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História

Uma viagem que já dura mais de 30 anos

História de: Carlos Alberto Galhardo Sarli
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Carlos Alberto Galhardo Sarli, conhecido por Califa, falou sobre a importância de sua independência da família nos rumos que sua vida tomou. As viagens, iniciadas aos 16 anos, despertaram o seu interesse pelo surf e pela cultura de praia, e isso definiu suas opções profissionais. Relatou que ao pensar em uma revista que, além de surf, falasse de outras áreas de interesse, como cultura, sensualidade, comportamento, criou uma proposta totalmente nova de publicação. Hoje, além da Trip e TPM, relata que está envolvido em um novo tipo de consultoria para clientes, a partir de experiências bem-sucedidas que teve ao longo de todos esses anos. Essa diversificação tem permitido essa longa existência da revista, encarando todas as crises pela qual o país passou e vem passando.

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História completa

Meu nome é Carlos Alberto Galhardo Sarli, apelido Califa. Nasci em São Paulo, capital, em 13 de agosto de 1959. Meu pai é Antônio Sarli Neto e a minha mãe, Carmen Galhardo Sarli. Eu nasci no Brás, mas mudei pra uma casa no Belenzinho com cinco, seis anos, e morei lá até os 20, 21 anos. Minha mãe é espírita e tivemos essa formação de um jeito muito impositivo, que me incomodava demais. Talvez por isso, hoje eu não tenho uma religião. Sou agnóstico, mas acredito que o que você faz, retorna.

Eu ia à escola de manhã, perto de casa. Em casa tinha um quintal grande, a gente punha rede de vôlei, tabela de basquete, andava de skate. O ginásio, fiz no E.E. Oswaldo Catalano. Lá eu descolei da minha amarra familiar, porque eu comecei a ter uma turma que era mais ativa com esportes e viagens. Com 16 anos, eu comecei a ir pra praia surfar, e aí fui descobrindo o meu jeito, o meu prazer de viver aquilo que eu gostava de verdade. Nessa época, começou a sair uma revista chamada Brasil Surf. Eu lembro de comprar a primeira edição, Ano 1, Número 1. Isso de certa forma acaba amarrando com a minha história profissional. Meu envolvimento com o surf, com a cultura de praia, vem daí.

Eu devia ter 14 anos quando fiz uma viagem pra Porto Alegre. Eu tinha uma namoradinha em São Paulo, mas lá em Porto Alegre eu conheci uma menina. Quando eu voltei pra São Paulo, eu contei pros amigos que tinha conhecido uma menina lá. Como já tinha outra namorada, na leitura deles, duas namoradas viraram um harém e o harém virou Califa. A história do apelido vem dessa brincadeira.

Quando eu fui pro Colégio Objetivo, me preparar pra passar no vestibular, já estava muito mais nessa onda de sair da escola e ir encontrar os amigos, andar de skate, fazer uma rotina que estava mais associada ao prazer do que aos estudos. Aí, prestei vestibular, o meu interesse era Arquitetura, prestei pra FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) e prestei em Santos. Não passei. Em Santos, eu até negligenciei a prova. Fui surfar primeiro, acabei perdendo um pedaço da prova. Prestei para Administração e entrei na FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas). O marido da minha irmã tinha uma indústria química, eu comecei ali, trabalhando internamente na empresa, enquanto estudava. Terminei a faculdade bem tranquilo.

Um amigo, com quem eu ia pra praia, me convidou pra montar um negócio em Santos. Era uma loja de moda esporte masculina. Era o que eu queria, morar na praia era o sonho, aquilo que eu queria de fato fazer. Fiquei em Santos um ano e pouco, a loja não deu certo. A uma certa altura, o Paulo Lima e o Fernando Costa Neto foram me visitar porque eles iam passar um filme de surf em Santos. O Paulo era representante da Visual Esportivo, que foi, de certa forma, a revista que sucedeu a Brasil Surf. Eu ajudei a fazer o negócio funcionar, passar esse filme, e o Paulo me convidou pra ser o representante da Visual lá no litoral. Aquilo pra mim era o sonho: ser representante de uma revista de surf, morando na praia. Como a loja não tinha dado certo, acabei voltando pra São Paulo. Eu optei por seguir com aquilo que eu acreditava, aquilo que eu gostava, ficar na representação da Visual Esportivo. Eu fazia um papel administrativo, em São Paulo. Depois, a gente começou a trazer gente de conteúdo, fotógrafos, gente pra escrever. A gente começou a editar uma revista de skate, que não era tão conflitante com a Visual, chamada Overall. Foi a nossa experiência de produzir algo próprio. A Abril propôs comprar o título Visual Esportivo. O Nilton, dono da Visual, não quis vender, e isso ajudou a gente a romper com ele. A essa altura, a gente estava contemplando a possibilidade de, além da Overall, fazer um outro título, que veio a ser a Trip. A Trip era um projeto mais eclético, um projeto de verdade, projeto no sentido de ter algo desenvolvido, com personalidade, com um jeito próprio, que não existia em lugar nenhum. Era a combinação de esportes, especialmente surf, esportes de ação, com cultura de praia, com cultura urbana, com arte, com moda, com sensualidade. Por ser inédito, por ser inovador, arrojado, foi difícil de ser interpretado no início, de ser entendido, de ser percebido como algo pertinente. A gente passou a fazer eventos, festas, fazia catálogo pra alguns anunciantes, enfim, diversificava.  Houve um momento em que a gente decidiu fazer uma capa de comportamento e uma capa de surf, e começar a testar na banca o que vendia mais, pra ver com que público, na prática, a gente estava conversando.

A TPM nasceu numa pesquisa que a gente encartou na Trip. A Trip tinha uns 12 anos de vida mais ou menos, a gente encartou uma pesquisa pra conhecer melhor o nosso público. Essa pesquisa mostrou que, na época, cerca de 25% dos leitores eram mulheres. Resolvemos que fazer um projeto voltado pras mulheres fazia bastante sentido. A gente discutiu durante algum tempo que nome essa revista teria.  Ne reunião, alguém falando Trip Para Mulheres... “Pô, Trip Para Mulheres, TPM”. Nasceu de um jeito meio assim, totalmente despretensioso, enfim, deu certo, dá pra dizer que deu certo.

Minha relação com o Paulo... A gente é sócio e amigo há 35 anos. A gente tem uma relação que é incomum pra uma sociedade, a gente tem uma proximidade e uma relação pessoal que vai além do trabalho. Mesmo nos momentos difíceis, a gente sabe se entender.

Eu conheci a Juliana quando ela tinha 16 anos, eu tinha 25, uma diferença que, naquela época, era muito marcante. Estamos juntos há 32 anos. Querer ter filho foi uma decisão das mais acertadas que a gente tomou, foi determinante pra nossa relação e pra manutenção dessa nossa história juntos.

Eu me orgulho muito do que eu fiz, do que eu faço. Meu sonho é continuar fazendo a Trip levar sua mensagem, construir esse projeto que, modéstia à parte, entendo que é bastante relevante pra sociedade, é um legado. Meu sonho passa por aí, e que minha família siga próxima e com saúde física, mental e espiritual, que a gente esteja bem, todos juntos.

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