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História

Uma inteligência anárquica

História de: Paulo Tiefenthaler
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/10/2012

Sinopse

Paulo Tiefenthaler nasceu na Suíça, pois os pais estavam em viagem longa pela Europa. A casa era cheia até doença do pai, que faleceu ainda jovem. Desde pequeno Paulo praticava esporte e tinha contato com a fotografia, atividade que exerceu antes e durante sua profissionalização de ator; primeiro cursou em Paris, depois no Rio de Janeiro. Viveu na França, trabalhou em hotel, de onde teve várias ideias para escrever roteiro. Desde que começou a trabalhar no programa Larica Total, foi chamado para vários trabalhos, incluindo o Suburbia. Gostaria de ter tido foco na vida mais cedo, porém seu maior sonho é viver. Em Suburbia, Paulo interpreta o personagem Costa.

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História completa

Meu pai nasceu na Suíça, mas ele veio para o Brasil com 12, 13 anos. Minha mãe é de Teresópolis, fluminense. Eu nasci na Suíça porque eles estavam viajando alguns meses, e eu acabei nascendo. Pulei fora, na Suíça, mas eu cheguei no Rio com dez dias de vida. Eu sempre falo: “Eu sou de Copacabana”. Ali eu fui criado e morei mais de 20 anos. Meu pai morreu eu tinha 17 anos. Primeira vez que eu fui num enterro de alguém foi no dele, uma relação com a morte muito louca porque eu vi meu pai morto no caixão. Não me emocionava, não ficava triste, não sentia. Parecia que aquilo não tava acontecendo na verdade! Ele era representante comercial e corretor, e trabalhava com corretagem de fábricas à venda. Eram negócios muito incertos. Tinham fases maravilhosas, um bom dinheiro em casa, e às vezes era uma fase mais dura. Lá em casa sempre vivia altos e baixos. Ele sempre falava: “Você vai estudar, fazer doutorado e ser um doutor em uma empresa”. Ele não me viu virar artista. Mas a minha infância foi muito divertida. Um apartamento cheio de vida, com muita felicidade, muita coisa boa. Meu pai era muito engraçado, meio palhaço e era um cara que amava a família. Muita festa, muito jantar.

Escola Suíço-Brasileira, em Santa Teresa, é onde eu estudei toda a minha vida, quase até o final. Como eu comecei a fazer muita bagunça, eu era o cara mais popular da minha escola, até que fui convidado a me retirar. Isso pra mim foi uma honra. Eu fui entender o caos, nesse sentido de fazer bagunça. O que era isso na verdade? Era vontade de fazer arte. Era uma inteligência anárquica de uma criança, junto com outras pessoas, que queriam simplesmente desconstruir aquela rigidez que às vezes a gente não entendia. No Colégio São Paulo eu terminei a escola, depois eu fiz faculdade. Sou formado em Jornalismo, tenho a faculdade de Filosofia incompleta, fiz Escola de Teatro e sou autodidata em Cinema. Eu quase segui a carreira de fotógrafo, mas na última hora o teatro veio a tona, e o teatro entrou naturalmente. Eu era muito fechado, ainda sou. Você amadurece, cresce e vira um adulto e domina um pouco mais os seus lados, mas eu sempre fui muito palhaço. Brinquei muito de teatro em casa, sempre interpretei muito sozinho, passava horas interpretando empresário, dando esporro em todo mundo, com 14, 15 anos. Eu via um filme qualquer, acabava, desligava a televisão e começava a interpretar. Até hoje eu faço isso. Mas eu era muito tímido. Pra mim era uma coisa completamente fantasiosa.

Em teatro, você paga pra trabalhar no início. Não tem dinheiro pra nada. Você faz uma peça com 20 atores em cena, tem seis pessoas na plateia, pagando ingresso de dez reais. Então eu tinha que fazer um bico em algum lugar. Fiz muita matéria pra Joven Pan e pra Revista Trip, nos anos 90. Consegui um trabalho como freelancer na Globo. Eu fui fazer carnaval lá no núcleo do Aloysio Legey, que fazia réveillon. Em 99, eu peguei uma câmera, uma VX1000, entrei na avenida com ela escondida e filmei três, quatro baterias, de dentro da escola. Esse material virou um curta-metragem que ganhou alguns prêmios, rodou todos os festivais e virou referencia no mercado de áudio visual, e chama “Jorjão”. Comecei a trabalhar como editor. Mas eu não trabalhava como ator. De vez em quando fazia umas pontas, mas não conseguia voltar. Eu sou uma pessoa muito intuitiva, e eu tinha intuição de que alguma coisa ia acontecer muito forte na minha vida como ator. Eu só não sabia por onde. Em Berlim eu fui ver umas peças de teatro e vi umas coisas que fiquei apaixonado. Que teatro maravilhoso, que texto maravilhoso! Aí me deu um tesão: “É isso, é isso que eu sempre quis fazer na minha vida!”.

Em 2007 rolou um programa no Canal Brasil chamado Larica Total. E eu comecei a soltar os cachorros na frente da câmera, comecei a misturar Nelson Rodrigues com Shakespeare, com Santa Teresa, Lapa e Copacabana, e comecei a fazer um personagem que tem muito a ver comigo e meus amigos. Na hora de fazer o Costa, empresário do baile funk... Não é um cara poderoso. É um cara apaixonado pelo que ele faz e tem essa coisa toda da roupa dele... É aquele tipo dono de circo do interior. “Eu quero isso aqui, mas eu boto meu óculos, pinto meu carro...” É um amor, na verdade. Ele se embanana, se enrola, é um pouco isso, eu vejo o Costa uma figura quase que um dono de circo do interior. É uma profissão maravilhosa por esse sentido. Você pode trabalhar até eternamente, você tem papéis dramáticos, na história do teatro, para todas as idades e tudo o mais.

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