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História

Uma trajetória de mudanças

História de: Antônio Carlos Pimentel Lobo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/10/2018

Sinopse

Antônio Carlos Pimentel Lobo relembra sua carreira no BNDES que foi repleta de mudanças até o momento em que se torna Diretor por dois mandatos.

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História completa

P/1 – Paula Ribeiro.

 

R – Antônio Carlos Pimentel Lobo.

 

P/1 - Boa tarde, senhor Antônio, eu gostaria de começar o nosso depoimento, pedindo que o senhor me forneça o seu nome completo, local e a data de nascimento, por favor?

 

R - Antônio Carlos Pimentel Lobo, data de nascimento dia 23 de novembro de 1921.

 

P/1 - Aonde o senhor nasceu?

 

R - Rio de Janeiro.

 

P/1 - E os seus pais, a origem dos seus pais e a profissão do seu pai?

 

R - Pernambucanos. Eu morei lá, até os 15 anos, Pernambuco. Depois vim para cá.

 

P/1 - E atividade profissional do seu pai?

 

R – Ah, ele, quando estava em Recife, tinha um negócio farmacêutico, depois veio para o estaleiro em Mauá, aí como contador, tal, só isso.

 

P/1 - A mudança para o Rio de Janeiro foi?

 

R - Quando eu tinha 15 anos. Acabei o ginásio em Recife, em 1938, vim para cá.

 

P/1 - Foi em função do trabalho do seu pai?

 

R - Não, indiferente, ele não interferiu nisso não. Quer dizer, claro que eu vim para cá, mas depois ele ficou lá e eu fiquei aqui e tal.

 

P/1 - E aqui no Rio de Janeiro o senhor estudou aonde?

 

R - Colégio Universitário, que não existe hoje. Era Universidade do Brasil. Em 1938, quando criaram aquele... Entre ginásio e universidade, o curso complementar. Então, tinha esse aqui, no Rio de Janeiro, Universidade do Brasil lá na Urca. Então, eu entrei, fiz dois anos lá. É do Governo, não paguei nada. E depois fiz exame para Politécnica, entrei para a Escola Politécnica. O primeiro vestibular, eu não passei. No segundo eu passei e aí fiz carreira lá. Formei-me em 1947. Daí em diante... Mas ai está, ok.

 

P/1 - O senhor se formou em que curso?

 

R - Engenharia civil.

 

P/1 - Quais eram as suas expectativas profissionais?

 

R - Eu comecei a trabalhar também em construção por um tempo, por um tempo, mas, em 1943, me formei em 1947, eu trabalhei no recenseamento de 1940, de 19:00 à 00:00, estudando na escola. Com a mão, não era computador não. Aí, com o negócio de guerra, o Governo... Vai ser longo eu te falar.

 

P/1 - Vamos fazer esse comecinho?

 

R - Eu acabei indo para Medellín, Colômbia, pelo Departamento de Estado Americano, não é eu não, 200 latino-americanos foram para Medellín, para fazer um curso básico, depois para os Estados Unidos, para a guerra. Eles queriam meteorologia. Eles queriam que o Brasil tivesse um nível melhor de meteorologia para apoiar o movimento Recife, Salvador, para a África, para não sei onde porque precisava ter previsões adequadas. Então, pegaram 200 latino-americanos, 40 brasileiros. Fomos para Medellín seis meses, em grupo passou, eu passei na Califórnia, passei um ano lá, um ano e meio morando na América do Sul. Parei aí. Depois voltei, fui para a FAB, fui para a FAB por dois anos e pouco e trabalhei na construção civil na (Korns?) Engenharia, ta, ta, ta, ta. E aí me convidaram, perguntaram se eu queria ir para lá. Não sabia que diabo era BNDES. Eu falei com um conhecido meu da embaixada, ele disse: “Esse Banco é coisa séria? O que é isso?” (risos) Ele sabia das coisas. Então, eu entrei no Banco, aí larguei tudo...

 

P/1 – Bom, em que ano o senhor entra no Banco e o que motivou essa vinda do senhor para o BNDES?

 

R - Porque fui indicado, quer dizer me indicaram como interino, uma pistolão para...

 

P/1 - O Banco estava se formando?

 

R – Estava se formando. Eles tinham puxado funcionários antigos do Departamento de Estrada de Rodagem, Estrada de Ferro, dos Portos, não sei o que, Energia Elétrica, chefes de divisão do Governo Federal, foi tudo para lá. Pagava muito bem o Banco para isso, para pegar o sujeito, mais o trabalho de oito horas, o Governo seis horas, tal. Lá eram oito horas.

 

P/1 - E como que o senhor veio trabalhar no BNDES, você veio para ocupar que função, que setor do Banco?

 

R – Ah, eles que resolveram. Eu era engenheiro civil, primeiro jogam para qualquer lado, né? Pode não saber tudo, mas... Então, fui para o Departamento de Projetos. Tinha o Departamento Econômico, para economista, Departamento Jurídico para administrativo, tal. O técnico era o mais básico para tudo, né? Então, entrei como engenheiro, não tinha nenhum departamento técnico. Depois passei para chefe de setor, mas não vão por tudo isso não, né? Fui até chefe de departamento e diretor, mas trabalhando na indústria química. Antônio Ermírio, negócio de alumínio, um grande financiamento, 50 mil na época na parte de alumínio em São Paulo. Então, o Banco... Cinquenta mil é dinheiro para danar. Eu tinha que ir para o Conselho de Administração do Banco, acima de 40.000 reais... Reais não, é unidade lá. Começou. Entrei em alumínio, alumínio e papel, ferrovia, variava. Fiquei mais no Transporte.

 

P/1 - Algum projeto especial que o senhor tenha trabalhado, que tenha mais lhe marcado como profissional do Banco?

 

R – Bom, aí já é outra coisa, já falei negócio da aviação. Aí, não vale a pena repetir. Bom, tudo era importante naquele tempo, entendeu? Era motivado a fazer coisa diferente, você não cansava na mesma área, entendeu? (risos). Energia elétrica, usinas de eletricidade, indústria química, papel e celulose, cimento, trabalhei na área de cimento. Quer dizer, cheguei a São Paulo, perguntado: “Mas que banco é esse? O que é isso?”. Lá em São Paulo, para um diretor de empresa. “Isso aí é um Banco do Governo, que o nome era muito grande. Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico.”. O cara achou estranho. Eu estou aqui fazendo um resumo, um Banco do Governo, aquele negócio.

 

P/1 - Vocês falavam “era um Banco do Governo.”

 

R – “Federal e para isso, não é para empréstimo, nem mutreta, nada disso não. É para desenvolver o país”. “Está bom, ok”. Então era isso.

 

P/1 - O senhor trabalhou até que ano no Banco?

 

R - Como diretor também trabalhava, como diretor saí em 1972, 1972. Eu fiz dois mandatos nesse meio tempo. Quando saí em 1972, fui para reserva porque não ia pedir ia pedir cargo lá no Banco e tal. Mas me chamaram, o Banco me pôs naqueles três projetos que eu te falei. Quer dizer, a Sinteko que estava ruim, depois a Sakura... Fui diretor, fiquei mais para fora, né? Não estava no prédio do Banco, mas estava trabalhando para ele.

 

P/1 - O senhor ficou mais de 20 e poucos anos trabalhando no BNDES, né?

 

R – Ah, foi mais de 30.

 

P/1 - O que significa para o senhor o BNDES, tanto na sua vida pessoal, quanto na sua vida profissional? Para o senhor o que é o BNDES?

 

R - Para mim foi a salvação do país naquela época, entendeu? Foi um Banco muito sério, muito sério, técnico e aí tinha... Até na outra coisa, eu fiz um elogio até. Engenheiro é bom, sabe tudo, né? Sabe nada. A economia também aprende, mas não sabe tanto agora. Então, se o Banco tinha... Acabei tirando curso de economia só para falar a mesma língua deles. A língua do economista naquele tempo era desconhecida, ninguém conhecia ______. Então, eu fiz o curso para isso, nacional também, mas o que você estava falando?

 

P/1 - O que representa para o senhor o BNDES, o que é o BNDES?

 

R - Eu acho... Bom, para o país eu acho uma coisa espetacular, né? Onde houve seriedade, não é que os outros não fossem sérios não, mas dedicação porque ganhavam bem, pagavam bem, ganhava mais do que o pessoal do Governo Federal, principalmente para isso, pegar gente mais ativa, mais experiente, mesmo que fosse jovem, mas mais experiente que qualquer um deles. Uns mais, outros menos. Ou pagava bem... Aí, eu corri em 10 anos, eu não posso reclamar nada, pelo contrário. Em 10 anos, eu era diretor. Nunca pensei nisso.

 

P/1 - E de alguma forma, hoje, o senhor continua ligado ao BNDES?

 

R – Ah, sim. Todo mês nós temos almoço, ou no Hotel, Excelsior, agora foi no Jocky, um grupo de 30 mais ou menos. Varia, né? O pessoal continua dedicado.

 

P/1 - Mas foram colegas da sua geração que trabalharam com o senhor, que entraram com o senhor?

 

R - É, no mesmo grupo. Todo mundo. Entrei lá em 1947... Em 1953, 1953. Eu nasci em 1921, quanto é que dá? Dá 34, né?  Por aí. A turma era assim porque não eram recém-formados que iam para lá, não. Inclusive, estava fazendo estrada de rodagem, DNER, rede ferroviária federal, muita coisa do Governo, né? Energia elétrica era Governo também.

 

P/1 - E nesses almoços se relembram muito o período que se trabalhava aqui?

 

R – É, um pouco, né? Não tanto. Tem uma diversãozinha, ninguém é de ferro, né? (risos). Mas o grupo era muito antigo, muito unido, porque começaram juntos e subimos juntos. (Magrass?) foi o primeiro diretor do quadro, depois fui eu, depois Luiz Carlos Rodrigues, deve vir hoje aí. Mais dois, Abade... Tudo gente que entrou com zero, zero, e em oito, 10 anos estava lá em cima.

 

P/1 – Então, eu vou finalizar o nosso depoimento, vou ficar com compromisso da gente se falar, para a gente fazer um depoimento um pouco mais extenso. O senhor tem aí, uma trajetória muito importante para ser registrada, né? E gostaria de lhe perguntar, o que o senhor achou de ter dado esse pequeno depoimento no Projeto de Memória 50 anos do BNDS?

 

R - Acho uma boa ideia, gostei, uma boa ideia. O Banco realmente é uma peça importante no governo brasileiro e nunca se ouviu nada ruim na área do Banco. Muita gente, muitas áreas boas balançaram. Isso que é importante.

 

P/1 – Então, eu agradeço, seu Antônio, muito obrigada.

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