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A vida e as vidas de Vladimir Herzog



[do material de divulgação]

Desde 14 de agosto está aberta ao público a Ocupação Vladimir Herzog, no Piso -2 do Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, São Paulo, SP). A mostra fica em cartaz até 20 de outubro e é uma realização do Instituto Itaú Cultural e do Instituto Vladimir Herzog.

Durante a pesquisa produzida para desenhar a exposição, a curadoria formada pelas equipes de Comunicação e Audiovisual e Literatura do Itaú Cultural, com cocuradoria do arquiteto e produtor cultural Luis Ludmer, teve a atenção tomada pela potente veia artística do jornalista assassinado em 25 de outubro de 1975. Encontraram, por exemplo, fotografias com enquadramentos que demonstravam um olhar particular de Vlado para as coisas, lugares e pessoas. Também uma peça de teatro em áudio em que ele é um dos atores, e suas respostas com desenhos esquemáticos e análises de filmes para uma prova de ingresso em um curso de cinema com o documentarista sueco Arne Sucksdorff (1917-2001). Essas aulas resultaram na realização do primeiro e único minidocumentário de Herzog, Marimbás (1960).

Foram mapeadas, ainda, as atividades que ele realizava na Cinemateca Brasileira e sua participação na Caravana Farkas – série de documentários de curta e média-metragem com teor humanista. Idealizada e coordenada pelo fotógrafo Thomaz Farkas, nos anos 1960, ela foi considerada um marco do cinema documental brasileiro. O jornalista participou de dois desses filmes, Subterrâneos do Futebol e Viramundo, que serão exibidos em 20/08, dentro do Terças de Cinema, cuja programação ocupará todo o mês de agosto com filmes da Caravana.

“Quando foi morto, ele estava pronto”, confirmou Clarice, sua mulher, sobre a carreira de Vlado como cineasta. Naquele momento, além de implantar, com outros jornalistas, um novo projeto jornalístico para a TV Cultura, ele trabalhava na pesquisa e elaboração do roteiro de um filme sobre Canudos e Antônio Conselheiro.

Vida, obra, morte

Esta é apenas uma das atividades menos conhecidas de Herzog apresentada nesta Ocupação no Itaú Cultural. Entre fotos, filmes, cartas escritas por ele, reportagens, depoimentos e audiovisuais, a exposição joga luz sobre a vida e o trabalho do jornalista e editor exigente, que sempre acrescentava informações de utilidade pública e demonstrava preocupação social em seus textos.

A mostra entrelaça e dialoga com todo o percurso da vida e obra de Herzog, nascido em 27 de junho de 1937, na Iugoslávia, em Osijek, hoje Croácia. Aos 10 anos, ele chegou a São Paulo, com sua família, para escapar do antissemitismo. Ele se naturalizou brasileiro, formou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), tornou-se um renomado jornalista, editor e professor – e se casou com Clarice, com quem teve os filhos Ivo e André.

Vlado ficou conhecido nacional e internacionalmente como símbolo de luta por justiça e pelos direitos humanos devido ao chamado Caso Herzog: a sua morte, aos 38 anos, em 1975, na sede do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985), forjada como suicídio. Hoje, ele permanece presente em livros, trabalhos artísticos, escolas, logradouros e premiações.

Entre os materiais disponíveis na Ocupação há também muitas cartas, como as que ele trocou com o amigo Tamás Szmrecsányi, quando trabalhava na BBC e vivia em Londres. Ali, Vlado descreve o dia a dia na cidade fria, faz divagações, relata viagens e descobertas da vida no exterior. Escreve também sobre a sua preocupação e dúvidas em voltar ao Brasil e garantir segurança para ele, sua mulher e filhos.

Nos núcleos focados na história de sua família e no Caso Herzog, o visitante encontra gravações de duas missivas especiais. A primeira, na voz do escritor Milton Hatoum, foi dirigida a Vlado pelo pai, Zigmund Herzog, em 1968, e conta a história da família durante a Segunda Guerra Mundial. A outra, gravada pela atriz Eva Vilma, foi escrita pela mãe do jornalista, em 1978, para o juiz Márcio José de Moraes, quem proferiu a primeira sentença que condenava o Estado brasileiro a reconhecer sua responsabilidade na morte de Vlado.

Some-se a tudo isso projetos de roteiros, a projeção de Marimbás e fotografias – tanto feitas por ele entre a família, amigos e viagens, quanto tiradas dele próprio, desde pequeno, ao lado dos bisavós, avós e pais, até a sua vida adulta. Parte das histórias capturadas por Vlado podem ser vistas em um retroprojetor, aparelho que ele tinha e costumava usar – o original da família também está na exposição.

Encontram-se na mostra, ainda, matérias suas publicadas no jornal O Estado de S. Paulo, no final da década de 1950, e parte de sua farta produção na revista Visão, importante publicação brasileira dos anos 1960 e 70, na qual começou como colaborador e chegou a editor da seção de Cultura. Uma das matérias de maior impacto junto aos leitores, reconhecida até hoje por jornalistas como o seu maior feito, é a intitulada “A crise da cultura brasileira”. Na reportagem, ele e o jornalista Zuenir Ventura traçaram um panorama sobre o momento político, econômico e cultural vivido no país naquele período da história brasileira.

Outro texto jornalístico assinado por Vladimir Herzog presente na mostra é o artigo “Carta aos cariocas”, veiculado na seção de cinema do Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro. Nele, o autor compara a produção cinematográfica naquela cidade com a de São Paulo. Para Vlado, os cineastas do Rio produziam filmes para o povo; os paulistanos, para a elite.

A sua passagem pela TV Cultura, onde foi editor dos telejornais Hora da Notícia e Homens de Imprensa, está igualmente registrada e documentada na exposição. Em sua segunda incursão pelo canal, ele foi convidado a dirigir o Departamento de Jornalismo da emissora e tinha um projeto bem delineado sobre o que gostaria de fazer. Passado um mês, foi morto no DOI-Codi, depois de se apresentar voluntariamente para prestar esclarecimentos sobre as suas atividades. Não conseguiu concluir esse projeto. Nem o de fazer filmes.

 

 

SERVIÇO

Ocupação Vladimir Herzog

Visitação: de 15 de agosto a 20 de outubro

De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 20h (permanência até as 20h30). Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h

Classificação indicativa: 12 anos, Piso -2

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô

Fones: (11) 2168-1777

Acesso para pessoas com deficiência

 www.itaucultural.org.br  




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