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História de: Pedro Herz
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 02/01/2013

Sinopse

As origens da família e a vinda para o Brasil dos pais, judeus alemães. A decisão da mãe de alugar livros para a comunidade alemã. O crescimento dos negócios e a infância passada entre os livros que ocupavam os cômodos da casa. A decisão de sair de casa e viajar para a Suíça, onde trabalhou em livraria e fez curso de livreiro. A volta ao Brasil e o trabalho em outras empresas. A decisão de ajudar a mãe na livraria aberta no Conjunto Nacional. As transformações ocorridas no negócio familiar, no ramo editorial e nos hábitos de consumo da população. A importância da internet e o impacto nos negócios.

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História completa

“Meus pais fugiram do nazismo em 1938. Eles não tinham opção. E o curioso é que, apesar de quererem vir para o Brasil, não puderam ficar, porque o governo Vargas não permitia. Tiveram que seguir até a Argentina e só mais tarde conseguiram um visto. Eles queriam vir para o Brasil porque meus tios já estavam aqui. Terminada a guerra, minha mãe precisava fazer algo para ajudar meu pai, porque era realmente apertado sustentar minha mãe, meu irmão e eu. E ele. Ele tinha que comer também. Enfim, ela teve uma ideia e resolveu alugar livros. Os conhecidos, os amigos daquele grupo de imigrantes, sentiam falta de ler. Livro já era raro, e em alemão muito menos. Eles se sentiam uma comunidade à parte. Minha mãe conta um episódio que, quando foi fazer a documentação na polícia, a pessoa que a atendeu perguntou: ‘Estado civil?’ Ela falou: ‘Cansada.’ Aí o atendente desapareceu do guichê, voltou dois minutos depois e trouxe uma cadeira para ela. Foi uma cena engraçada, mas que mostra que havia toda aquela comunidade de imigrantes, pessoas que falavam alemão e não liam bem em português. Ela começou o negócio com dez livros. Eram romances, best-sellers. Aos poucos os pedidos foram aumentando e ela foi comprando mais livros... até que chegou um momento em que éramos nós ou os livros, sabe? Aí tivemos que alugar um sobrado na Rua Augusta e nós ocupávamos a parte superior. Fomos para lá com os livros. E de novo os livros tomando conta... Assim até que as pessoas que alugavam começaram a estimular minha mãe a vender os livros: ‘Ah, eu li esse livro, adorei, amanhã é aniversário da minha avó, ela com certeza adoraria ganhar esse livro. Por que você não vende?’ Aí nasce a livraria, porque até então era uma biblioteca circulante, apenas isso. Foi quando ela decidiu, também, vir para a Avenida Paulista, porque achou que seria uma rua que teria futuro. Nós abrimos a loja em 1969. Fomos crescendo lentamente, da forma tradicional, até que vieram os anos 90 e apareceu o desafio da internet. O mundo passou a utilizar aquilo e eu vi um sinal: o Brasil é um país que mal tem bibliotecas públicas, imagine livrarias! A internet facilitaria imensamente a vida daquelas pessoas que querem um livro. Foi uma maravilha começar a desenvolver, só que ninguém trabalhava com comércio virtual e não estava claro como aquilo podia funcionar. Foi então que uma grande fábrica de computadores apareceu e se propôs a informatizar a livraria. Prometeram um monte de coisas e nada foi cumprido. Nada. Tiraram minha escada e eu fiquei pendurado pelo pincel. Aí eu falei: ‘Eu não vou parar agora. Eu sei que o caminho é esse.’ Então comecei a admitir pessoas da área que trabalhavam para terceiros. O que era feito fora passou a ser feito aqui dentro. Agora eu tenho uma pessoa que só cuida disso, um diretor dedicado a gerenciar o sistema e cuidar da operação na web. A internet hoje, para nós, é a segunda loja, mas acontece uma coisa interessante nesse aspecto. Quando nós abrimos uma filial, não importa onde, as vendas pela internet crescem. É engraçado, não é? A livraria chegando, cria uma certa confiança no cliente; ele sabe que tem o suporte nesse lugar: ‘Se eu precisar de alguma coisa, tenho com quem falar.’ Então, mesmo com toda essa mudança que ocorreu, com toda a evolução do negócio virtual, ainda tem um bom espaço para o crescimento das lojas físicas.”

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