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Vivendo a segunda chance

História de: Pedro Thiago Silva Santos
Autor: Juliana de Faria
Publicado em: 27/11/2018

Sinopse

Bem humorado; olhar emocionado; alto; de riso simpático; estas são algumas características de Pedro Thiago Silva Santos, 33 anos, um exemplo genuíno de luta e transformação. Atualmente trabalhando na emissão de passaportes e estudando química na UFRGS, Pedro possui grandes sonhos para o futuro.

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História completa

Filho caçula de uma família humilde de nordestinos, Pedro nasceu na cidade de Recife e aos quatro meses de idade foi levado por sua mãe Silvia Maria para a cidade de São Paulo onde seus irmãos e pais residiam na época. Crescendo na periferia da grande cidade paulista, conta que muitas vezes durante seu ensino médio, não havia aula devido aos traficantes da região e os poucos professores que tinham, muitas vezes ensinavam mais de uma matéria. As matérias que mais lhe chamavam a atenção, eram as de conteúdos exatos como matemática e química, que ele compreendia muito bem.

 

Sempre ansiou por trabalho devido ao exemplo de seu pai Sebastião, que lhe incentivava a conseguir seus objetivos. Aos 12 anos, morando na cidade de Embu das Artes, interior de São Paulo, Thiago queria começar a trabalhar numa padaria próxima de casa, porém, seu pai o proibiu para que ele continuasse estudando. Já aos 15 anos, passou a trabalhar como panfleteiro de uma clínica odontológica mas possuía um papel de faz-tudo na clínica. Trabalhando em meio período para frequentar a escola à noite, seu salário de meio período era a única renda da família pois era o único empregado dentro de sua casa.

 

Nessa mesma época conheceu a igreja através de amigos, mas não possuía nenhuma noção do que queria para sua vida. Em meio a uma fase rebelde, largou os estudos e envolveu-se com más influências. “Ser jovem em São Paulo é uma coisa que precisa ter muita força de vontade, ainda mais morando na periferia”, explicou. Devido a essas companhias, foi obrigado a deixar a cidade e retornar para Pernambuco junto de sua mãe.

 

Em sua terra-natal, passou a conviver com um de seus primos que era uma péssima influência para o jovem. E num certo momento, aos 19 anos, percebeu que a vida que levava não era a que queria para si e decidiu que a partir desse momento queria ter uma família, assim como seu pai, e não queria que seus filhos tivessem um pai que não fosse um bom exemplo. Afastou-se das más companhias e voltou a frequentar a igreja, para melhorar sua vida.

 

RELIGIÃO

 

Ao retornar para a igreja, passou a frequentá-la assiduamente e encontrou um ídolo: Jesus Cristo. Começou então a fazer metas para sair em missão pela igreja, mandando assim seu chamado e acabou sendo designado para o Rio Grande do Sul para pregar o evangelho. Durante dois anos de sua vida sua única atividade era propagar o evangelho de Deus, acordando todo dia cedo e estudando as escrituras.

 

A religião sempre foi presente em sua família mas nunca foram frequentadores de nenhuma igreja, porém, seu pai lia versículos da Bíblia quando juntava toda a família Santos, assim marcando profundamente a vida de Pedro. “Você precisa ter fé em alguma coisa, em Deus, em alguém. E eu sempre busquei essa religiosidade para a minha vida”, concluiu.

 

Tornando-se uma parte muito importante e uma orientação para sua vida, Pedro admite que caso afaste-se da igreja, voltaria a se tornar uma pessoa muito ruim. “Eu sou 8 ou 80, não fico em cima do muro. Tem uma escritura na Bíblia que diz: ou você segue a Deus, ou segue a Mamón, que no caso seriam as riquezas do mundo”, explicou.

 

FAMÍLIA

 

Emocionado, revelou que um dos seus maiores ídolos é seu pai Sebastião, que lhe ensinou o significado de honestidade e sempre batalhou muito para cuidar de sua família. “Eu tenho uma conexão tão forte com o meu pai, que logo após ele morrer e até hoje, eu posso sentir o cheiro dele, sentir a presença dele. A conexão que eu tinha com o meu pai era muito forte, muito forte mesmo”, contou.

 

A morte de seu pai foi um momento muito difícil de sua vida e até hoje continua sendo complicado lidar com a ausência e saudade de seu pai. Muito grato a todos os ensinamentos e pelo exemplo que foi em sua vida, Pedro afirma que apesar dos defeitos de seu pai, não havia nada a reclamar pois ele havia dado o seu melhor como pai.

 

Desde muito jovem, Pedro sempre sonhou em ter sua família e seus filhos, uma das características que acredita ter herdado de seu Sebastião - que casou-se com dona Silvia apenas 28 dias depois de conhecê-la. Quando conheceu sua esposa Aline, teve a certeza que era o momento de começar a construir sua família e hoje, após 10 anos de casamento e 4 filhos, seus filhos são o seus maiores amores. “Apesar do cansaço, dos problemas, quando olho para eles, eu faria tudo de novo”, explica com um sorriso no rosto.

 

O principal legado que deseja deixar para seus filhos é que sejam pessoas boas, mas seu maior sonho é que seus filhos tenham a mesma ligação com ele, da mesma forma que ele com o seu. “Quero que eles me amem de verdade, que quando eu morrer eles sintam a minha falta, assim como eu sinto a do meu pai. Não digo como dependência, mas sim como amor, carinho”, falou.

 

SEGUNDA CHANCE

 

Desde que havia largado os estudos, Pedro acreditava que se esforçando, sendo o melhor funcionário, sendo honesto e trabalhando muito, seu patrão iria reconhecer e promovê-lo, dessa forma ele iria subindo de cargo. Até que em um certo momento, no estacionamento que trabalhava, surgiu uma vaga de encarregado na empresa e essa vaga foi dada para outro funcionário. Questionando seu patrão queria saber porque não havia sido escolhido se era o melhor funcionário, o mais honesto, que havia aumentado a receita. “Por quê não eu? E sua resposta foi: porque você não tem ensino médio”, contou.

 

Naquele momento caiu a ficha para Pedro que não bastava apenas trabalhar, que agora quem ganhava mais, era quem estudava mais. Ele precisava terminar o ensino médio e ter uma profissão, pois não lhe dariam oportunidades se ele não tivesse estudo. “Tinha que fazer alguma coisa, técnico ou faculdade” relembra Pedro.

 

Mesmo sabendo a necessidade de uma profissão, conta que nunca foi muito ambicioso e apesar de gostar da química, nunca havia pensado nisso. Foi trabalhando na distribuidora Ambev, antes de sair em missão, que Pedro passou a ter contato com técnicos em química e química industrial. Ouvindo sobre as máquinas e a parte química do refrigerante, passou a interessar-se por automação, robótica. Na hora de voltar a estudar, havia duas áreas que lhe interessava muito: química e mecatrônica, pelo seu interesse em robótica.

 

Porém, em Porto Alegre não havia nenhuma escola técnica de mecatrônica. Apenas em cidades vizinhas, e com uma família, não havia como fazer o curso técnico fora da cidade. Sobrando-lhe assim a química e técnico em química, fez cerca de 6 meses primeiramente para testar. “Tem uma diferença entre você ser bom; você gostar e ser bom; e você gostar e não ser bom”, afirma Pedro, e a partir disso, descobriu que era bom em química.

 

Seu gosto por química tornou-se sua futura profissão. Para suprir a educação precária que teve em seu ensino médio e conseguir concluir seu curso técnico em química, Pedro sempre precisou buscar e aprender por conta própria. Mesmo fazendo algumas pausas devido a falta de orçamento, conseguiu atualmente concluir seu curso técnico e começou a cursar na UFRGS, bacharelado em química. Ainda em dúvida sobre qual lado seguir, considera fortemente trocar para licenciatura por interessar-se na parte acadêmica, mas possui planos para o futuro de abrir uma empresa de técnicos em química.

 

Um verdadeiro exemplo de transformação e superação, Pedro Thiago da Silva Santos percebeu o que realmente queria para sua vida. Mudando e melhorando ela, Pedro agora aos 33 anos vê um futuro totalmente diferente do que via há 10 anos atrás.

 

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