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História

Um sonhador

História de: João Costa e Silva Neto
Autor: Marcia Elias Trezza
Publicado em: 28/03/2019

Sinopse

João nos conta que seu nascimento foi anunciado num córrego às margens do Rio Parnaíba, no Piauí e foi também ao lado de um córrego, às margens do Rio Tiête que construiu sua casa em São Paulo. Em época de cheias, a família toda precisava se acomodar na sala, uma ilha, como denominava, para se proteger das enchentes. Mas lá era seu lar, fez um jardim com roseira, plantou pé de chuchu, de abacate... Essa e outras histórias desse lugar, poderemos conhecer em sua narrativa.

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História completa

Eu nasci no interior do Estado do Piauí, às margens do Rio Parnaíba, mamãe disse que era domingo, estava lavando roupa num córrego perto de casa, por nome Roncador, e ali ela sentiu que eu estava vindo, só deu tempo dela chegar em casa. Tinha um córrego, o Tietê também, não estava feita essa canalização, ele enchia... Aquelas casinhas enchiam todas de água. Aqui no barraco, nós tomamos muita enchente. Mês de fevereiro, época das cheias. Quando eu comprei, era só um vão. Aí, eu fiz a cozinha e a sala nessa altura, então, nossa ilha era ali. Enchia na parte dos quartos, nós mudávamos para a parte alta, depois tinha que lavar tudo. Mas ali eu plantei pé de rosa, tinha um jardim. Minha esposa sempre gostou de planta, tinha um pé de chuchu, que deu muito chuchu, um pé de abacate... Quando eu saí desse barraco, eles mandaram derrubar, tinha que derrubar, para ir lá para o Cingapura. Aí, em seguida, veio uma pessoa e já fez de novo, e o pior é que cortou o pezinho de abacate, que já dava abacate há uns três anos. Cortou o pé de rosa... O pessoal começou a fazer as casas. Hoje está tudo de bloco, bem-feito, mas era tudo de madeira. Teve um incêndio aqui uma vez, muito grande, as freiras vieram me acordar com medo de eu morrer queimado. A minha esposa não estava em casa, eu estava dormindo, trabalhava à noite. Mas a gente foi muito feliz e, nesse lugar, porque Deus nos guardou, não perdi meus filhos, estão todos vivos. A gente sente muito, porque viu muitas perdas... pessoas jovens, outras mais maduras... Não era isso que nós queríamos, ter uma história e, nessa história, ter que contar uma parte triste.

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