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A arte em meio à guerra



O mundo está meio de cabeça pra baixo, né? Parece que estamos caminhando para um novo conflito. "Durante o dia era vida normal. Já durante a noite, começava o medo, porque de noite vinha a aviação militar inglesa pra bombardear". É assim que o Adriano Colangelo, que tinha 7 anos quando a Segunda Guerra Mundial começou, relata aquele período, que ele viveu de perto.


Adriano morava em Nápoles, na Itália. "Eu era uma criança quando a guerra começou e fui educado, desde então, a me dominar, apesar de estar sempre batendo os dentes de medo", ele contou pro Museu. "Eu dormia vestido e ao lado de uma mala pronta para quando soasse o alarme. E quando ele soava, tínhamos que voar pela escada e entrar no refúgio. Isso durante quase toda a noite".


Não tenho a menor ideia do que deve ser viver isso. Mas acho importante ler relatos como o do Adriano para a gente ter uma vaga noção e entender o perigo de voltar a viver sob bombas e explosões.


Infelizmente, muita gente ainda hoje vive essas situações diariamente, seja na África, no Oriente Médio ou em outros tantos lugares. Se o extremismo político continuar crescendo, não é difícil imaginar isso acontecendo de forma global. Tomara que seja apenas um pensamento negativo próprio de quem não sabe o que está falando.


E veja que curioso: contando sobre viver em meio à loucura da guerra, o Adriano narrou algo muito bonito. Era nos abrigos antiaéreos que ele desenhava. "Havia um coleguismo de um apoiar o outro. Os meus primeiros desenhos foram nos refúgios antiaéreos. Eu fiz uma verdadeira alquimia comigo mesmo, porque eu tremia. Imagina, vinha um avião a metralhar, não tem nem como rezar porque o barulho era ensurdecedor! Então eu me transformei. Peguei um bloco, um lápis, uma canetinha, comecei a desenhar. Eu desenhava enquanto os velhos dormiam e as mulheres rezavam. Quase me esquecia do barulho das bombas".


A arte de Adriano é feita com fogo, algo que ele descobriu no Brasil. "Quando passei por uma loja, já em São Paulo, olhando pela vitrine, dei um berro. Decidi! Vou desenhar a fogo! Entrei na loja como um furacão, comprei um pirógrafo, voei pra casa, peguei um pedaço de madeira e não parei mais. Já são mais de 50 anos", contou. "Fui forjado numa fornalha de fogo: ou eu quebrava, ou me tornava gente. Tornei-me gente em todos os sentidos".

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