Busca avançada



Criar

História

Uma vida é vivida, não é contada

História de: Eduardo Roberto Uhle
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/10/2015

Sinopse

Nesta entrevista, Eduardo nos conta sobre suas raízes germânicas e miscigenadas, sua infância em Campinas, a separação de seus pais e a vida junto de seus irmãos. Depois, nos fala a respeito de suas diversões com a TV, o videogame e as brincadeiras de rua. Em seguida, nos fala sobre a escola e sua mudança para Paris. Sabemos sobre o período no ETECAP, o período de vestibular e sua entrada na Danone. Ouvimos também sobre a faculdade de Educação Física na UNICAMP, seus dias de professor no Objetivo e seu começo no SESC. A partir daí, sabemos sobre sua carreira profissional lá dentro, sua relação com o PRODHE e seu casamento com Lígia, que lhe deu Pedro, seu filho. Ao final, Eduardo nos fala de seus sonhos para o futuro e como foi contar sua história.

Tags

História completa

Meu nome éEduardo Roberto Uhle, nasci em Campinas, em 15 de maio de 1980. Meu pai é de 29 de março de 50, ele nasceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, se chamaÁrio Roberto Uhle. Minha mãe é Agda Bernadete Bittencourt, ela nasceu em Joaçaba, Erval Velho, que é distrito da cidade, enfim, em 28 de Agosto de 50 também. Meu pai veio trabalhar na Unicamp, teve uma oferta de emprego na Faculdade de Economia, mas não pra ser professor, especificamente. Era quase que uma extensão universitária que fazia apoio às empresas da região, formação, capacitação, ajudava a melhorar a parte administrativa das empresas e ele trabalhava nesse grupo que fazia quase que uma consultoria pra essas empresas. Minha mãe é formada em pedagogia e ela veio pra cá; e depois de um tempo também, acho que no ano do meu nascimento, desde 80 ela está na Unicamp também. Mas ela ficou, virou professora e está lá até hoje. Meu pai não. Meu irmão mais velho se chama Vitor Augusto Uhle, nasceu em Curitiba, como eu falei, e ele tem quatro anos de diferença, é de 76, 3 de agosto de 76. A minha irmã é Ana Rita Uhle, nasceu em 20 de dezembro de 78 e foi quem eu tive mais proximidade, porque acaba que é muito próximo, temos um ano e seis meses de diferença, a gente acabou vivendo a infância muito juntos. Reza a lenda que eu nasci em uma casa, mas com dois anos eu mudei pra essa casa que é a que eu lembro, que foi onde eu vivi a minha infância toda, toda ela mais ou menos no mesmo bairro, que é o Santa Genebra, em Campinas. E aí, dos dois aos 14 anos a gente morou nesse mesmo endereço que era a Rua Matias Aires, nº 85 Com 14 anos eu estava terminando a oitava série, adolescência, começando a criar o grupo de amigos, um super vínculo, os melhores amigos da vida. Começando a achar as menininhas mais legais, querendo sair pra, enfim, curtir. E aí minha mãe veio com uma história de... eu falei do cachorro que morreu, né? Nessa fase que eu peguei o cachorro ele acabou sendo atropelado dois meses depois, e foi junto dessa fase que a minha mãe estava querendo ir pra Europa Somos em três irmãos, minha mãe foi pra França e levou dois, foi eu e minha irmã; meu irmão ficou. Se eu tinha 15, meu irmão tinha 18, né, 19. Ele ficou, ele estava fazendo colégio técnico, ficou fazendo colégio técnico e ele começou a fazer pré-vestibular pra prestar medicina, porque ele queria fazer medicina. Então ele não morou com a gente lá, ele passou um tempo depois que ele terminou o ano aqui, começou a fazer o cursinho pré-vestibular e passou um tempo lá. Essa escola que ele fez, o ETECAP, era uma escola que a minha mãe gostava muito. Aí, quando eu saí do ETECAP eu prestei vestibular pra Química, na USP-Ribeirão e pra Educação Física, na UNICAMP, noturno. E aí eu saí do ETECAP e arrumei uma vaga de estágio na Danone, na Campineira, que é uma fábrica de biscoito, bolacha recheada e tal. E aí eu consegui um estágio na Danone e passei na USP-Ribeirão em Química. O meu irmão fazia Medicina em Ribeirão e aí eu passei na USP-Ribeirão, em Química e passei na UNICAMP, em Educação Física, noturno quando eu estava terminando a faculdade eu fiz estágio no SESC e dei aula numa escola em Campinas. A gente conseguiu fazer um projeto pela empresa júnior, que foi super rentável inclusive, pagava hora-aula de professor de escola particular pra gente, era muito legal. Aí a gente... eu fazia estágio no SESC, complementava minha carga com esses estágios na escola e quando eu me formei eu queria continuar porque, na UNICAMP, você forma em Bacharel e pode continuar, pedir reingresso pra licenciatura. Eu queria continuar no SESC, mas não foi possível, então eu saí. E eu fui chamado pra... dar aula? Não, pra ser monitor no Objetivo, que estava trocando a direção em Campinas, tal. Depois eu descobri que ser monitor era ser professor, só que pagando menos e sem o status, sem essas questões todas. Então eu saí da faculdade já tendo uma experiência no SESC. Aí eu entrei no SESC, mas no SESC eu entrei como instrutor, também dando aulas. E aí foi um desafio. Eu sempre trabalhei muito com esportes, trabalhei muito com turmas de esportes e aí, no SESC, é uma formação mais generalista, eles querem que você trabalhe com tudo, com ginástica É, daí quase um ano e dez meses em Campinas me chamaram pra Paulista. Aí, a Paulista era um... eu sabia que a Paulista ia fechar, mas ao mesmo tempo o SESC tem esse funcionamento, né, muito convite e quando você está sendo convidado... eu sempre tive pra mim, no SESC, que quando você está convidado você aceita. Me falaram muito isso e deu muito certo pra mim. Então: “Olha, aceita.” “Mas a Paulista vai fechar. E depois?” “Ah, quem te convidou é que é o responsável e não vai te jogar pra baixo, sabe desse compromisso também.” E aí foi quando eu consegui sair, vim pra Paulista, trabalhei acho que uns dez meses na Paulista e a Paulista fechou. E aí eu fui trabalhar na administração central, ajudando no Dia do Desafio, ajudando nessa mobilização. E eu passei a me relacionar muito, por conta dessa ação que ficou... desse desafio que ficou pra mim, de me relacionar com outros parceiros. E aí a gente passa a conhecer outras instituições, quem é que tá trabalhando com isso e é nesse bolo que a gente começa... que foi onde eu tive contato com o PRODHE, né. A gente já tinha um contato, muito anterior a mim, o SESC e o PRODHE tinham feitos seminários em parceria, com outras pessoas tocando, mas o fato da gente ter essa ideia de criar uma campanha mobilizadora no Brasil e de, ao mesmo tempo, existir um projeto desenhado pro movimento, que a Nike estava encabeçando, que tinha convidado o SESC, que tinha convidado o PRODHE, que tinha convidado uma série de instituições, isso foi me colocando nessas relações, né. Acompanhando a Maria Luísa nessas reuniões, me aproximando dos parceiros e vendo como é que a gente conseguiu estabelecer. Minha esposa se chama Lígia Moreira Moreli. Conheci ela no SESC da avenida Paulista. Então a avenida Paulista, apesar de 10 meses, foram 10 meses significativos. A gente tá junto desde... agora não posso errar, né, fica gravado. Desde 2009 (risos), agosto de 2009, e a gente teve um filho em 2012, 12, 2012. E foi muito louco porque, assim... outra coisa que a gente percebe agora: quanto mais velho você vai ficando, eu tenho 35, mais rápido os relacionamentos vão se amadurecendo. Com ela, a gente começou a sair em agosto, mudou junto em março, eu fiz uma pressão pra mudar pra casa dela porque eu estava ficando desalojado em São Paulo e eu queria um lugar pra morar (risos). Fiz uma pressão pra morar na casa dela, mudamos em março e eu acho que em agosto a gente adotou um cachorro. . Isso foi interessante porque a gente teve que brigar um pouco pra sustentar o casamento, que agora está de novo mais sedimentado, mas mais firme, entendeu? Porque a criança também traz uma mudança na vida, né, nasce o filho e você de repente tem um... como diria um amigo meu, que eu acho que é uma fala excelente, que teve filho três semanas depois da gente também: “Filho é um coisa que você tem uma certeza na vida: você vai dar risada todo dia, mas é difícil.” O Pedro tem três anos, o Pedro é super bonzinho. Acho que eu fiz muita coisa certa nessa vida pra ganhar um filho tão bonzinho. Dorme bem, não chorou tanto quando foi criança, quando foi bebezinho. Mas a gente tem algumas questões, né, a gente sempre busca as nossas experiências e pra olhar a dos outros. Então ver o Pedro hoje, filho único, três anos, que está em uma casa que não tem a rua, não tem os amigos da rua, isso pra mim, hoje... até pra me analisar, né. Estou em São Paulo, não estou em Campinas. Quando eu estava na escola era curar o câncer. Já não fiz o curso certo pra isso, então eu não vou curar o câncer. Eu lembro que quando eu entrei no SESC, teve no teste admissional... eu gostei muito dessa dinâmica, ela falou assim: “Escreve um... o que você colocaria na sua lápide?” Porque eu acho que tem um pouco isso, né, o que você gostaria de ter realizado depois que você passou por aqui. Aminha... eu não consegui colocar os feitos, mas eu... a ideia que eu quero... eu quero ter uma passagem significativa por aqui, eu quero poder ser um instrumento de mudança, de melhora, de... hoje eu escolhi fazer isso por meio do esporte, da atividade física, então, assim, que seja por essa linha Ah, a gente fica com a sensação de que ficou coisa de fora, né, não tem jeito. A hora em que você me perguntou da minha mulher eu quase me chicotei, falei assim: “Caramba, quase não falei deles.” Mas o meu filho tem três anos na minha história de trinta e poucos, então eu tenho que dar um desconto. Apesar de serem três anos... esse negócio de deixar herdeiro é interessante. Mas é isso, é gostoso, eu gostei. Gostei de contar e acho que ainda tem outras coisas, mas acho que não vai dar conta, né. Uma vida ela é vivida, não é contada.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+