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História

Um palhaço tímido

História de: Carlos Humberto Mendes Biaggioli
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/09/2013

Sinopse

Carlos conta a origem do nome de sua família, sua relação e convivência familiar, a relação dos pais, e a ideia que teve na adolescência de ser padre. Sua trajetória profissional percorreu muitas áreas do conhecimento como Jornalismo, História e Teatro, onde encontrou sua verdadeira paixão. Sua formação vem do teatro de rua, e a busca contínua pelo conhecimento e desenvolvimento interior é a sua lei.

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História completa

Eu me chamo Carlos Humberto Mendes Biaggiolli, com dois “g” e isso é importante deixar claro, porque existe toda uma história da minha família em cima desses dois “g”. Nós somos os únicos na família toda, na árvore genealógica inteira, inclusive também, todo mundo é com um g só, é Biagiolli, que vem de Biagliolli, que era bagos de alho, no norte da Itália, que é outra coisa que a nossa família faz questão de deixar bem frisado. Por conta do sul estar muito ligado à questão da máfia siciliana, que vem do sul da Itália e tudo mais. Então a gente faz questão de dizer que a gente é do bem, a gente não é ligado a essa questão.

Meu pai é falecido. Faleceu com 65 anos, vítima de câncer. Mas ele era um grande artista, um músico fantástico, uma visão humorística da vida fenomenal, tanto é que me influenciou muito na minha carreira. Mas por conta do falecimento prematuro do meu avô, que era maestro, meu pai foi para outro caminho, foi parar no Instituto de Pesquisas Tecnológicas aqui de São Paulo, na USP, e virou contador, e se aposentou contador e morreu de câncer aos 65 anos. Tudo bem, isso pode não ter nada a ver uma coisa com a outra, mas eu acredito piamente que tenha, porque é muito difícil quando a gente faz aquilo que não tá no rascunho de Deus, como costuma dizer. Minha mãe é secretária dele, caso típico. Caso típico, secretária dele no IPT, mas logo, por questões de doenças familiares, muitas doenças familiares em casa, ela virou dona de casa e tá até hoje.

Tá viva, tá com 76 anos, bem velhinha; tá com Parkinson agora, mas tá indo muito bem, graças a Deus. Quando eu fui fazer teste vocacional, foi quando, eu tinha uns 13 anos, 14 anos, sei lá, deu que eu ia ser padre. Meu pai, espírita convicto, formação evangélica, portanto anticatólico falou assim: “padre? Tá bom, brigado” Chegou em casa e falou assim: “filho, vamos conversar sobre isso: olha, tudo bem, num tem problema nenhum, o que você quiser ser, que seja mas a gente tem que entender que padre é igreja católica oficial, então se não for padre, é líder religioso.” Hoje na fé que eu comungo eu sou um dirigente espiritual.

Eu cheguei a fazer duas faculdades, interrompi as duas. A primeira foi comunicação: eu queria ser jornalista, porque eu gosto de escrever e queria ser jornalista. E agora recentemente eu fiz meio curso de História, lá na fundação Santo André, e foi muito bacana, mas eu também por questão financeira eu parei. Fiz minha formação técnica em teatro, na escola livre de teatro de Santo André, mas eu cheguei pra fazer escola livre quando eu já tinha 40 anos de idade e 25 de carreira.

Eu fui lá pra tentar academizar um pouco o que eu já sabia de cor e salteado na pratica, porque eu sou artista de rua. Nosso grupo de teatro acabou se desenvolvendo na linguagem de teatro de rua. Então é muito do que a gente descobre, eu queria ver onde que a academia, onde que o estudo, empacotava isso. Eu já trabalhava como palhaço em festas e eventos. É, isso até 95, 96, que foi quando eu conheci o trabalho de um americano chamado Michael Christensen que é o fundador do Clown Care Unit, que se espalho pelo mundo inteiro.

Aqui no brasil ficou mais conhecido pelo Doutores da Alegria. E aí eu montei meu próprio projeto a partir do contato com isso porque eu já vinha procurando qual era a função social do palhaço. Fui nesse caminho e hoje, até dentro dessa linha espiritual que eu sigo, que é Centro de Estudos para Expansão de Consciência Porta do Sol, a gente tem um olhar todo voltado pra questão do palhaço sagrado. Dentro da Porta do Sol a ação do palhaço pertence, veja só, ao núcleo jurídico, porque também lida com a verdade, com a busca da verdade. Então quando eu faço meu palhaço, eu não estou interpretando, eu é eu ampliado, é eu colocado numa outra camada da cebola, da grande cebola que somos nós. Então é assim que eu vejo o palhaço: ele não é um personagem, isso é coisa de teatro.

Palhaço não é uma ação de teatro, embora atores também façam isso, como não atores também fazem isso, e bem. Nós damos um curso chamado “retiro de palhaço”, é uma imersão, em sistema de confinamento, quatro dias num local – é um reality show às avessas. E nos temos surpresas assim, uma atrás da outras, farmacêuticos, biólogos, Ph.D. da USP, jornalista, donas de casa, estudantes de diversas áreas, é...coçadores de saco, muitos se auto intitularam...e também palhaços e também atores ou atrizes. E a gente viu que essa energia, ela é própria do ser humano: olhar o mundo através de uma ótica diferente.

As minhas primeiras experiência como palhaço foram terríveis, por causa da timidez, até hoje eu sou tímido. As pessoas riem quando eu falo, “poxa, um palhaço tímido, não tem nada mais paradoxal do que um palhaço tímido”. Sou profundamente tímido até hoje, mas naquela época era absurdo. Eu já entrava não vendo a hora de sair – embora eu gostasse de fazer as pessoas rirem. Porque aí é que está o principio pra mim, eu gosto de fazer as pessoas rirem, porque eu sou muito triste, então eu gosto muito de fazer as pessoas rirem. Naquele momento eu tenho assim, um pós, como se um pós-orgasmo, é isso. Eu fico leve, eu fico mole, quando termina um trabalho bem feito.

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