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“Somos tão jovens...”

História de: Fernanda Camargo
Autor: Tamires Puhl Pereira
Publicado em: 19/12/2019

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História completa

Acredito que desde quando nasci, a vida da minha família tenha mudado complemente. A primogênita em todos os quesitos chegando e meus pais separados... Apesar de eu ter sido um nenê planejado, minha mãe e meu pai não estavam em uma união quando eu nasci, mas particularmente falando, entre nós aqui, isso nunca foi um problema, na verdade, era até melhor ter duas famílias e ganhar dois presentes no meu aniversário.

Cresci sempre sendo muito paparicada, estudei em escolas particulares e públicas no ensino fundamental, acredito que eu tenha passado por umas oito escolas durante minha vida (é, minha mãe nunca foi de morar em um lugar só, então a cada casa nova, vinha uma escola nova). Vivi durante oito anos sendo a única da família... Até que era verão de 2010, minha mãe eu um novo casamento a alguns já, me chama correndo, apavorada, me dando a notícia de queria um novo bebê na família; fiquei extremamente feliz por saber que teria companhia para brincar e fazer “coisas” de irmã, SIM! Era uma menina!!! Isabella nasceu dia 13 de dezembro daquele mesmo ano e desde então somos inseparáveis.

Com 10 anos, comecei a frequentar a religião africana junto com a minha mãe e desde então não largo, encontrei minha fé dentro de um terreiro de Batuque e só evolui junto dos meus Orixás e da minha espiritualidade.

Quando comecei a entrar na puberdade, tive momentos complicados na minha vida, minha mãe tinha acabado o relacionamento de anos e entrado em outro onde havia conflitos que estavam me afetando diretamente, comecei a ficar depressiva e a ter pensamentos sombrios pra uma “adolescente” de 13 anos (apesar disso, a relação da minha mãe comigo sempre foi ótima, o problema era a cônjuge dela). Não admite viver daquela maneira e procurei meu pai que sempre foi muito presente no meu cotidiano, resolvi pedir um refúgio pra ele e perguntei se ele me aceitava em sua casa. De prontidão, meu pai disse que sim e ainda falou “minha vida finalmente tá completa, tenho meu trabalho, minha casa, minha esposa e agora a minha filha comigo”. Desde aquele momento sabia que devia ir morar com ele, para minha saúde mental melhorar e para minha mãe ter a privacidade dela.

Passou um ano desde o episódio da mudança para casa do meu pai e finalmente tinha chegado 2016, ano dos meus tão sonhados 15 anos. Planejei durante todo o ano, como seria a noite da festa, a decoração, músicas, comes e bebes, meu vestido, exatamente tudo, e junto comigo, o meu pai (claro que teria o toque final dele) que se prontificou de fazer tudo do jeito que eu queria. Até que chegou o tão esperado dia 17 de dezembro (apesar do meu aniversário ser dia 19), passei a manhã toda me preparando e tendo meu momento de princesa que minha dinda me presenteou, esperando chegar a noite pra eu poder aproveitar e realizar aquele sonho de criança... E chegou! Era 20h e eu em frente ao salão, entrei porta adentro acompanhada da minha mãe e da minha madrasta que me entregaram as mãos do meu pai o qual me esperava no meio da pista para dançarmos nossa valsa, eu chorava de emoção, via meu pai chorando e falando o “quão linda eu estava e que aquela noite seria perfeita para nós”; depois de entregue a ele comecei a dançar a valsa que havíamos ensaiado, porém não era qualquer valsa... “TE APERTAR CONTRA O PEITO E PODER SENTIR MAIS FORTE, O PULSAR DO TEU, DO MEU, CORAÇÃO”. (Decisão/Tchê Garotos).

Começa a tocar Tchê Garotos, eu e meu pai apresentamos o verdadeiro show de dança tradicionalista (que sempre marcou nossa vida) para toda família presente, todos aplaudiram e ficaram encantados. Acredito que aquela noite nunca vai sair no nosso esquecimento, foi simplesmente incrível toda sensação e aquele amor que exalava de tudo e todos.

No ano seguinte, já no ensino médio, conseguiu meu primeiro emprego como menor aprendiz na Empresa Walmart em Porto Alegre, onde trabalhei durante um ano e adquiri muito conhecimento. Não foi um ano que eu tenha evoluído tanto, mas as atividades e todo trabalho feito lá foi de grande valia. Hoje em dia eu já trabalho há uns meses em um escritório de contabilidade, tenho minha rotina, meus estudos e apesar de ser uma grande loucura a minha vida, tento levar o máximo na leveza e na alegria (como uma boa Sagitariana, é claro).

Este ano já faço 18 anos, com um friozinho na barriga por não saber o que me espera no futuro, mas completamente ansiosa para os novos momentos que vou viver e tudo o que vou aprender ainda, até porque somos “tão jovens”... “TEMPO PERDIDO - (Legião Urbana)”

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