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Quem sou eu?



Aconteceu algo muito estranho hoje. Eu deveria achar tudo estranho, no estado em que estou, sem memória e sem saber quem sou. Mas o que aconteceu hoje, até mesmo por esse fato, foi realmente muito estranho. Depois de ter acordado sem me lembrar de nada, sem ninguém ao redor que parecesse familiar ou sem nenhuma anotação para eu ter uma pista, resolvi sair do lugar onde estava (deveria chamá-lo de “casa”?) E comecei a vagar. Caminhei por horas até doer o pé. Sem destino, porque tudo parecia completamente novo (será completamente novo?)

Quando não podia mais andar (será que estou tão velho?), tomei um ônibus. O primeiro que passou, porque se eu escolhesse algum seria nada além de um chute, provavelmente baseado na combinação de números ou na boniteza da palavra que indica o destino. Na verdade, eu nem me lembro mais o nome. Não importa (ou será que importa?) Também não lembro a cor, e provavelmente não foi o que me fez tomar aquele ônibus.

Fato é que embora desmemoriado, bobo eu não sou. Nem ingênuo. Já estava rodando há bastante tempo, o ônibus quase vazio, quando vi um homem muito estranho correndo para um ponto ali adiante. Fiquei com medo. E saltei. Até onde pude ver, ele tirou da mochila uma arma e saltou em cima do cobrador. Coitado do cobrador. É um homem simpático, puxou papo comigo (eu devo ter parecido bem antipático, porque não respondi nada do que ele perguntou - em minha defesa, não falei porque não sabia, mesmo).

Fiquei assustado.

Quando o ônibus sumiu na rua e o coração parou de bater forte, olhei ao redor para saber onde eu estava (como se olhar ao redor bastasse para me dar uma resposta). Pouco além de alguns carros indo e vindo, algumas raras pessoas caminhando em estreitas calçadas, árvores balançando num vento forte. E havia uma casa. O que me chamou atenção foram enormes rostos na parede. Cheguei perto e reparei que eram feitos de tampinhas de plástico. Achei curioso. Mas o espanto surgiu quando vi que era um museu. E não era qualquer museu. Era o Museu da Pessoa.

Quero voltar ali (será que lembro o caminho?) Quero fazer perguntas para encontrar minhas respostas. Com certeza as pessoas que trabalham no Museu da Pessoa sabem tudo que eu preciso saber para saber quem eu sou. Será que abrirão as portas para um estranho, que mal sabe que nome tem? Preciso de um nome. Pode ser Zé. Esse nome me provoca uma sensação carinhosa. Zé. Zé da Pessoa. Sobrenome comum com o lugar que guarda as minhas respostas.




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