros: a forma de dirigir carros que o colocou em conflito com um gangster, hábitos do uso dos espaços públicos e privados, além da forma de fazer churrasco, quesito este em que, segundo o Senhor Dodô, ninguém supera os brasileiros. No momento, Dodô mora perto do Sesc Itaquera e divide o tempo entre o vôlei, as caminhadas, o samba, as longas conversas e sua família.  

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