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História

Troca o superintendente

História de: Rafik Hussein Saab
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/12/2012

Sinopse

A infância ao lado da mãe. O pai e os irmãos que estavam no Brasil. A vinda para reencontrá-los. O trabalho no armazém de secos e molhados da família em Agudos, interior de São Paulo. A mudança para a capital e os estudos de Direito. Atuação no Última Hora. Conciliação entre a atividade comercial e o exercício da advocacia. O trabalho em diversas empresas e a decisão de abrir loja no ramo madeireiro. O funcionamento do setor e a importância da venda de madeiras legalizadas. A formação do Sindicato do Comércio Atacadista de Madeiras do Estado de São Paulo e sua atuação como presidente.

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História completa

“Foi através da Companhia Química e Industrial de Laminados que eu vim a ser madeireiro. A história é interessante: eu tinha meu trabalho; eu fiz abertura comercial, vamos dizer, da Companhia Química e Industrial de Laminados em todo o Estado de São Paulo, mais sul de Minas. E meu faturamento representava um terço do faturamento da empresa no Brasil inteiro. E um dia eu fui convocado pelo Doutor Ricardo para ir ao Rio. Ele queria conversar comigo; na verdade queria me propor uma redução de ganho. E eu então respondi a ele: ‘Doutor Ricardo, o senhor me paga 1% de comissão sobre as minhas vendas. Esse 1% está inserido no contexto do custo da sua matéria prima. Então o senhor não me paga nada; quem está me pagando é o cliente que está comprando a mercadoria. Eu não tenho salário consigo, eu tenho é a comissão que já está inserida no custo. ‘É’, ele respondeu, ‘mas seu salário hoje é maior do que o salário do superintendente da empresa.’ E eu falei: ‘Então é bom o senhor trocar o seu superintendente, porque se ele não faz jus ao que está ganhando, ele não é uma pessoa eficiente.’ E era uma reunião de diretoria, estava cheio de gente; inclusive esse superintendente estava presente. Aí o Doutor Ricardo falou: ‘Não, vamos reduzir isso pra 0,5%.’ Eu falei: ‘Doutor Ricardo, não se trata de reduzir pra 0,5, para um terço, qualquer coisa que seja. O problema é: eu me habituei a um padrão de vida x; se amanhã o meu ganho for menor do que hoje, eu vou trabalhar mais e vou voltar a ganhar o que estou ganhando hoje. Aí o senhor vai me convocar de novo para quê, para trabalhar de graça?’ E todo mundo deu risada lá na sala, né? Aí o Doutor Alfredo comentou com o português, o Senhor Ferreira, que era o gerente nacional de vendas: ‘Ah, seu pupilo está engolindo meu sobrinho.’ Aí o português falou para ele: ‘O que ele está falando é real, ele não está criando fantasia nenhuma.’ E a coisa foi por aí. Até que uma hora me fizeram uma proposta: ‘Venha e assuma o Departamento Jurídico da empresa.’ Falei: ‘Se o senhor não pode me pagar como vendedor, como é que o senhor vai me pagar como chefe do Departamento Jurídico? Não tem como. Aliás, vocês já me ofereceram gerência de vendas, não sei o que aqui dentro, e eu nunca aceitei porque sempre a oferta era para ganhar menos. Então não quero. Para eu ser seu gerente e ficar aí como uns parasitas que o senhor tem aí, parados, sem fazer nada, não é do meu feitio. Então, se for assim, prefiro sair.’ Aí então ficou aquela situação e ele falou: ‘Mas como? A gente não quer deixar você, perder você; nós crescemos juntos.’ Porque, de fato, quando comecei a trabalhar com o pai dele, ele era da minha idade. Só que ele foi para os Estados Unidos estudar e eu fiquei trabalhando com o pai dele. E fizemos o nome da empresa. ‘Mas não quero perder você de vista, não sei o quê. Por que é que você não monta a madeireira?’ Falei: ‘Olha, para começar, eu não tenho capital para isso; em segundo lugar, eu não tenho fiador para alugar um prédio, um barraco.’ E ele falou: ‘Eu sou seu fiador. Matéria prima você leva daqui o que você quiser e vai pagando conforme vende.’ Aí eu falei: ‘Então, fechado; não temos mais o que conversar.’ E foi assim que começou a minha história como madeireiro.”

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