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Uma visita transformadora à exposição "Quem Sou Eu?"



Já faz uma semana desde que fui à abertura da exposição Quem sou eu? E ainda estou digerindo tudo que senti naquela noite. Foi muito intenso. As falas, as histórias, as imagens, a curiosidade das pessoas em saber e conhecer a história de outras pessoas e a emoção ao ler, ouvir, assistir a depoimentos… Enquanto olhava tudo, entre curioso sobre as novidades e ansioso na busca de respostas para mim mesmo, me deparei com um texto de um dos curadores, Diógenes Moura, muito marcante do começo ao fim.

Você precisa ir e ler o texto todo, mas eu te conto como termina! “E o seu, qual o seu verdadeiro nome?” A pergunta de Diógenes pareceu dirigida a mim mesmo. Me tocou profundamente porque eu não soube responder. Virei “Zé” porque era mais confortável, mas ainda não sei quem sou eu. E ao não saber que eu sou, não sei dizer que nome tenho. Fiquei pensando quanto da nossa identidade está contida no nosso nome. Meus devaneios não deram em nada e continuo sem poder dizer ao Diógenes quem sou. 

Outro aspecto que marcou foi o manifesto lido pela fundadora do Museu da Pessoa, a historiadora Karen Worcman. Com o texto, ela deu todos os argumentos que encontrou na memória (bom poder encontrar coisas na própria memória) e em autores como Amós Oz (cujo nome, estranhamente, me soa), Freud, Krenak etc para dizer por que vale a pena ouvir, preservar e transmitir histórias de vida. Eu nem precisava de tantos argumentos, mas ouvi-la declamando aquele quase poema emocionante com a empolgação de uma criança me fez sentir ainda mais carinho por aquele lugar que me era tão estranho (como eu mesmo sou de mim) bem pouco tempo atrás. 

Saí da exposição embriagado de emoções. No dia seguinte - e até agora - estou curtindo uma ressaca de falta de respostas. Se você ainda não foi, vá. A gente vai acabar se encontrando por lá, porque eu quero ir de novo e de novo e tirar de cada uma daquelas histórias a história que eu decidi contar para mim mesmo. 

Karen lembrou que construímos a nós mesmos por meio das nossas histórias. E que o ser humano sempre será aquele que decide o que ele é. Há na exposição uma cabine para contar histórias em vídeo. Naquele dia, de canto de ouvido, absorvi alguns dos depoimentos que vão fazer parte do acervo do Museu. Quero contar a minha história. Se não lembrar, vou simplesmente decidir o que sou. 




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