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Sócio do trabalho

História de: José Acras
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/11/2013

Sinopse

Paulistano de nascença, do bairro da Bela Vista. Filho de pais libaneses, começou a trabalhar muito cedo ajudando no comércio da família. Com sete, oito anos, trabalhou como auxiliar de limpeza da escola para poder estudar, trabalhando também em casa de família e aos poucos foi se formando profissionalmente.

Divorciado, tem uma filha bailarina que mora e trabalha em Amsterdam. Casou-se pela segunda vez, condição em que se encontrava ainda na época da entrevista, e tem um filho de 17 anos desse casamento. Esteve em jogos históricos, como a chegada de Leônidas na equipe do São Paulo.

Foi um dos idealizadores do campeonato de futebol dos socios do São Paulo Futebol Clube.

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História completa

P – Bom, seu José, gostaria de começar a... Pedindo pro senhor falar o seu nome, onde o senhor nasceu, a data se nascimento, o nome dos pais do senhor, tá? Vamos começar por aí.

R - Eu me chamo José Acras, nasci em São Paulo, em 18 de fevereiro de 1928, meus pais falecidos, D. Maria Acras e Sr. Naief Acras.

P - É, vamos falar um pouquinho da infância do senhor, em que bairro o senhor nasceu?

R - Eu nasci na Bela Vista, em São Paulo, e minha infância foi com todos aqueles meninos daquela época, que tinha muita liberdade né, coisa que a molecada não tem hoje, e pra mim foi uma infância muito boa, muito bonita né, no sentido de moleque de rua que... Eu vivi muito bem naquele tempo não é, nesse sentido de vida, de liberdade, o que a gente tinha.

P - Os pais do senhor eram imigrantes?

R - Imigrantes.

P - Fala um pouquinho como que eles vieram pra cá...

R - Meus pais, como todo imigrante daquela época, ainda mais libaneses né, eram chamados assim de mascate né, porque eles carregavam assim, vendiam pela rua né, meu pai vendia pela rua né, e... Todos os nossos parentes que vieram da, do Líbano usavam esse tipo de trabalho né? Vai montar uma loja né, como se diz lojinha, né? (Risos) Lojinha né, e até certo tempo, mas depois teve que parar né? Por causa da idade. Então a gente, eu continuei com a vida. Vamos dizer com o princípio da vida dele né, eu carregava um baú pra trabalhar com quatorze anos né, mas antes disso eu já trabalhava assim pra poder estudar, porque nós éramos em seis irmãos e... Naquele tempo era tudo difícil né? Não era fácil viver naquele tempo né, mas graças a Deus nós podemos estudar um pouco, trabalhar e estamos aí com... Todos mais ou menos, relativamente bem com saúde né, e estamos aí. Enfrentando a vida.

P - O senhor disse que eram oito irmãos.

R - Seis irmãos.

P - Fala como é que era a vida, essa coisa da família né, seis irmãos, bom, quer dizer, seis irmãos... Devia ser uma, uma infância com muitas brincadeiras. Como é que era?

R - É lógico, a infância ali você o... Naquele tempo sabe que a gente não, não tinha a facilidade que se tem hoje, não tinha rádio, não tinha televisão, não tinha... A gente vivia na rua né, vivia na rua, escola assim né, e todos nós brincávamos assim né, naquele tempo de pegador pra... Como é que se diz, aquele também que chamava... A pessoa se abaixava, um pulava em cima do outro né, pulava, chamava-se assim naquele tempo, cela, né, brincar de cela né, abaixava e ia pulando né, ia pulando até um cair, aquele que caia ficava lá né, até os outros caírem, né, e ia pulando né, jogava... Principalmente de bola né, a maior era a bola, a gente não tinha bola, mas arrumava uma meia da minha mãe, enchia de papel e ficava jogando bola, na rua, isso é, isso era o principal né. Então todos nós trabalhávamos. Todos nós trabalhávamos desde pequenos né, então, como ia dizendo naquele tempo era tudo difícil né, e com o tempo, o tempo que dava era jogar bola, brincar de pegador e... Essas coisas que... De molecada né?

P - E a vizinhança, como é que era? O senhor lembra de alguma festa, de alguma...

R - Ah, festa nós tínhamos a principal que era a festa do... A festa da Achiropita, que era em agosto e até hoje existe né, na Rua 13 de Maio, na igreja chamada Achiropita, que tinha a festa todo mês de agosto né, e nós tínhamos o... Vai-Vai, que existe até hoje. Que naquele tempo todo bairro se confraternizava, aquela festa de rua, todo mundo na rua lá e o Vai-Vai passando. Quando ele ensaiava antes do carnaval e mesmo assim em época de sábado de aleluia, então essas festas eram, porque tinha a festa de São João, festa de São Pedro né, que tinha também, que havia reunião de todas as famílias, de toda a vizinhança, né.       

P - Em relação a escola, o senhor era o filho mais velho ou não ?

R – Não, não. Somos... Eu era o terceiro né, e tenho dois mais velhos. Três mais velhos né, e dois mais novos, mas o mais velho faleceu faz dois anos.

P - E sobre o tempo de escola, como é que era o primário, a...

R - Era tudo, como se diz na época, para nós era tudo maravilhoso né? Era uma beleza, e eu já falei diversas vezes aqui que eu tenho pena das crianças de hoje, eu tenho um filho com dezessete anos e eu tenho pena porque ele não tem aquela liberdade que nós tivemos né, liberdade de brincar na rua, liberdade de falar com todo mundo e... Correr pela rua descalço, né, viver moleque de rua mesmo, descalço, que nem vive, vamos dizer hoje, hoje... Você vê hoje, mais lá, aqui mais no centro, no centro de São Paulo já não tem mais isso aqui né? Mas nos bairros ainda longos, bairros aí, tem muitos ainda desse tipo de vida, mas só que em perigo né, tem esse tipo de vida, mas não tem, não tem segurança né? E antigamente nós tínhamos muita segurança porque não havia nada, nós éramos todos conhecidos e era um bairro que, a Bela Vista, Bexiga, por exemplo, é cidade né, e... Éramos todos conhecidos e não havia o... O quê há hoje, em qualquer lugar que você vá, você sai e não sabe se volta né. A vida de criança eu sempre disse que eu sou saudosista, mas sou mesmo, né? Eu acho todo mundo que passou uma infância que nem eu passei, com dificuldade é lógico, não vou dizer que a gente tinha, não tínhamos nada, mas aqui nós tínhamos liberdade que era o principal.

P - O senhor me disse que estudou numa escola de freira.

R - Estudei numa escola de freira...

P - Como é que era o regime da escola, eram crianças é... Meninos e meninas?

R - Era meninos e meninas, mas classe separada né, não era que nem hoje, hoje é mista né, mas naquele tempo não, não havia isso daqui, eram classes, meninas numa classe, meninos na outra classe né, mas era, era muito bom né, mas e... Eu, antes de estudar, eu ia lavar a sala de aula né, e depois de estudar eu ficava lá ajudando no que podia fazer. Saia de lá e ainda ia trabalhar como eu já disse outras vezes, ia trabalhar com sete, praticamente trabalhei com sete anos.

P - O que é que o senhor fazia?

R - Eu era que nem empregada doméstica, encerava a casa, tomava conta dos cachorros, dava banho nos cachorros, tinha uma vizinha nossa que era parteira né, e ela saía pra... Eu tomava conta da casa, me deixavam sozinho com sete, oito anos, tava tomando conta da casa e... E eles me queriam muito bem, são falecidos né, mas eu viajava com eles, pra onde eles iam me levavam né.

P - Esse foi o primeiro trabalho do senhor?

R - É, meu primeiro trabalho foi na escola pra poder estudar. Lavar a sala de aula, depois tem esse outro, ia também né, que eu saia da escola e ia dar, trabalhava nessa casa vizinha, encerar a casa, lavar quintal, dar banho nos cachorros... Eu, como gostava muito de cachorro, então pra mim era um divertimento né, aquilo era um divertimento pra mim. Eu não usava como trabalho, eu usava como divertimento.

P - Até os quinze anos?

R - Isso, não. Isso foi até doze anos

P - Doze.

R - Doze anos, aí eu, aí um pessoal vizinho... Também eu arrumei um emprego de office-boy, com doze anos. Aí fiquei até quatorze anos, dois anos nessa firma e arrumei outro emprego com quatorze anos numa firma de perfumaria. Aí eu fiquei numa outra firma vinte e cinco anos como representante, viajante de perfumaria. Dos dezessete anos até mais ou menos, quase quarenta anos.

P - E depois?

R - Continuei, nessa firma teve... Mais ou menos em 69, essa firma teve problemas né, pelo falecimento dos pais e os moços não conseguiram... Aí eu tive um... Tinha feito um concurso de oficial de justiça numa brincadeira, e de 3.000 pessoas passaram 250. Eu fui o número 250. Eu não fui com o sentido de... Eu fui com o sentido de brincadeira, na realidade eu queria passar também, tanto que nesse dia do exame eu ia jogar bola né? Não fui. Fui fazer o exame porque diz que uma e 30, duas horas terminava. Nós tínhamos que jogar bola as duas e 30 e eu tava com as camisas pra levar lá pro campo, né e... Muito calor. Eu tava com o paletó na mão e uma pessoa me deu bronca porque já vem sem gravata, com o paletó na mão e uma coisa parecida assim né, e eu coloquei o paletó e quando entrei na espe... Na sala de aula, era o próprio juiz que tava dando a bronca, mas logo em seguida ele mandou tirar o paletó e eu em dez minutos eu fiz a prova e fui embora. Ele falou, ele disse, não, como se diz, ele não se conformou né, que já em dez minutos eu tinha feito aí eu tinha que jogar bola: “Dr. preciso jogar bola, tchau mesmo”.E eu fui embora. Cheguei lá no campo e todo mundo me xingando que eu cheguei três horas, o jogo tava marcado pras duas e 30 e eu cheguei as três, mas tudo bem, e... acabei passando porque eu só fiz aquilo que eu sabia, o que eu não sabia eu deixei em branco.

P - E o senhor trabalhou como oficial?

R - Eu trabalhei oito anos como oficial de justiça, né, porque...

P - E como foi esse, esse momento aí?

R - É foi um momento também bom porque a gente aprende muita coisa né, então tudo é válido né? Aprende muita coisa, mas sinceramente eu não gostava. Aí depois de certo tempo eu voltei a minha vida normal de, de viajante né, e com muito... Eles não queriam. O próprio juiz não queria me dar a exoneração, mas não, eu disse a ele que não tinha mais sentido, eu não tinha, não podia continuar lá, até que eu voltei a estudar com incentivo dele pra seguir carreira, mas não, eu não tinha assim vontade assim, não me agradava o serviço né.

P - Como é que foi a trajetória disso tudo, do senhor a sua... Teve uma época que o senhor parou de estudar...

R - Então eu parei de estudar por trabalhar e viajar né, parei de estudar com... Com dezesseis anos eu parei de estudar, eu completei dezesseis, dezessete anos, entrei nessa firma que eu trabalhei vinte e três anos e eu comecei viajar, aí não dava mais pra estudar, parei, só voltei a estudar depois de, com quarenta e dois anos mais ou menos, quando eu entrei como oficial de justiça.

P - Aí o senhor fez que curso?

R - Aí eu fiz o curso, fiz o madureza né... Fiz o madureza no Santa Inês né, terminei o ginásio e tava terminando o colegial quando, de novo, eu voltei a viajar né, voltei a viajar e parei de estudar.

P - O senhor é casado né?

R - Sou casado.

P - Fala um pouquinho do casamento do senhor, como que o senhor conheceu sua esposa? Quando foi que casou?

R - Eu conheci... Eu tenho uma filha do primeiro casamento, sou divorciado. Então ela hoje... Ela esta aqui no Brasil, mas ela vive em Amsterdam que ela é bailarina, e ela veio para o Brasil pra fazer um trabalho, e talvez se der tempo dela terminar o trabalho, em fevereiro ela faz uma apresentação, se não... Mas esse trabalho é para Amsterdam né, é um trabalho que vai fazer aqui que, vai passar em Amsterdam. Mas eu sou casado pela segunda vez, tenho um filho de dezessete anos, conheci a minha esposa no São Paulo por intermédio de um tio dela que joga futebol comigo, lá no São Paulo...

P - A segunda esposa?

R - A segunda esposa.

P - Como é o nome dela?

R - É Elenice Aparecida né, e... Tivemos um contato né e... Depois... Encontramos-nos umas duas ou três vezes, falamos uma vez e depois voltamos a nos encontrar um... E como todo homem não pode ficar sem mulher né? (Risos) Casamos e temos um filho. Nós estamos juntos a dezoito anos.

P - Como é que é o nome do seu filho do senhor?

R - José Anselmo Brás Acras. Hoje ele está em Tóquio pra ver a vitória do São Paulo, ser bicampeão. Tá em Tóquio.

P - Qual que é a idade dele?

R - Dezessete anos.

P - É estudante?

R - É estudante.

P - Ah, bom, sobre o casamento o senhor disse que conheceu a espo... A segunda esposa do senhor no São Paulo?

R - No São Paulo.

P – Então, bom, vamos falar agora do São Paulo Futebol Clube, é... Eu queria saber como que o senhor entrou para o clube? Como que o senhor teve contato né, qual foi o primeiro contato? Quem que indicou o senhor, enfim...

R - Mas o... O primeiro contato, como a gente morava no bairro da Bela Vista, Bexiga, era tudo italiano, e eu ti... Eu, quando moleque assim, eu via, tinha um, um senhor, ele era da torcida uniformizada do São Paulo né? Ele descia pela porta de casa, naquela rua que a gente morava, com a camisa do São Paulo e descia né. O pessoal todo tirando, brincando com ele que o São Paulo não era campeão, nunca era campeão, e eu de moleque assim, quando eu comecei a entender de clube né, e eu optei pelo São Paulo, eu, sentindo dele, e eu também tinha uns primos que era são-paulinos né, e falavam do São Paulo e... Foi aí o início do... O início de pensar no São Paulo foi nessa época, assim, por causa desse meu primo, o Rafael, já falecido, e desse senhor, que ele era barbeiro. Tinha uma barbearia na Bela Vista e descia no jogo do São Paulo. Tinha que passar pela porta da minha casa porque ele tinha que pegar o bonde. Naquela época tinha bonde, e descia com a camisa do São Paulo, e eu optei pelo São Paulo né. Esse foi o primeiro. Mas o primeiro jogo que eu assisti foi também, fui levado por um colega de escola, que era sobrinho do... Naquela ocasião presidente do Palestra, Virgílio Peregrine, o Angelo, e fomos lá assistir o jogo do Palestra e São Paulo no Parque Antárctica e fomos lá... Como ele era sobrinho do presidente, naturalmente nós fomos nas cadeiras especiais né. E o páreo foi três a um. Quando o São Paulo marcou o gol, o Carioca, eu gritei gol, e eu tinha nove, dez anos, eu gritei gol normalmente né, gol do São Paulo, aí então não teve jeito. Eles falaram: “Bom, esse agora não tem mais jeito mesmo, não vai mudar nunca”. (Risos) Graças a Deus não mudei mesmo, mas depois eu fui assistir outro jogo, um aí, quando teve a década de quarenta, quando foi construído o Pacaembu, ficava muito mais fácil assistir jogo, a gente morava na Bela Vista e eu, a gente ia a pé né, no caso, e fomos a diversos jogos. Uma vez com o meu primo, uma vez eu e um palmeirense fomos assistir um jogo do São Paulo e Corinthians, e um palmeirense me levou né, ele queria que o São Paulo ganhasse do Corinthians pro Palmeiras ficar em primeiro lugar, Palestra né, e o São Paulo ganhou de três a dois, então. E assim foi outra vez, o outro me levou pra decisão do campeonato de quarenta, é, outro também, colega do Palestra. O pai dele também era diretor do Palestra, me levou no campo, e o Palestra ganhou de quatro a um, mas não tem nada, eu... Mesmo perdendo eu sempre, nunca mudei né, cada vez que perdia eu virava mais são-paulino. Eles viram que não tinha jeito então. E aí foi a trajetória de futebol, de moleque... Aí começava a comprar, eu já trabalhava né, começava a comprar jornais e guardando jornais né, e, por exemplo, tinha jornais mais de... Eu tinha dez, onze, doze anos, foi em quarenta né, e eu ia nesses lugares que tinha jornais antigos e comprava, trocava por jornais novos né, então, pra eu ter aqueles jornais antigos da época que eu não assistia jogo. Aí que eu fui colecionando esses jornais antigos, principalmente Gazeta Esportiva né, que eu tenho até hoje né? Mas eu na época do Pacaembu dificilmente perdia um jogo do São Paulo, e naquele tempo também tinha amizades com elementos de outros clubes como morava tudo no mesmo bairro, era tudo colega, e a gente ia assistir também os outros jogos né? Não era só do São Paulo por facilidade né, e a gente não pagava porque era menor né, menor de quatorze anos não pagava, a gente aproveitava. Mas foi um, como é que se diz, foi... Foi muito fácil pra gente ser são-paulino porque o São Paulo ganhava muito. (Risos)

P - Bom, atualmente o senhor é conselheiro do São Paulo...

R - É, eu entrei sócio do São Paulo em 42. Em 1942 eu entrei sócio do São Paulo, mais ou menos em maio de 42. E eu... Uma passagem que eu não esqueço como teve... Vou voltar um pouco atrás né, que em quarenta, mais ou menos, o São Paulo, naquele jogo São Paulo e Corinthians, e a gente, como era moleque de jogar bola, a gente tinha o nome do jogador, todo mundo tinha um nome né? Então eu jogava na ponta-direita e naquele tempo o São Paulo tinha um jogador que era o Bazzoni, o meu nome como jogador era Bazzoni, como outros tinham é... Paulo, tinha Remo, tinha Teixeirinha tinha... E assim por diante, cada um escolhia o nome de um jogador que era são-paulino escolhia o nome de um jogador, e eu com o apelido Bazzoni né, mas logo, depois o Bazzoni aí entrou. Voltou em 42, Luizinho, que no determinado, era, foi do São Paulo. Depois foi para o Palestra e voltou para o São Paulo. Aí meu nome ficou sendo Luizinho, porque o Bazzoni saiu e entrou o Luizinho né? Ficou Luizinho durante muito tempo né depois, mas o... Em 42 foi também, teve um jogo memorável, a estreia do Leônidas, que foi mais ou menos também em maio de 42 né, foi logo depois eu fiquei sócio.

P - O senhor assistiu essa...

R - Assisti a esse jogo.

P - Como é que foi?

R - Eu fui... Fui eu, meu irmão e um vizinho né? Esse vizinho não sei se é vivo, mas depois ele... É tio do Djalma Santos, jogador que jogou na Portuguesa e no Palmeiras. Esse foi de seleção brasileira. Ele nos levou, ele falou com o meu pai e com a minha mãe e nos levou pra assistir o jogo. Nós fomos assistir ao jogo às sete e meia da manhã no Pacaembu, naquele dia o... Os portões foram abertos às nove horas e o primeiro jogo, tiveram três jogos, teve o primeiro jogo onze e meia, Comercial e Jabaquara, depois uma e meia jogou aspirantes do São Paulo e Corinthians, e às três e meia foi o jogo, foi o São Paulo e Corinthians, que o São Paulo até o fim tava ganhando de três a dois e empatou, três a três. E... Esse jogo foi um jogo memorável, porque a estreia do Leônidas então, tava super lotado que até hoje não conseguiram, mais ou menos tinha aí de 75 mil pessoas né, hoje eles vendem ingresso pra 42 mil pessoas. E naquela ocasião teve esse jogo, teve assim entre 70 e 75 mil pessoas, mais ou menos. Acho que era 72 mil pessoas. E foi um jogo memorável né, porque o Corinthians saiu na frente, o São Paulo empatou, o Corinthians fez dois a um, o São Paulo empatou, aí o São Paulo fez três a dois e no finalzinho do jogo o Corinthians empatou. Mas foi um jogo memorável mesmo, pra quem, porque o Leônidas tinha vindo do Rio. Quem trouxe o Leônidas foi o Sílvio Caldas, trouxe para o São Paulo. Naquele tempo o presidente do São Paulo era Décio Pedroso, Pacheco Pedroso, Décio Pacheco Pedroso, depois o diretor de esporte era Roberto Gomes Pedroso, que foi um ex-goleiro do São Paulo e... Conta a historia não é, que quando o Leônidas chegou à estação do norte, veio de trem. Naquela tempo vinha de trem né, e o público né, eu estava no meio, devia estar no meio também né, mas era uma... Uma historia, uma parece de uma frase né, que tinha uma senhora né, que ele veio carregado nas costas né, do da estação do norte até a sede do São Paulo, que era na Dom José de Barros, aqui no Paissandu, no Largo Paissandu. E tem uma senhora que perguntou lá que, perguntou quem era aquele, se era São Benedito que estava vindo. (Risos) Essa é uma frase que ficou marcada né, pensaram que era São Benedito, e era o Leônidas que tava chegando para o São Paulo, que foi naquela fase que o São Paulo, logo em seguida, em 43, foi campeão. Que a moeda caiu de pé, não sei se vocês sabem da história da moeda que caiu de pé. A moeda caiu de pé pelo seguinte: tinha uma charge na Gazeta Esportiva com os presidentes do Palmeiras que era o Virgílio Peregrine, do Corinthians, Alfredo e Nelson Trindade, e do São Paulo, Décio Pacheco Pedroso e... O Palmeiras falando para o presidente do Corinthians né, um falando pro outro: “Bom, cara é Palmeiras, coroa é Corinthians”. E o presidente do São Paulo falou: “E eu?” Aí eles responderam quando a moeda caísse de pé. De fato a moeda caiu de pé em 43 e depois nunca parou de cair, até hoje tá caindo de pé, né? (Risos)

P - E como que o senhor a... O senhor falou que se tornou sócio do clube...

R - Sim, em 42, tornei-me sócio em 42. Eu não frequentava o São Paulo, mas naquela ocasião o São Paulo não tinha campo, não tinha sede né. O São Paulo comprou o Canindé e aí eu comecei a frequentar o Canindé. Disputava aqueles no Canindé né, mas assim eu politicamente eu quase não... Que o São Paulo naquele tempo quase não... Ganhava tudo né, então ninguém pensava em política né, e foi... Mas aí depois, na época do Morumbi, o São Paulo passou pro Morumbi em 62 e eu... Sempre mexendo em futebol né, que eu sempre, e no São Paulo também tinha, na parte social do Morumbi tinha um campo de futebol e nós jogávamos lá.

P - Nós quem?

R - Nós os sócios, nós jogávamos nesse campo né, e... Teve uma época que conversando com um, com o outro né, “ah, vamos fazer um torneio, um campeonato interno assim” e levamos a questão para um grupo de sócios, levamos a questão para o diretor social na época, que era o Sr. Arnaldo, e ele levou à diretoria e a diretoria aceitou a ideia né, e... E eu fui indicado como diretor na época, e convoquei aqueles outros que estavam querendo ajudar a organizar. Formamos um grupo, organizamos o primeiro campeonato em 63 do, dos adultos, dos sócios, e por coincidência, aí tem outra, outra “historiazinha” né? Nesse 15 de agosto de 63 nós jogamos o campeonato interno na... Teve início na parte da manhã, e a tarde fomos ao Pacaembu, jogava São Paulo e Santos, foi aquele célebre jogo que Santos fugiu de campo. O São Paulo ganhou do Santos de quatro a um. Então marca uma coisa com a outra, início do primeiro campeonato interno do São Paulo e a vitória do São Paulo sobre o Santos, que o Santos fugiu de campo.

P - Como é que é essa historia de que o Santos fugiu de campo?

R - É o São Paulo... Naquele tempo do Pelé o Santos dificilmente perdia, o Santos tinha Pelé, tinha Coutinho né, tinha Pepe, o time tinha sido bicampeão do mundo né? E em 63 o São Paulo aspirava ao título né? E esse foi um jogo assim meio decisivo né, não, o Santos sem o título né, e o São Paulo, no terceiro gol do São Paulo, feito pelo Sabino, o Coutinho foi expulso pelo Armando Marques, e o Pelé, surgiu também, foi em cima do Armando Marques e também foi expulso né, o primeiro tempo o São Paulo virou com três a um, o Santos sem dois jogadores. Quando o Santos voltou no segundo tempo, voltou com um a menos, oito, porque o Aparecido se machucou e não voltou. Nesse ínterim o Pagão, que era do Santos, jogava pelo São Paulo fez quatro a um, aí o jogador do Santos, dois jogadores do Santos caíram no chão e ficaram só com seis jogadores, mais ou menos a dez minutos do segundo tempo, ficaram só com seis jogadores e o juiz terminou o jogo né, seis jogadores não pode jogar. Mas infelizmente o São Paulo não foi campeão. Naquele ano foi o Palmeiras, o São Paulo foi vice-campeão, mas foi, foi um bom jogo é sempre um incentivo pra nós né, são paulinos né, pusemos o time do Pelé pra correr né.

P - Queria que o senhor falasse um pouco sobre a construção do Morumbi, os planos...

R – Bom, eu posso falar uma coisa assim sobre o Morumbi, mas olha o mais indicado é o Dr. Luiz Cássio dos Santos Werneck né, ele que foi o elemento que foi na ocasião da compra de uma parte do Morumbi. Naquela ocasião ele era secretário do São Paulo e conheci... Tinha ou... Mas parece-me que ele era secretário do prefeito naquela ocasião e foram eles que fizeram. Agora a pedra, a pedra fundamental foi mais ou menos em 15 de agosto de 1952, uma coisa que eu posso lembrar assim não, que em 52 né, que foi lançado a pedra, o São Paulo vendeu cadeira cativa, vendeu título de sócio proprietário né? Eu comprei logo. Fomos os primeiros a comprar tanto a cadeira cativa como o título de sócio proprietário, e depois foi né, foi feito um contrato com a Antárctica mais ou menos, e a Antárctica a... O São Paulo cedeu os direitos a Antárctica por certo tempo, parece que cinco anos, uma coisa assim, ou dez anos, eu não tenho assim meio desse ponto porque outra pessoa que pode falar melhor, informar melhor... E aí foi o primeiro lance que foi construindo, o resto foi indo aos poucos né, e chegou ao que é hoje. A inauguração assim, o primeiro jogo foi em 60, dois de outubro de 1960. São Paulo e Esporte, o São Paulo ganhou de um a zero, gol do Peixinho. Depois dia nove de outubro o São Paulo jogou uma semana fora, jogou também contra o Nacional do Uruguai, ganhou de três a zero. Nesse jogo o São Paulo pediu emprestado o Djalma Santos, jogou pelo São Paulo, o Walmir e o Julinho. Jogaram pelo São Paulo emprestado né, homenagem dos outros clubes para o São Paulo, em 70, foi a inauguração total o São Paulo Futebol Clube com o Porto, 25 de janeiro de 70, empatou um a um, o gol do São Paulo foi do Miruca e... Bom, hoje temos isso que tá aí. O São Paulo hoje tem uma estrutura invejada pelo mundo todo. O maior campo particular do mundo né, uma sede, hoje nós estamos aí. Também foi assinada essa semana aí, dia dois de dezembro, um contrato pra sede social de seis andares com piscina aquecida né, pelo presidente do diretório, Mesquita Pimenta né, e há também hoje com essa... Que o São Paulo pode tornar-se um, uma futebol-empresa, separar futebol da parte social, que é a inspiração, acho que de todo são paulino ser sócio de... Porque nós temos que correr com a Parmalat, se não vai ser difícil né? Então nós temos que montar o futebol-empresa. Hoje quem não se habilitar a fazer que nem na Europa ou outros países do mundo, quase todos do mundo fazem, futebol-empresa, você vê... O próprio Milan tem oito jogadores estrangeiros, de seleção estrangeira né, aquele futebol-empresa né, você vê. Compra jogador não pode jogar no campeonato italiano, mas agora na Copa do Mundo, ah... No Torneio Europeu, Torneio do Mundial ele vai por todo mundo, põe todo mundo. Então a seleção, o time do Milan é praticamente, é uma seleção mundial. E hoje nós temos que ir para o futebol empresa.

P - Senhor José, quando o senhor se tornou conselheiro do clube?

R - Eu me tornei conselheiro em 1966.

P - E como que foi, o quê faz um conselheiro?

R - Ah, eu me tornei pelo seguinte, como eu te falei a pouco tempo, em 63 na cons... Na época da construção do Morumbi, enquanto estava construindo né, nós tínhamos a parte social e nós formamos aquele campeonato interno. Eu tornei-me assim um diretor já atuante né, e sendo assim, acho que pelo meu trabalho, eles me convidaram para ser conselheiro em 66 e eu fiquei até 70. Depois eu saí em 70 e voltei em 82, fiquei até 86 e voltei em 90, em 91 mais ou menos, me convidaram pra ser vitalício, e hoje eu sou conselheiro vitalício.

P - E qual que é a função do conselheiro?

R - Ah, o conselheiro é... É sempre, lógico, precisa difundir o São Paulo né, procurar ajudar no que é possível. Eu, praticamente, eu sou um adjunto do departamento de Marketing junto com o com o Marcelo Martines, que tá em Tóquio, e sou também sou diretor do futebol social do São Paulo, da parte social. Independente disso, de ser ou não ser diretor, ou ser conselheiro, eu sempre... Eu sempre trabalhei para o São Paulo sem... Sem intuito de cargo, não é, tenho o cargo por circunstância que eles acham que eu devo ter, mas eu não, eu sempre colaborei sem... sem o intuito nenhum.

P - Como o senhor concilia o trabalho no São Paulo com a vida familiar?

R - É difícil. (Risos) É difícil porque você sabe que a vida familiar né, a gente vai levando né? Sempre a mulher mesmo, os filhos né, sempre querem que a gente fique em casa... Mas eu, quando me conheceu né, quando a minha mulher me conheceu, atual mulher me conheceu, me conheceu no São Paulo. Já sabia como é que eu era né, então eu sempre digo a ela né: "É, você tem que me aguentar assim, você me conheceu no São Paulo né, já sabia como eu era, você vai ter que aguentar a vida toda assim não tem jeito né". E ela leva na esportiva também né, e é lógico né, sempre tem, sabe que às vezes tem um evento, um aniversário ou de família, alguma coisa e eu já não vou e tal, mas tudo se arruma, como se diz, termina em pizza. (Risos)

P - O senhor ainda joga nesses torneios internos?

R - Jogo.

P - Conta pra gente como é que é...

R - Pelo menos faço jogo né, eu entro em campo, se jogar é difícil, não, mas eu, aí, o torneio interno esse ano foi batido o recorde de inscrição de equipes né? Nós temos elementos, nós temos campeonatos desde seis anos que é fraldinha né? Até...Vamos dizer até 70 anos, nós temos um elemento que teve, que vai fazer 70 anos, tem 69, tem 68, tem 67, 66, eu tô com 65, então tem elementos de todas as idades, e aí tudo é dividido por categorias né? Então de seis até oito anos uma equipe, de oito anos a dez, e assim sucessivamente. O nosso, por exemplo, é de 47 para cima, né, então nós temos aí praticamente 100 equipes que disputam o campeonato interno, e mais ou menos vinte equipes que disputam o campeonato interseleções, interclubes, por exemplo, são seleções que saem dos sócios, mas são todos sócios e filhos de sócios, este campeonato existe como eu te falei, desde 63 né, dos adultos, e dos moleques desde 64. Então são todos filhos de sócios e a gente participa, joga né.

P - Vocês treinam toda semana?

R - Ah, treina pros jogos aí, por exemplo, aí todo dia né. E agora tem campeonato, e nós temos o grupo aí da madrugada, que vai ás três horas da manhã pra fazer inscrição lá na porta do Morumbi, o Morumbi abre às seis horas pra gente começar a jogar às seis e meia até ás oito horas, porque eu, nós temos um campo só praticamente, nós temos um campo, e outro mini campo e o volume de... O volume de sócios é muito grande, que participa do campeonato de futebol, então o pessoal é... Vai cedo porque depois começa os jogos do campeo... Oito horas tem os jogos do campeonato, então aí não tem, não dá pra jogar, aí só seria no campo menor né, e a gente vai, eu participo do grupo né, como é chamado né, é o grupo da madrugada né? (Risos) E isso existe a mais de vinte anos esse grupo.

P - Nesses trinta anos de campeonato dentro do São Paulo, que figura importante já saiu?

R - Ah, já saiu... O Muricy, por exemplo, ele saiu de um torneio interno do São Paulo. O Muricy foi campeão paulista pelo São Paulo em 1975, hoje ele é técnico do júniors do São Paulo. Ele depois foi pro México pra jogar, porque ele tem um problema no joelho né, é um, naquela ocasião foi uma das maiores revelações do São Paulo. Teve o Muricy, teve mais um que, o Waltinho que jogou muito no Paraná né, tivemos mais uns outros... Hoje nós temos o... Hoje nós temos aí na... No infantil do São Paulo, nós temos quatro ou cinco jogadores que saíram do, da social do São Paulo e são filhos de sócios, e sempre tem alguns jogadores, sempre sai um jogador, porque não é nada não... É nada, sai muitos jogadores que vão pro time do São Paulo, mais esse aí deu certo, deu certo e... Depende de sócio também né? O Muricy sabe o quê acontece, os jogadores do São Paulo, os sócios do São Paulo, filhos de sócios do São Paulo, vamos dizer, eles todos, a maior parte deles tem vida estabilizada e o jogador, o futebol tem que ser “das maloca”, não adianta, porque vive pra isso daqui, e o jogador de sociedade como o São Paulo, no caso assim, ele tem que estudar, ele tem que... Então ele perde um pouco aquele ritmo né, de jogador de futebol depois de uma certa idade né? Então são poucos jogadores, né, que saem nesse sentido... Do São Paulo, de outros clubes ou da cidade de São Paulo, por exemplo, jogador de futebol tem, é aquele maloqueiro né, aquele que vive pra isso né? E como era antigamente que a gente era moleque de rua né, então vivia jogando bola na rua, só vivia jogando bola, e hoje não... Hoje tem que estudar, e muitos tem que trabalhar também, então é difícil sair um jogador hoje do São Paulo no sentido de... De ser craque de... Jogador de futebol mesmo né.

P - Sr. José, eu queria a... Que o senhor lembrasse assim, por exemplo, o senhor falou que desde criança com o barbeiro né no bairro que começou a assistir os jogos do São Paulo tal. Então pegando desde essa época até hoje, eu queria que o senhor elegesse alguns momentos que o senhor considera assim de maior importância no... Na trajetória do, do São Paulo, que mais emocionou, os grandes momentos que o senhor elegeria.

R – Bom, eu tenho vários né, cê vê... Eu citei esses dois casos aqui, por exemplo, do... Do São Paulo e Corinthians de três a dois né, que de 40, tem aquele da estreia do Leônidas, que foi na época de 40, foi em 42 né, e temos... Aquele primeiro título de 43 né, quando a moeda caiu em pé e vamos contar. Mais recente nós temos aí, tem aquele que eu citei também que o Santos fugiu de campo, São Paulo quatro Santos um, né, e... Temos também aquele de 1957 que o São Paulo, que o São Paulo foi campeão em cima do Corinthians, ganhou de três a um. Aquele célebre jogo das garrafadas né? Foi um jogo que a torcida do Corinthians, quando o São Paulo marcou o terceiro gol, o Gilmar tava sentado no meio caminho e o Moreno bateu na ca... Na cabeça dele e o mandou pegar a bola em cima da rede, o Gilmar saiu correndo atrás dele e a torcida do Corinthians começou a garra... Garrafa em campo tal... O jogo ficou paralisado uns dez minutos né, mas aí o juiz pra contentar os corintianos anulou um gol do Gino né, era quatro né, foi só três a um. Teve o Campeonato Brasileiro de 77 né, foi em Belo Horizonte, o São Paulo foi a primeira vez campeão brasileiro nos pênaltis né, temos também o Campeonato Brasileiro de 86 em Campinas. Essa copa, a Libertadores da América que teve em 92 e 93 né, e por fim, o máximo foi em Tóquio em 92, campeão mundial, esse foi o... De todos eles eu acho que esse foi... O mais importante, o mais importante o... O mais importante, o jogo que eu devo ter vibrado muito mais, esse de 82, 92, esse foi... Todos esses jogos foram importantes, tudo foi escala, foi de escala assim mais, o mais im... Esse de... Todos esses jogos que eu citei eu estive presente, inclusive esse de 92 em Tóquio né, foi o mais importante porque eu tava com o meu filho e minha esposa também né, foi que... E tem outros também né, mas eu cito mais esses...

P - E agora fazendo o contrário, aqueles que mais deram tristeza, assim, enquanto torcedor.

R - Teve em 1950, o... Brasil perdeu, foi no mesmo ano por isso que eu, é... Foi o mais triste, o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai em 1950 e o São Paulo perdeu o tricampeonato, estando com cinco pontos na frente que o Palmeiras, o São Paulo faz quatro partidas, não ganha uma, no último jogo o São Paulo tava ganhando de um a ze... Eu não assisti a esse jogo, o São Paulo não... Não assisti... O São Paulo tava ganhando de um a zero, gol do Teixerinha, quando o Teixerinha faz outro gol, o Mr. Brown que era um juiz inglês, naquela ocasião o Brasil só, o Brasil só, a Federação Paulista por motivo de juiz, problema de juiz, mandava vir juiz estrangeiro e ele anulou um gol do São Paulo aí no segundo tempo, um gol meio duvidoso já... O Palmeiras empatou e foi campeão. O São Paulo perdeu o tricampeonato, isso foi um... Foi um momento muito triste, o Brasil perde, campeão do mundo aqui no Maracanã, e o São Paulo perde o tricampeonato com cinco pontos na frente para o Palmeiras.

P - O senhor assistiu ao jogo no Maracanã?

R - Não assisti, os dois jogos eu não assisti né. No Maracanã não assisti. Não tinha condições de ir naquela ocasião, e o jogo do São Paulo e Palmeiras eu tinha assistido os dois jogos anteriores que o São Paulo perdeu, no Ipiranga dois a um, perdeu do Santos, dois a um e eu... Não tive coragem de assistir ao último jogo, naquele tempo não tinha televisão né, só ouvia pelo rádio, eu não tive coragem de ir.

P - Ah, se o senhor pudesse mudar alguma coisa na trajetória da sua vida, o que mudaria?

R - É lógico que a gente queria mudar pra voltar criança, isso eu acho que todo mundo. (Risos) Eu não acredito que tenha gente... Apesar de que hoje, num certo sentido, eu tenho tudo né? Naquele tempo eu não tinha nada, eu só tinha liberdade, mas assim mesmo eu gostaria de voltar ao meu tempo de... De... Moleque, né? Moleque de rua, isso eu não, eu voltaria com muito, muito prazer. Apesar de que eu tenho família, tenho tudo, muitos amigos, tenho tudo isso aqui porque eu não... Tenho toda a mordomia que pode ter né, naquele tempo eu não tinha mordomia nenhuma, eu trabalhava, eu encerava a casa, dormi em cadeira que não tinha cama... (Risos) Tudo isso aqui, mas eu gostaria de voltar naquele tempo, se pudesse voltar. (Risos)

P - O senhor tem algum sonho?

R - Acho que... Todo mundo tem, quer sempre, quer um pouco mais né? E eu, no sentido de família eu quero que lógico, eu quero eles todos bem, pra toda... Meu filho, minha esposa, minha filha, meus parentes, que eles, o meu filho no caso né? Porque hoje ele tá com a idade de dezessete anos, uma idade assim, ele não sabe o quê quer né? Pelo menos uma coisa ele escolheu que não muda nunca, que é são paulino. Isso já não vai mudar. E pros amigos assim tudo, e pra mim... Eu tendo saúde só, e podendo jogar bola até uns cem anos eu estarei satisfeito. Esse é o meu sonho.

P - O senhor gostaria de acrescentar mais alguma coisa no seu depoimento?

R - Não, eu... Quero agradecer a oportunidade que vocês estão me dando né, e... Cumprimentá-los né? E se o meu depoimento serviu para alguma coisa eu estou satisfeito de todo jeito. Torcer para o São Paulo ser Bicampeão mundial.

P - Muito obrigado.

R - Eu é que agradeço.

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