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História

Um ambiente positivo

História de: Thatiana Aguiar Freire Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/09/2015

Sinopse

Nesta entrevista, Thatiana nos conta sobre sua família vinda de Minas Gerais e da Bahia, de suas brincadeiras de infância e sua vida na zona leste de São Paulo, em Vila Alpina. Nos conta também sobre sua descoberta do handebol nas aulas de Educação Física e sua entrada na EEFE-USP em 1999. A partir daí, sabemos um pouco sobre sua trajetória como federada e atleta universitária. Em seguida, Thatiana nos fala a respeito de sua entrada no PET em 2002, o cotidiano do trabalho, as amizades lá feitas e as mudanças no projeto ao longo do tempo. Por fim, ela nos conta a respeito de seu casamento, seus filhos, seu atual emprego no SESI e seus sonhos para o futuro.

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História completa

Meu nome é Thatiana Aguiar Freire Silva, nasci em São Paulo, no dia 17 de Julho de 81. Meu pai se chama Joaquim Celso Freire Silva e minha mãe Maria das Dores Aguiar. Por parte de mãe e pai eu tenho dois irmãos, o irmão mais velho é o Thiago e o irmão mais novo é o Thúlio. Então é o Thiago, Thatiana e Thúlio, tudo com th. Por parte de pai eu tenho mais três irmãs, a Luiza, de uma relação extraconjugal do meu pai, e depois mais duas irmãs da nova mulher do meu pai. Inclusive minha irmã mais nova é mais nova que o meu filho mais velho, então ela já nasceu tia. Eu morei em duas casas, quando criança. A primeira era numa ruazinha bem pequena no Parque São Lucas, Zona Leste de São Paulo. Ela era uma casa... ela era pequena, mas eu lembro muito do quintal dela, de um coqueirinho que tinha no fundo, de uma laje onde a gente montava aquelas piscinas de plástico pra se divertir nos dias de calor, né. E ela era uma rua muito tranquila, então a gente tinha muito aquela coisa que muita gente fala, da infância na rua. E eu lembro... eu morei lá até os meus cinco anos, eu lembro de sair na rua com muita frequência pra brincar com os amigos ali, com os vizinhos, e fazer tudo ali no bairro. Então a minha mãe ia no cabeleireiro e eu ia junto, ia na padaria. Então tem a casa, mas eu acho que a casa é mais a rua do que a casa ali, né. Depois a gente foi pra uma casa bem maior, num outro bairro, Vila Alpina, também na Zona Leste, aí já numa rua mais movimentada, uma rua grande, um pouco mais perigosa, mas que a gente ainda... eu não brincava na rua, mas brincava na calçada da rua e nos quintais das casas dos vizinhos, né. Nessa casa eu morei até os 23, mais ou menos, uma casa bem grande. Foi lá na sexta série que eu descobri handebol, aula de educação física na escola, aquela apresentação, não é aquilo que se diga: “Nossa, que handebol!” Mas foi a primeira vez que... e comecei a gostar de jogar. Na época, a professora tinha uma alternativa de montar turmas de treinamento pra jogar os campeonatos escolares, né, então eu joguei meu primeiro campeonato escolar foi com o handebol. Depois os intercalasses da vida, assim. E me apaixonei, fiquei sempre nesse nível escolar. Eu tenho algumas lembranças, não me lembro de nervosismo. Lembro de gostar muito, do ginásio cheio, todos os colegas lá torcendo, lembro bastante dos intercalasses também, de fazer camiseta pra poder jogar, de ter um... era um time misto, então a gente tinha... tinha o lance dos meninos mais fortes, mas a gente não tava nem aí. Tinha um grupo de umas duas, três amigas que gostavam muito também, então a gente ia e jogava e não tava nem aí pra eles. Era muito legal. Isso foi durante toda essa época do ginásio. Depois, quando eu fui pro ensino médio, que aí na minha escola do ensino médio tinha um espaço um pouco maior, mais organizado, professores talvez mais envolvidos também com a prática esportiva. Aí eu conheci melhor, fui conhecendo mais a modalidade. Tinha um professor nessa escola que era um técnico de handebol, que dava aula em outras escolas. Eu achava, quando eu entrei no colegial, eu achava que eu ia fazer alguma coisa na área de exatas, sempre gostei de esporte, adorava as aulas de Educação Física, mas nunca tinha passado pela minha cabeça, né, porque eu sabia que eu não queria fazer Educação Física. Eu adorava o meu professor, adorava mesmo, mas eu não queria dar aulas de Educação Física, a visão que eu tinha era da Educação Física escolar. E eu tinha certeza que o que eu queria era fazer esporte. O que eu imaginava fazer era ser treinadora de handebol, e aí eu falei: “É isso que eu quero fazer, e ser treinadora de... assim, de jovens e adultos, né. Antes de sair no jornal você podia ligar pra saber. Aí era um dia de manhã, a minha mãe estava cozinhando, o meu pai devia estar trabalhando, porque ele não estava em casa, eu liguei e falou que eu fui aprovada. Nossa, aí eu dei o maior berrão, falei: “Thiago...”, meu irmão mais velho, “...passei!” Ele já estava, né, já estava fazendo FFLCH, na época, ele: “Jura?”, ficou todo feliz também e aí ele queria ligar de novo pra escutar. Foi muito legal, foi a maior festa, foi muito legal. Depois eu vi no jornal e tudo. É engraçado, é uma grande conquista. Então, no meu primeiro ano eu tinha essa coisa de querer fazer. É difícil ter quem queira fazer, então me fisgaram pra ser diretora de modalidade logo no começo, bixete, Eu lembro que nesse ano eu até ganhei, que na EEFE tem, não sei se tem ainda, os Melhores do Ano, e tinha os prêmios, inclusive pro melhor diretor de modalidade. Eu ganhei, fiquei toda feliz. Meu marido hoje, na época era o diretor do basquete e ficou muito bravo porque ele achava que ele merecia, tal, e ele já era veterano, enfim. Então me fisgaram ali e eu gostei de fazer. Aí, como eu fiz um bom trabalho como diretora, o pessoal que montou a chapa da Atlética, que era na verdade... nem sei se teve concorrente, mas enfim, se candidatou pro ano seguinte, me chamou pra fazer parte da Atlética, da diretoria da Atlética, então eu fui, lógico. Adorei. Na hora eu me empolguei bastante, foi muito difícil no ano seguinte porque é a maior responsa, parece que é bobagem, mas não é. Foi um ano pra mim que eu comecei a fazer estágio, então foi bem cansativo, mas eu sempre gostei muito e fiquei esse ano. Foi um ano bem difícil, mas mesmo depois, fora da Atlética oficialmente, eu sempre gostei muito de ajudar porque eu gostava de ver a coisa andar, gostava de ver a coisa funcionar. Tinha essa coisa de paixão mesmo, de amor, e torcia, torcia pra todas as modalidades, vinha... meu, morando na Zona Leste, vinha assistir o jogo do basquete. Tudo bem que tinha meu marido (risos). Ou vinha e ia assistir, sei lá, o campeonato de natação, então eu sempre tive muito isso. Não fiz parte de bateria, nada, mas sempre tava berrando com essa voz estridente lá (risos), gostava muito. Então, em 2001 começou a rolar esses intercâmbios da EEFE, porque muitos professores tinham feito doutorado fora e aí, eu não sei exatamente como, começou a se formalizar essa oportunidade de intercâmbio. Na época, na EEFE, tinham duas situações: em Colônia, na Alemanha e no Porto, em Portugal. 2001 foi o primeiro ano que vieram... agora eu estou confusa se foi em 2001, acho que foi 2001. Vieram dois portugueses pra cá e no semestre seguinte foram três brasileiros pra lá. Bom, não lembro bem, não sei se eles chegaram... acho que eles chegaram... eles chegaram a conviver juntos, não foi simultâneo, não. Vieram os portugueses, um português super gente boa, um deles, eu falei: “Você é brasileiro, você não é português, meu.” Super descolado e tal. E aí lançou o edital pra se candidatar e eu queria muito, achava que ia ser muito legal, eu tava na dúvida se eu tentava ir pra Colônia ou pra Portugal. Eu fiz um estágio lá, que foi legal, no Futebol Clube do Porto, com handebol, com a equipe adulta que, na época, tinha um treinador que eu não sei se era sérvio ou montenegrino, que na época ele era um iugoslavo, que tinha sido campeão olímpico, então, nossa, foi uma baita oportunidade super legal Aí tinha lá o cartaz do processo seletivo pra estagiário aqui, só que tinha passado a data, já tinha... sei lá, era junho. Aí eu lembro que eu estava olhando, tal, uma colega de faculdade chegou, que também trabalhou aqui, a Fabiana, Fabi, ela: “Oi, Thati, tal, tal.” Falei: “Você viu?” Acho que eu já sabia que ela estava fazendo estágio aqui. “Ah, já passou.” Ela falou: “Meu, você está afim?” eu falei: “Ah, tô.” “Porque se você estive afim eu acho que eles não conseguiram preencher as vagas. Inscreve.” Agora eu não lembro se foi ela quem falou, não sei, inscrevi. Aí eu inscrevi, eu lembro até que foi o Zé quem me ligou, porque o Zé que era o coordenador do processo seletivo. Aí meu pai me zoou: “Olha, o deputado te ligou.” Porque era José Anibal, né (risos). “Pra marcar entrevista.” Aí fiquei toda feliz, tal. Vim fazer a entrevista, eu lembro bem do processo, me apaixonei. Então, o Esporte e Talento era... era? É, era uma parceria da Universidade de São Paulo com o Instituto Ayrton Senna, formava o programa de Educação pelo Esporte, que era um programa que surgiu em 95, né, após a morte do Ayrton Senna. Todas as suas ideias juntadas, unidas pela sua irmã, a Viviane Senna, enfim, de oferecer oportunidades praqueles que não tinha oportunidades, né. Então ele imaginava que, se ele chegou onde ele chegou, é porque ele teve oportunidade na vida, então ele queria oferecer essas oportunidades pros demais. Então, o projeto tinha um foco de atendimento às comunidades de baixa renda aqui ao redor da universidade, São Remo, favelas do Rio Pequeno, Jaguaré, então tinha esse público. Tinha atividades quatro vezes por semana, divididas em grupos etários, então tinha o primeiro grupo, que vinha... quando eu entrei estava começando a dar os nomes, né. Então, Peteleco de 8 a 10, Pequeninos de 11 e 12, Unidos 13 e 14 e Petelecão de 15 a 17 anos. Os grupos eram, mais ou menos formados por... na verdade eram 30 pra cada dupla de educador, então dependia um pouco também da condição de atendimento, da capacidade de atendimento, né. O Instituto Ayrton Senna formulou toda essa metodologia de educação pelo esporte, com os projetos que... o PET foi o primeiro, né, mas que outros projetos em outras universidades foram se formando, eles criaram essa metodologia com base nos quatro pilares de educação da UNESCO. Então, a partir do desenvolvimento das competências, dos quatro pilares, promover o desenvolvimento a partir do esporte, o desenvolvimento humano através do esporte Eu conheci o Luís quando eu entrei na faculdade, ele era o meu veterano, um ano mais velho que eu. Foi eu basicamente que escolhi: “Ah, é você que eu quero namorar. Ele é técnico de basquete, então é bom porque a gente é da mesma área e a rotina dele é diferente da minha, porque ele é bem da quadra mesmo, então jogos, final de semana, falei: “Meu, ainda bem que eu sou da área, porque se eu não fosse eu já tinha te matado.” Porque eu sendo da área já fico impaciente com esses finais de semana sem rotina, sem poder programar alguma coisa, né. Mas é bom porque aí a gente tem... eu adoro esporte e ele também, então muitos programas nossos, né... como eu estava falando, tudo gira... acaba girando em torno do esporte. Em 2011 tivemos nosso primeiro filho, Felipe. Em 2013, nosso segundo filho Vitor, que tá com um ano e oito meses agora. Ele é técnico de basquete, então é bom porque a gente é da mesma área e a rotina dele é diferente da minha, porque ele é bem da quadra mesmo, então jogos, final de semana, falei: “Meu, ainda Então eu vou assistir jogo dele, a gente vai assistir as coisas juntos, leva os meninos juntos. Então é tudo nessa parceria. Tô seguindo, tô caminhando, mas eu gostaria muito de poder, assim, fazer algo... continuar fazendo... acho que eu faço coisas que são importantes pro esporte, mas de fazer algo grande, fazer algo importante, que eu me satisfaça. Então, por exemplo, hoje eu faço uma coisa que me deixa muito feliz e tal, já teve tempos em que eu queria trabalhar como professora universitária na... sempre pensando na formação. Aí os rumos vão tomando outras coisas, a gente segue... pensa assim, mas aí faz isso, aí a gente tem que seguir. Mas eu não tenho algo muito concreto não, acho que é de continuar nesse caminho, acho que é de ter sempre o que fazer com o esporte, né, eu não consigo me ver fazendo outra coisa. Às vezes eu acho que isso é bom porque eu sou focada, tenho claro, mas por outro lado eu fico pensando se eu não deixo algumas outras portas... nem olho pra portas que podem se abrir, né, mas por enquanto vou seguindo por aí que tá dando certo.

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